22 de mar de 2014

Para você que me deu olhos


Antes é preciso lembrar que a mãe que Ele me deu é como a mãe adotiva, como uma tempestade; sempre trovejando. Mas ela não é tão forte quanto parece. 
Eu também não sabia cantar o hino à opressão que todos cantavam, não entendia porque as chamas lambiam o meu objeto favorito no mundo. O fogo queimava livros enquanto queria encher as paredes com o poder das palavras novas. E todas palavras que minhas são, são feitas de você, pra traduzir-te como o dia é Graça e mil cores, porque sei que d’algum modo você vive no porão gelado mesmo sabendo que “a memória é o escriba da alma. (Aristóteles) ”;  e que também não quer ver a morte lendo seus pensamentos, roubando as durezas do coração ou descobrindo sonhos, ou sentindo o que você sentiu durante tanto tempo tão de perto. Todo dia. 
  Leio. Leio pra você (e por você). A esperança soprou-me essa idéia. Penso poder um dia traduzir tantos dias coloridos, ou mesmo os cinzinas, e que essas traduções possam virar livros pra servir de remédio como sopa, calor, amizade, amor e palavras a fim de curar um pouco o horror que você vê e sente.
A morte nos contou que ao longo dos anos conheceu muitos jovens que pensavam combater o inimigo, e que elas acham que os homens eram o inimigo, mas que na realidade estavam correndo ao seu encontro. 
 E foram dias de muito aprendizado, silencio, cata ventos e palavras...
Escrevo. Escrevo, porque todo humano só estará vivo se viver dentro dele, a palavra secreta da vida.
Sempre perguntei ao papai; porque ser humano?  E ele respondia com uma cara de quem sabe a coisa mais sublime e doce; ora... Porque é preciso. Ele me lembra que as pessoas precisam de suas humanidades para saber da Cruz e nunca parar de ouvir o som do céu.
Desvencilhei-me dos braços da morte pelo Verbo que vivo faz vida onde puder achar fé.
Termino o escrevinho com os dizeres do Victor Hugo;
“É uma engrenagem.
Tome cuidado com essas linhas negras sobre o papel branco, pois elas são forças, combinam-se, compõem-se, decompõem-se, acasalam-se, trabalham. Uma linha morde, a outra aperta e esmaga, a outra subjuga. As idéias são as rodas da engrenagem. Vós vos sentis atraídos pelo livro. Ele vos soltará depois de ter dado forma ao vosso espírito.”

Aqui não é a rua paraíso. É só um lugar aonde o espirito da morte ainda passeia sendo assombrada somente onde encontra verdadeiros humanos. 

Obrigada, por ter me dado olhos.  
                        

Carinho meu pra você;  da porquinha. 

Paz. 



ps: Com a inspiração do livro e filme homônimos; “The Book Thief”. 
Te dou mais estas palavras. 

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