29 de set de 2018

Alguém te perguntou como foi seu dia

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2 de set de 2018

Gosto de te ver Leaozinho

A maternidade mudou o filme da minha vida, me dando pequenas alegrias diárias. E, se o dia a dia com ele é uma doçura sem fim, agora que ele esta descobrindo o cotidiano com o pai, a festa ficou ainda mais bonita, ele chega com muitas novidades

Fiquei grávida pela primeira vez aos 21 anos de idade. Na época, já intuía que ser mãe deveria ser um dos grandes prazeres dessa existência louca e sem garantia que a gente entra sem ter ensaiado. Eu não sabia como seria minha vida profissional depois, nem se seria feliz no amor, nem se encontraria de verdade uma fé qualquer na qual me apoiar, mas tinha uma desconfiança boa e reconfortante de que procriar me ajudaria a descobrir algum sentido para Deus ter enviado o filho dele pra essa bola azul.
E eu não tava enganada. Tirando o fato de que tive leite suficiente pra alimentar meu Lucas com meu próprio corpo até quando ele completou quatro anos o que me deixou culpadíssima, por não ter conseguido organizar melhor a fase da amamentação, a maternidade de fato mudou completamente o filme da minha vida, me dando pequenas alegrias diárias, como ver o aprendendo a ler ou presenciar uma criança sensível virar um cara legal.
Meu menino é um garoto legal. Tem luz nos olhos e como significado do nome. Dez anos depois dele ter nascido eu ainda não acredito. Os álbuns da Copa, o Brasil no Maracanã, os primeiros dias de aula, as idas ao cinema, ele recitando poesia na escola, os desenhos e cartas de amor– quando ele olha pra tela do celular num jogo qualquer eu, olho pra ele – tudo ganhou aquele filtro do Instagram em que a vida fica linda e mágica, e até hoje volto pra casa excitada por pensar naquele par de olhos castanhos descobrindo o mundo com tamanha pureza e entrega diante de mim.
Ser mãe, nesse planeta virado do avesso, é uma atitude de guerrilha, e a minha trincheira é a da delicadeza, custe o que custar. Dói aqui, dói nele, e às vezes penso que educar meu filho pra acreditar no outro é sofrimento garantido ou seu dinheiro de volta, mas, mesmo assim, vou em frente sem olhar pra trás. Ser a prova do bom, do belo e do justo é o norte, e isso importa mais do que aprender inglês, ganhar dinheiro ou ter reconhecimento profissional. Minha vaidade é essa, e o discurso pra ele no fundo é também pra mim. Evoluir por amor, Viver a Carta de Tiago e o bloco de livros da Missão Paulina no mundo ( Evangelho de Lucas, Cartas Paulinas, Hebreus, Atos dos Apóstolos).
 É SAGRADO,  É LINDO, É TAREFA E DÁDIVA.
Não sei se um dia vou estar pronta pra ser deixada de lado, que é exatamente o que deve acontecer – se tudo der certo. Ser a pessoa mais especial da vida de uma outra pessoa, no meu caso, e ainda mais do cromossomo y, dá um prazer imenso, e não tenho medo de admitir que há inclusive certo egoísmo nessa tal maternidade. Infelizmente.Não é pra todo mundo, não tem Procon, mas é muito provavelmente a coisa mais bonita que já me aconteceu.
Recentemente, comecei a ter aula de violão só pra estimular meu par de olhos castanhos a querer aprender, e, não sem estratégia, fiz um roteiro de livros, para serem lidos com músicas que ele gosta, mesmo tocando mal que só. Não sigo nenhuma cartilha de educação – só os livros da Rosely Sayão, junto com algumas coisas de mães calvinistas–, mas tocar um instrumento era uma coisa que eu sempre quis que ele fizesse. Pois bem. Lucas tá cantando clube da esquina sem entender o que é os dedilhados e arranjos das cucas maravilhosas da nossa terra mineira Santa. Canta, também comovido, aquela música que diz que “não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si”. 
Eu olho pra ele cantando e fazendo as voltas da voz do Milton e tento agir naturalmente, mas a verdade é que tô sentada no ingresso mais caro do melhor show da história.

Esse mundo onde a conta bancária não é soberana e onde ninguém descarta ninguém é o mundo que quero e acredito, e como a vontade é a força mais poderosa que existe, ele passa a existir agora. Agora, com você lendo isso, agora, com você ligando pra um amigo pra desfazer um mal-entendido, agora, com você mandando uma mensagem de amor, agora, com você estendendo a mão pro seu filho.