20 de abr. de 2014

Do Tempo.



E aí o Tempo cansou.
Quis parar. Olhou pra Ele e viu o resumo de si. 
Olhou para frente e não viu nada. E nem poderia ter visto coisa alguma, pois se o futuro não havia acontecido ainda, nada havia para se ver. 
Então o Tempo pensou que nunca tinha parado antes. Nem mesmo para pensar. E concluiu que bastava ficar ali parado e tudo o mais pararia com ele. E aí se deu conta de que era, nada mais, nada menos, do que o condutor dos acontecimentos, o desbravador do desconhecido, o senhor absoluto do depois, o escritor de cada palavra dessa imensa frase cujo final todo mundo desconhece. 
Sentiu-se todo poderoso e supremo. Mas logo em seguida foi acometido por uma crise existencial sem precedentes. 
Qual seria, afinal, a finalidade da sua longa jornada? 
Haveria um objetivo? Um prêmio? A descoberta de um mistério? Uma faixa de chegada? Ou estaria ele destinado a seguir eternamente as reticências, que sempre o conduziram, para lugar nenhum? 
E pela primeira vez, desde o começo de tudo, ele teve medo do que estava por vir. Sentiu-se inseguro, o Tempo. Quis ser adivinho. Quis acreditar na sorte. Quis que não fosse com ele. Quis evitar a próxima palavra desconhecida. Quis, enfim, desistir. 
Foi quando ele olhou para trás e viu o ontem.
Em seguida lá estavam o ante ontem, a quarta-feira, a terça, a segunda, e abril, março, fevereiro, janeiro, 2010,e o século passado, a Idade Média, a Pré-história...
Seria mais negócio seguir adiante, sabe lá até onde e quando, ou voltar pelo caminho percorrido até o começo, seu porto?
Já se passara muito tempo e o Tempo não se lembrava mais de onde partira.
Eram tantas as lembranças que elas se misturavam em imagens soltas e desalinhadas: confusos vazios, florestas, metrópoles, festas, batalhas, maremotos, desertos, multidões.
Enquanto ele pensava, tudo ficou pendurado no ar, mas esse vácuo não durou mais que a estranheza de uns instantes, pois o Tempo resolveu dar meia volta e começou o regresso.
Estava cansado demais para seguir em direção ao ignorado. Talvez estivesse ficando velho. E quem sabe não rejuvenesceria, durante o reverso do caminho, até recuperar o frescor de outrora?
Muito lhe custava acompanhar o ritmo em que tinha vindo. Mesmo assim, foi indo. Revendo tudo se passar ao contrário. 
Alguns fatos já estavam completamente esquecidos e lhe causaram tanto espanto quanto tinham causado da primeira vez que aconteceram. 
Outras vezes, porém, durante a jornada, ele teve aquelas estranhas sensações de déjà vu.
Quanto mais se aproximava do início da frase, mais o Tempo ansiava em relembrar todo o pretérito e descobrir a sua origem. 
Muitos séculos se passaram, de trás para frente, até que a linha do horizonte foi virando um ponto. E só quando ele chegou lá, conseguiu ler as primeiras palavras que, estranhamente, terminavam exatamente no ponto inicial: “Era uma vez um tempo que ainda ia voltar, em Mim. Assinado Deus."
Só então o Tempo se lembrou que já tinha passado por ali incontáveis vezes, e, mais confuso do que nunca, já não sabia mais se aquilo era o início da história ou se era o seu final.




22 de mar. de 2014

Para você que me deu olhos


Antes é preciso lembrar que a mãe que Ele me deu é como a mãe adotiva, como uma tempestade; sempre trovejando. Mas ela não é tão forte quanto parece. 
Eu também não sabia cantar o hino à opressão que todos cantavam, não entendia porque as chamas lambiam o meu objeto favorito no mundo. O fogo queimava livros enquanto queria encher as paredes com o poder das palavras novas. E todas palavras que minhas são, são feitas de você, pra traduzir-te como o dia é Graça e mil cores, porque sei que d’algum modo você vive no porão gelado mesmo sabendo que “a memória é o escriba da alma. (Aristóteles) ”;  e que também não quer ver a morte lendo seus pensamentos, roubando as durezas do coração ou descobrindo sonhos, ou sentindo o que você sentiu durante tanto tempo tão de perto. Todo dia. 
  Leio. Leio pra você (e por você). A esperança soprou-me essa idéia. Penso poder um dia traduzir tantos dias coloridos, ou mesmo os cinzinas, e que essas traduções possam virar livros pra servir de remédio como sopa, calor, amizade, amor e palavras a fim de curar um pouco o horror que você vê e sente.
A morte nos contou que ao longo dos anos conheceu muitos jovens que pensavam combater o inimigo, e que elas acham que os homens eram o inimigo, mas que na realidade estavam correndo ao seu encontro. 
 E foram dias de muito aprendizado, silencio, cata ventos e palavras...
Escrevo. Escrevo, porque todo humano só estará vivo se viver dentro dele, a palavra secreta da vida.
Sempre perguntei ao papai; porque ser humano?  E ele respondia com uma cara de quem sabe a coisa mais sublime e doce; ora... Porque é preciso. Ele me lembra que as pessoas precisam de suas humanidades para saber da Cruz e nunca parar de ouvir o som do céu.
Desvencilhei-me dos braços da morte pelo Verbo que vivo faz vida onde puder achar fé.
Termino o escrevinho com os dizeres do Victor Hugo;
“É uma engrenagem.
Tome cuidado com essas linhas negras sobre o papel branco, pois elas são forças, combinam-se, compõem-se, decompõem-se, acasalam-se, trabalham. Uma linha morde, a outra aperta e esmaga, a outra subjuga. As idéias são as rodas da engrenagem. Vós vos sentis atraídos pelo livro. Ele vos soltará depois de ter dado forma ao vosso espírito.”

Aqui não é a rua paraíso. É só um lugar aonde o espirito da morte ainda passeia sendo assombrada somente onde encontra verdadeiros humanos. 

Obrigada, por ter me dado olhos.  
                        

Carinho meu pra você;  da porquinha. 

Paz. 



ps: Com a inspiração do livro e filme homônimos; “The Book Thief”. 
Te dou mais estas palavras. 

20 de mar. de 2014

Poesia preferida











"Por viver muitos anos dentro do mato
Pegou um olhar de pássaro -
Por forma que ele enxergava as coisas
Por igual
como os pássaros enxergam."



Editado; Manoel de Barros. 


19 de mar. de 2014

‘Salvem os Homens!’


         Amor não é aquilo que você sente de uma hora pra outra, amor você constrói aos poucos, com o tempo,   então ele vai se  tornando mais forte, e por ultimo ele se torna indestrutível.  - Jah Bless
                                                                                          

Gente eu sempre me surpreendo. Olha esse texto!
Simples e real.
Além da realidade da fé, do zelo, do serviço, da esposa que ora, que ama de fato e de verdade... tem uma pratica de alguém que esteve em UM RELACIONAMENTO SADIO por muitos muitos anos. 
Eu só quero deixar registrado pro caso de alguma menina desavisada. 
Bom, é isso. O que está em negrito/inclinado é grifo meu. 

Fernanda Montenegro; 


Tive apenas um exemplar em casa, que mantive com muito zelo e dedicação num casamento que durou 56 anos de muito amor e companheirismo, (1952-2008) mas, na verdade acredito que era ele quem também me mantinha firme no relacionamento. Portanto, por uma questão de auto-sobrevivência, lanço a campanha ‘Salvem os Homens!’
Tomem aqui os meus poucos conhecimentos em fisiologia da masculinidade
a fim de que preservemos os raros e preciosos exemplares que ainda restam:
1. Habitat
Homem não pode ser mantido em cativeiro. Nem você. Liberdade é uma estrutura onde a gente pode fazer escolhas.  Se for engaiolado, fugirá ou morrerá por dentro. Não há corrente que os prenda e os que se submetem à jaula perdem o seu DNA. Você jamais terá a posse ou a propriedade de um homem, o que vai prendê-lo a você é uma linha frágil que precisa ser reforçada diariamente, com dedicação, atenção, carinho e amor. O compromisso, o contrato e as verdades bíblicas sobre o casamento. 
2. Alimentação correta
Ninguém vive de vento. Homem vive de carinho, comida e bebida. Dê-lhe em abundância. É coisa de homem, sim, e se ele não receber de você vai pegar de outra. Beijos matinais e um ‘eu te amo’ no café da manhã os mantêm viçosos, felizes e realizados durante todo o dia. Um abraço diário é como a água para as samambaias. Não o deixe desidratar. Pelo menos uma vez por mês é necessário, senão obrigatório, servir um prato especial. Portanto não se faça de dondoca preguiçosa e fresca … Homem não gosta disso. Ele precisa de companheira autêntica, forte e resolutiva.


                                                               3. Carinho
Também faz parte de seu cardápio – homem mal tratado fica vulnerável a rapidamente interessar-se na rua por quem o trata melhor. Se você quer ter a dedicação de um companheiro completo, trate-o muito bem, caso contrário outra o fará e você só saberá quando não houver mais volta.
Dica de ouro; ORE com ele, por ele.. beije-lhe os pés, faça massagem, ouça, não fale tanto. NÃO SEJA CHATA! Não grite, e não fique tentando ser um "mano"... você será a sua mulher, sua amiga, sua companheira... 
4. Respeite a natureza
Você não suporta trabalho em casa? Futebol? Pescaria? Amigos? Liberdade? Carros? Case-se com uma Mulher. 
Não se case com mulher nenhuma! Homens são folgados. Desarrumam tudo. São durões. Não gostam de telefones. Odeiam discutir a relação. Odeiam shoppings. Enfim, se quiser viver com um homem, prepare-se para isso.

5. Não anule sua origem
O homem sempre foi o macho provedor da família, portanto é típico valorizar negócios, trabalho, dinheiro, finanças, investimentos, empreendimentos. Entenda! E o que der; apoie.
6. Cérebro masculino não é um mito
Por insegurança, a maioria dos homens prefere não acreditar na existência do cérebro feminino, mas não gostam de mulheres burras.
Por isso, procuram aquelas que fingem não possuí-lo (e algumas realmente não possuem! Também, 7 bilhões de neurônios a menos!).
Então, aguente mais essa: mulher sem cérebro não é mulher, mas um mero objeto de decoração. Se você se cansou de colecionar amigos gays e homossexuais delicados, tente se relacionar com um homem de verdade. Alguns vão lhe mostrar que têm mais massa cinzenta do que você. Não fuja desses, aprenda com eles e cresça. E não se preocupe, ao contrário do que ocorre com as mulheres, a inteligência não funciona como repelente para os homens. Não faça sombra sobre ele… Se você quiser ser uma grande mulher tenha um grande homem ao seu lado, nunca atrás. Assim, quando ele brilhar, você vai pegar um bronzeado. Porém, se ele estiver atrás, você vai levar um pé-na-bunda. Aceite: homens também têm luz própria e não dependem de nós para brilhar.

A mulher sábia alimenta os potenciais do parceiro e os utiliza para motivar os próprios. Ela sabe que, preservando e cultivando o seu homem, ela estará salvando a si mesma. E minha Amiga, se Você acha que Homem dá muito trabalho, case-se com uma Mulher e aí Você vai ver o que é Mau Humor! Só tem homem bom quem sabe fazê-lo ser bom! Eu fiz a minha parte, por isso meu casamento foi muito bom e consegui fazer o Fernando muito feliz até o último momento de um enfisema que o levou de mim. Eu fui uma grande mulher, ao lado dele, sempre.

Com carinho.



15 de mar. de 2014

Boas maneiras no ambiente publico.

Todos os aspectos do comportamento humano têm importância, e revelam as boas maneiras ou a falta dela;  que não são outra coisa senão o respeito e reconhecimento entre as pessoas, é também um acordo para uma participação coletiva da qual depende o sucesso e a harmonia de todos. As normas da polidez não foram feitas para consumo exclusivo dos amigos, ou do relacionamento social. Por isso existem regras regendo todo o ciclo de nossas vidas.
Se costumamos ser sempre bem educados, por que os esforços nesse sentido cessariam nos ambientes públicos? Apenas porque a linha de conduta no trabalho/escola/faculdade faz parte de um sistema automatizado no qual são relações comerciais, sem tempo para perder com cortesias e amabilidades? Este é o tipo do conceito falso. Atualmente o trabalho passou a ser fator essencial não só de sobrevivência, como de realização para todos nós. Nessas circunstancias, o comportamento nos setores profissionais tornou-se fundamental.

O cumprimento do horário é uma questão de caráter.

Cumprimentar não quer dizer iniciar uma conversação. Um bom dia/boa tarde/boa noite/Até logo/ e suas derivações ditas num tom agradável e atencioso são mais do que suficiente. Evite as indiscrições. Se não houver nada amistoso para dizer agracie a todos com o seu silencio. A discrição é a palavra de ordem.
Quando precisar se ausentar, não invente, nem muito menos entre em confidencias e detalhes sobre sua vida. Explique-se corretamente e todos entenderão. 
Uma regra sobre todas: a vida no ambiente publico (no que diz respeito a relações e produção de trabalho/ escola ) e a vida privada de cada um nada têm em comum. São inteiramente distintas. Prestar serviços e trocar amabilidades não nos torna íntimos, mas bem educados. Pode-se ser polido e cordial sem perder a noção da distancia. Alias a posição ideal é o respeito mútuo.

Uma atitude clara e franca entre colegas de sexo oposto evita equívocos futuros.

 Procure ser atencioso e cordial.  Não deixe passar as ocasiões de prestar pequenos serviços. A reciprocidade será uma conseqüência.
Vista-se com elegância, sem exagero, evite o desleixo. Se a apresentação pessoal é importante para você, o é muito mais para o convívio social.
Não adquiria o hábito detestável de reclamar por tudo e por nada, não conteste por habito, nem muito menos faça comentários desagradáveis sobre a sua vida, o local onde trabalha e as pessoas com as quais convive, nem discuta sobre orientações recebidas. E não se irrite, nem se chateie por um simples não, ou por uma exigência a mais de trabalho. Não seja mal humorado e procure tratar bem a todos e, em conseqüência, receber igual tratamento. É da tolerância e das boas maneiras que depende, a boa convivência. Trate a todos com igual cortesia, prestando informações pedidas com clareza, sem demora e com entonação de voz agradável, dê prioridade ao que fala com você, abandone por um momento as suas atividades e olhe para quem lhe diz algo.
 Não obrigue as pessoas a sentirem as diferenças. Há dificuldades suficientes na rotina das horas de trabalho/escola/faculdade/cursos em comum. Aceite cada um as suas peculiaridades de comportamento, desde que os trabalhos corram satisfatoriamente.
Não demonstre o seu descontentamento; se houver necessidade de chamar a atenção, faça-o com respeito pela dignidade humana. Será uma chance a seu favor de resolver os desacertos e estima de todos. A indecisão, as insinuações e a arrogância corroem a autoridade e projetam uma imagem medíocre e desfavorável de sua pessoa.
Por outro lado, nem a sua pressa, nem o seu cansaço, ou a sua posição, nada, devem impedi-lo de concluir o seu dia com uma palavra de estímulo para com os outros.
Concluindo, qualquer que seja o seu lugar, não force suas atitudes. Mantenha uma posição firme e coerente, porém compreensiva e calma. Procure ser objetivo e claro sem impor seus pontos de vista exclusivamente pessoais. Reconhecer os próprios enganos e aceitar sugestões é uma prova de inteligência.
O bom gosto e a elegância não dependem do luxo. Aliás, estão quase sempre aliados à simplicidade. Temos o clássico: menos é mais.
E que Deus os ajude!


14 de mar. de 2014


Não é que eu não goste mais de você, eu gosto de você, é só uma questão de lógica.
Se um dia isso tudo vai acabar, não é melhor acabar logo agora?
Já que vai terminar dando errado mesmo, pra quê esperar?
É claro que um dia vai dar errado.
A maior parte dos casais dá errado um dia. E as pessoas vão embora.
Por que haveria de dar certo justo com a gente?
Melhor ficar por aqui enquanto não deu errado ainda.
Pelo menos agora a gente ainda tem chance de ser feliz por aí
A gente é feliz, eu sei.
Então pra quê estragar?
É claro que o amor vai se gastar.
É lógico que um dia isso tudo vai passar.
É óbvio que a gente não vai ser feliz assim a vida inteira.
Não vai ser muito mais triste depois, quando a tristeza pegar a gente desprevenido?
Um dia eu vou me sentir infeliz com você, você vai pensar em outra pessoa, eu vou pensar que me sinto infeliz com você porque você pensa em outra pessoa, você vai pensar que pensa em outra pessoa porque eu me sinto infeliz com você, ou vice-versa.
Aí a gente vai brigar, vai se acusar, vai se culpar, vai ver que é melhor acabar, mas já vai estar muito mais acostumado um com o outro e vai ser ainda mais difícil.
Então a gente vai tentar mais uma vez.
A gente vai tentar mais uma vez não sei quantas vezes.
Vai ter hora que sou eu que vou pedir, vamos tentar?
Vai ter hora que quem vai pedir é você.
A gente vai alternar os papéis de vez em quando, um indiferente e um apaixonado, uma vítima e um culpado, um bocó e um tirano, a gente vai terminar se odiando.
Vamos deixar assim como está, eu gostando de você e você gostando de mim?
É difícil, eu sei.
Mas difícil mesmo vai ser um dia a gente se olhar e pensar, passou.
Vai ser muito mais difícil ver o amor diminuindo, diminuindo, acabando, ver o tempo que era bom ficando cada vez mais distante, a gente se lembrando de agora e pensando, tá vendo?, era melhor ter acabado antes.
Eu sei que é difícil.
Mas eu acho melhor a gente acabar aqui, Pessoa.
E só quando Pessoa desistiu de argumentar e foi saindo, triste, muito triste, ela gritou, "primeiro de abril!"
Primeiro ele riu. Então parou. E, antes de voltar, raciocinou um pouquinho.
Era uma questão de lógica. Se um dia aquilo tudo ia acabar, não era melhor acabar logo ali? Já que ia dar errado mesmo, pra quê esperar? Pensou que ia ser muito triste olhar pra ela um dia e pensar, passou. Pensou ainda que a tristeza tem essa mania de pegar a gente desprevenido. Mas a tristeza já estava tão longe dali, naquela hora, que nem metia mais tanto medo.
Então ele pensou, azar.
Aí, voltou.
E os dois morreram de rir.
E se beijaram.
E morreram de rir.
E se beijaram.
Vai ver eles pegaram a tristeza desprevenida naquele primeiro de abril, não sei, não posso afirmar, mas eu acho que ela foi embora de susto.
Só sei dizer que não voltou nunca mais e eles foram felizes para sempre, quem diria?


Aqui dentro sou igual a você, que faz tudo copiando a massa...

10 de mar. de 2014

Carinho meu

meu amor.

Não poderia querê-lo como um soldadinho de chumbo, não poderia querê-lo como um caso, não poderia querê-lo como um flerte.

Não poderia procurar apenas diversão, não poderia passar o tempo, não poderia mentir, adiar ou fazer promessas.

Não poderia amá-lo e sair antes do sol entrar na varanda da nossa conversa infinita. Não poderia diminuí-lo com uma relação passageira, clandestina, de prazer egoísta.

Seria insultar sua inteireza. Seria ofender os sonhos de sua infância.

Não poderia tratá-lo como uma aventura. Uma utilidade. Uma facilidade. Um conforto. Alguém que me espera sem esperar nada. Alguém que procuro para esquecer o que procuro.

Sua vida não é migalha.
Minha vida não é sobra.

Ofereço tudo o que sou e é pouco para merecê-lo. Idoneidade.

Você é o homem de toda a minha vida futura. Arrumador de quadro na parede.

Você é o homem que viu a minha morte passada.

Tanto que não tenho medo de sofrer por você.

Só sofre quem é real.

Não tenho medo de penar, de chorar, de cair por terra, do mato arvorar em meu penamento.

Não tenho medo de ser magoado, de ser ofendido, de estar em suas mãos.

Meu medo era nunca conhecê-lo.

Tinha medo de não encontrá-lo. Tinha medo da inexistência do amor.

Tinha medo de que passássemos por aqui sem a coragem da primeira conversa, do primeiro abraço, do primeiro beijo.

Que ficássemos com outros só porque achavamos alguma correspondencia.

Tinha medo do conformismo, que aceitássemos menos do que o nosso amor.

Gargalhar por você ainda é uma alegria porque agora temos uma vida juntos. Temos memória para desafiar as superstições. Temos lembranças para provar que o amor de verdade não correspondia a uma loucura solitária ou uma invenção da carência. Nem foi mais uma invenção do homem.



ps: eu chego. tu chegas. nos chegamos. eles chegam. Chega o bem.
eu fico. tu ficas. nos ficamos. eles ficam. Bem Fica.

21 de fev. de 2014

Somos pó

“E apliquei o meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer os desvarios e as loucuras, e vim a saber que também isto era aflição de espírito”. Salomão

Tudo é uma nuvem de nada. Assim é a idéia que Salomão escreveu em seu livro, que os Latinos traduziram para a palavra vaidade  Tudo é vazio. Vazio dentro. Vazio Fora.

Quando se chega à frente do espelho, e você vê a beleza desmoronando indo embora (...) é o pó que está entrando no seu rosto: ou melhor, dizendo é o rosto que está revelando a verdadeira matéria dele. Somos pó. E ao pó voltaremos.


Pois quanto maior a sabedoria maior o sofrimento; e quanto maior o conhecimento, maior o desgosto.
Eclesiastes 1:18

A vaidade é o véu sobre o vazio.

Pois, quem sabe o que é bom para o homem, nos poucos dias de sua vida vazia, em que ele passa como uma sombra? Quem poderá lhe contar o que acontecerá debaixo do sol depois que ele partir?
Eclesiastes 6:12

O que a sua vaidade esconde? Ou onde? Na elegância? Na satisfação de prazeres? Na inteligência - que esconde inseguranças? Na afirmação física- que esconde rugas? No orgulho? 








Alias o orgulho foi à primeira resposta que Adão e Eva deram a Deus, depois o pecado (desobediência, erro de alvo..). Eles foram infectados pela conversa suja da serpente, ficaram ressentidos; Porque Deus é lindo, eterno, pleno, não precisa de nada nem ninguém, é todo amor, conhecimento e graça. Mas nós somos vazios de ser sem o sopro divino e Ele, o belo Eterno.

O orgulho nos cega porque no fundo sabemos que não temos nenhuma razão para ser.
A beleza é o seu triunfo? Te dá raiva dos outros?
Onde está a sua vaidade? Com o que você preenche seu vazio?
A beleza é o espelho da nossa imperfeição. Estar diante da beleza é como ouvir alguém dizendo: Saiba que tu és mortal. É como disse o filosofo Sócrates; “Toda beleza é difícil”.
A beleza repousa em si mesma, mas sofre em ser só isso.
Falar de beleza é uma desculpa para falar de vazio, vaidade.
Vaidade das vaidades. Tudo é vaidade.
Falar de vaidade é se trair, ela trai os nossos medos, nossa agonia de encontrar um lugar no mundo; diz assim algo profundamente verdadeiro:
Somos pó.

Como um pai tem compaixão de seus filhos, assim o Senhor tem compaixão dos que o temem;
pois ele sabe do que somos formados; lembra-se de que somos pó.

Salmos 103:13-14















Por que tens, por que tens olhos escuros
E mãos lânguidas, loucas e sem fim
Quem és, que és tu, não eu, e estás em mim
Impuro, como o bem que está nos puros?

Que paixão fez-te os lábios tão maduros
Num rosto como o teu criança assim
Quem te criou tão boa para o ruim
E tão fatal para os meus versos duros?

Fugaz, com que direito tens-me presa
A alma que por ti soluça sem mascaras

E és tão pouco a mulher que anda na rua
Patética, indefesa
Ó minha branca e pequenina Lua!

Vinicius de Moraes

9 de fev. de 2014

Começando 2014 assim


Há tempos sem escrever nada, estava com saudades de vocês.
Estudando temas variados e complementares descobri uma coisa; que pode ser validada nos mais de 2 mil anos de historia da Igreja e pelo texto das Sagradas Escrituras.
Ser chamado cristão é agora xingamento para todo tipo de posicionamento oposto ao arcabouço de virtudes pós modernas.
Aprendemos a analisar com precisão cirúrgica todo conteúdo subversivo da mensagem do rabi da Galiléia e o fazemos usando os profetas com menor prestigio por assim dizer; de Sócrates a Nietzsche até o ponto em que o que Jesus disse e fez não represente qualquer peso na nossa caminhada de sermos seus imitadores.
A fim de encontrar um remédio para isso comecei a me dedicar de maneira sistemática à única instrução que Jesus deu e disse como fazer aos discípulos; a fim de resgatar para o mundo contemporâneo o conteúdo que o Filho de Deus nos ensinou durante os seus três anos de ministério. A oração! Você quer ser parecido com Ele? Ore!
É simplíssimo. Mas se prepare para a rejeição no seu meio e a consagração no céu. O benéfico é para todos! O nome do Pai ser santificado na sua vida e através dela é a dádiva compartilhada pelo Filho. Ensinada com o nascimento, cruz e ressurreição

A urgência é você quem estabelece. É assim que Ele nos ensinou a começar tudo; chamado Deus de Pai Nosso.


Vocês, orem assim:

Pai nosso, que estás nos céus!
Santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino;
seja feita a tua vontade,
assim na terra como no céu. Dá-nos hoje o nosso
pão de cada dia. Perdoa as nossas dívidas,
assim como perdoamos
aos nossos devedores. E não nos deixes cair
em tentação,
mas livra-nos do mal,
porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre. 

Amém. 
Mateus 6:9-13

O Reino vem! Teu Reino vem!

“A oração é uma conversa entre duas pessoas que se amam”.


                                                                                  No amor do Cristo.
Passarin. 

12 de nov. de 2013

SAUDADE

Foi pelo fim da tarde que sentiu, pela quinta vez naquela semana, a mesma saudade maluca, ôh coisa inconveniente.
- Sai pra lá- ele disse, como já tinha dito nas outras vezes.
Mas ela não saiu.
A dona-maria-da-saudade.
Resolveu ficar.
Ali.
Incomodando. Sufoco danado. E tá calor. 
- Só me faltava era essa.
- Alguém convidou à senhora por acaso?
- Eu tenho mais o que fazer! 
E continuou andando, como fazia diariamente.
E não é que ela foi junto com ele?
Foi.
A dona saudade-sua-chata-padaná.
Junto com ele.
Quem olhasse assim pensava até que eram colegas, ele e a saudade.
- Imagina se eu ando com gente do tipo que só aparece pra perturbar os outros!
Mas, independente de aprovação da parte dele, ela continuou dando uma ré no pensamento do pobre, e o coração se espremendo, quanto mais ia pra trás o tempo.
Parecia que estavam rebobinando o filme.
Ela indo embora, os choros-que foram-muitos-uma-dor-no-peito, domingo, casa cheia, o casamento de amigo, as crianças pequenas, Ela beijando devagarinho, o batizado, o ciúme, a mais velha, a recém nascida todinha de rosa, Ela, grávida, que mais parecia com uma epifania e filho dentro dela, Ela de véu e grinalda naquela foto de revista, Ela chegando pro primeiro encontro, Ela na praia, o cheiro antigo no hall do prédio, o dia que ele chegou no Rio de Janeiro, a última noite em São Paulo.
E quando a lembrança chegou lá, a saudade resolveu dar um stop e deu mesmo.
Parou foi tudo.
O pensamento.
Ficou só Ela no meio de um branco sem nada por trás dela.
Ela de vestido.
Calada.
Sem jeito.
Vestido preto, nela, era feito roupa de artista, no cinema. Os olhos tão vivos olhavam a mão.
Tinha cara de memória, já naquele tempo.
Nunca mais ele tinha pensado nela.
Estaria viva?
Lembraria dele?
"Gostaria de dançar comigo?", foi a primeira frase que ele falou pra ela, antes das outras. Dali pra frente, palavras de namoradinhos, uma ou outra, coisa de gente moça. 
Mas era pra trás que o pensamento corria, rebocado pela saudade. 
Maluquice.
Balão, as mesas, e as suas toalhas, e Ela, os dois rodando no salão, gostaria de dançar comigo? Todos os olhares trocados, bilhetes engavetados, mais pra trás um pouco, o dia em que os dois foram apresentados, antes ainda, o pensamento voltando até chegar em um tempo tão remoto que ele nem sabia da existência dela, ou seja, pra ele, Ela não existia.
Nada na lembrança.
E agora ela ali com ele, quem diria?
Ele e Ela, em pleno calçadão até ouvindo a musica do menino-barbudo-do-Los Hermanos-o-Marcelo-Camelo- “Saudade”...
- Que tal uma água de coco?
Ela aceitou.
E haja recordação, declaração, lamento, esclarecimento, que pena, se eu soubesse, todas as palavras que nunca haviam sido ditas, muitos abraços, alguns mais desses de caber só você, tudo que não tinha acontecido acontecendo de repente.
Ele e Ela, emocionados, madrugada.

Saudade tem essa mania de enfeitar as coisas que aconteceram, ou não, do modo que lhe convém e da maneira que lhe pareça mais bonito.