29 de set de 2018

Alguém te perguntou como foi seu dia

💙©️
http://www.deezer.com/track/3412499

2 de set de 2018

Gosto de te ver Leaozinho

A maternidade mudou o filme da minha vida, me dando pequenas alegrias diárias. E, se o dia a dia com ele é uma doçura sem fim, agora que ele esta descobrindo o cotidiano com o pai, a festa ficou ainda mais bonita, ele chega com muitas novidades

Fiquei grávida pela primeira vez aos 21 anos de idade. Na época, já intuía que ser mãe deveria ser um dos grandes prazeres dessa existência louca e sem garantia que a gente entra sem ter ensaiado. Eu não sabia como seria minha vida profissional depois, nem se seria feliz no amor, nem se encontraria de verdade uma fé qualquer na qual me apoiar, mas tinha uma desconfiança boa e reconfortante de que procriar me ajudaria a descobrir algum sentido para Deus ter enviado o filho dele pra essa bola azul.
E eu não tava enganada. Tirando o fato de que tive leite suficiente pra alimentar meu Lucas com meu próprio corpo até quando ele completou quatro anos o que me deixou culpadíssima, por não ter conseguido organizar melhor a fase da amamentação, a maternidade de fato mudou completamente o filme da minha vida, me dando pequenas alegrias diárias, como ver o aprendendo a ler ou presenciar uma criança sensível virar um cara legal.
Meu menino é um garoto legal. Tem luz nos olhos e como significado do nome. Dez anos depois dele ter nascido eu ainda não acredito. Os álbuns da Copa, o Brasil no Maracanã, os primeiros dias de aula, as idas ao cinema, ele recitando poesia na escola, os desenhos e cartas de amor– quando ele olha pra tela do celular num jogo qualquer eu, olho pra ele – tudo ganhou aquele filtro do Instagram em que a vida fica linda e mágica, e até hoje volto pra casa excitada por pensar naquele par de olhos castanhos descobrindo o mundo com tamanha pureza e entrega diante de mim.
Ser mãe, nesse planeta virado do avesso, é uma atitude de guerrilha, e a minha trincheira é a da delicadeza, custe o que custar. Dói aqui, dói nele, e às vezes penso que educar meu filho pra acreditar no outro é sofrimento garantido ou seu dinheiro de volta, mas, mesmo assim, vou em frente sem olhar pra trás. Ser a prova do bom, do belo e do justo é o norte, e isso importa mais do que aprender inglês, ganhar dinheiro ou ter reconhecimento profissional. Minha vaidade é essa, e o discurso pra ele no fundo é também pra mim. Evoluir por amor, Viver a Carta de Tiago e o bloco de livros da Missão Paulina no mundo ( Evangelho de Lucas, Cartas Paulinas, Hebreus, Atos dos Apóstolos).
 É SAGRADO,  É LINDO, É TAREFA E DÁDIVA.
Não sei se um dia vou estar pronta pra ser deixada de lado, que é exatamente o que deve acontecer – se tudo der certo. Ser a pessoa mais especial da vida de uma outra pessoa, no meu caso, e ainda mais do cromossomo y, dá um prazer imenso, e não tenho medo de admitir que há inclusive certo egoísmo nessa tal maternidade. Infelizmente.Não é pra todo mundo, não tem Procon, mas é muito provavelmente a coisa mais bonita que já me aconteceu.
Recentemente, comecei a ter aula de violão só pra estimular meu par de olhos castanhos a querer aprender, e, não sem estratégia, fiz um roteiro de livros, para serem lidos com músicas que ele gosta, mesmo tocando mal que só. Não sigo nenhuma cartilha de educação – só os livros da Rosely Sayão, junto com algumas coisas de mães calvinistas–, mas tocar um instrumento era uma coisa que eu sempre quis que ele fizesse. Pois bem. Lucas tá cantando clube da esquina sem entender o que é os dedilhados e arranjos das cucas maravilhosas da nossa terra mineira Santa. Canta, também comovido, aquela música que diz que “não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si”. 
Eu olho pra ele cantando e fazendo as voltas da voz do Milton e tento agir naturalmente, mas a verdade é que tô sentada no ingresso mais caro do melhor show da história.

Esse mundo onde a conta bancária não é soberana e onde ninguém descarta ninguém é o mundo que quero e acredito, e como a vontade é a força mais poderosa que existe, ele passa a existir agora. Agora, com você lendo isso, agora, com você ligando pra um amigo pra desfazer um mal-entendido, agora, com você mandando uma mensagem de amor, agora, com você estendendo a mão pro seu filho.

5 de ago de 2018

70 coisas que aprendi

Chanel❤️


A Lilian Pacce tem site de moda com vídeos e matérias a mais de 10 anos com conteúdo de moda e comportamento. Uma das jornalistas mais respeitadas da indústria.
Seu canal é um bom lugar pra começar a aprender coisas,pra não sair falando e fazendo atrocidades.
Fui  estudar o perfil da marca em questão pq conheci a perfumaria primeiro e queria saber pq motivo eu tinha gostado tanto, sendo que antes minha preferência de perfumes eram  pelos  de notas com baunilha mais presente.
Todo mundo gosta de Chanel e sabe que essa
Marca trouxe muitas coisas legais pro guarda roupa feminino.
Então...
.
Assisti alguns filmes, li duas biografias dela, bem depois vi no canal esses fatos. Acho que na descrição tem algumas indicações.

Pra começar tá lindo né?
E há no canal tem vídeos desse tipo de vários artistas.
Talvez sirva pra parar com essa cafonagem elitista ou a cafonagem que exclui a moda do cotidiano.

Xô cafonagem!


Parte 1
https://youtu.be/ux9ys_tppPs

Parte 2
https://youtu.be/Jzbe22N_tIE


Ps: tem esse tipo de vídeo sobre um tanto de marca.

Bisou.
Ah e a música do vídeo tem lá no meu perfil no Deezer.

2 de ago de 2018

E hoje em dia como é que se diz eu te amo 🎵

Cometo atrocidades. Pensando que já estava tudo bem    Li coisas truncadas na internet.
E daí?
A definição do estômago embrulhado. É muita raiva. 
Exposição grátis para qual motivo? 
🙄
Tudo contra mim, nada a meu favor. 
Eu fico só calada pq colocar a cabeça no travesseiro e dormir é difícil.
Colocar eternamente a culpa da sua dor no pecado do outro ou a responsabilidade não vai te fazer melhor. Não vai! 
Sendo tão melhor que a maioria da população,cadê o carro de fogo no estilo vou de táxi? 

Recupere-se. Superação implica obrigatóriamente deixar.
E o silêncio gente?
E liga aquele botão do (f***) 
Reinicia e vai viver SEM falar do outro. 
Se não for pra falar algo bom, cala essa boca!

Eu amo mais do c* hein. 

Fala de vc! Olha pra vc! 
Fala do seu caráter! Da sua capacidade de companheirismo de ser maravilhoso.. 
Vive a SUA vida
Quem perdoa não fala mais.
Aprendi; 
“Quem tá feliz não enche o saco?”

Então?
Como aqui posso falar o que eu quiser;

Não entendo essa nescidade de provar que ganhou, que tem mais razão, que seu sofrer é maior, que foi muito grande, ilusão e o c* a 4. 

Essa loucura de não ver a miséria alheia vai te levar cada dia mais pra esse lugar em que só vc se acha bom o bastante.

Pare pelo amor de Deus.
Que ressentido do c*!
Chatoooooooo. Melhore!
Cadê seu humor?
Fazer piada com o erro, falta, miséria do outro só te faz mais miserável. 
Aceita o sofrimento calado. 
Que dói menos.
Veja que a mesma Cruz que pagou pela sua vida pagou pela vida do outro. A justiça não pertence a você.



Uma musica mil vezes 
“Vamos fazer um filme” 

Um bom exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim-do-mundo
O fim-do-mundo já passou
Vamos começar de novo
Um por todos, todos por um
O sistema é mau, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
O sistema é mau, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
———

Seus shade, não interessam a ninguém e só te faz parecer mais cinico. 

Vai orar. 
Vai viver o que louva. Viver o que canta....



Deixa que o outro aprende sozinho com suas próprias pernas e cagadas da vida! 
Que saco 
Vc é quem pra se julgar melhor do que alguém? 
Tira essa mira da cara alheia 
Tira a trave do seu olho. 
Deixa na mão de Deus. 
Vc ganhou! 
Olha que exemplo de sucesso? 
A falência da família é o ponto alto do pos moderno. 

Vai aí 

27 de jun de 2018

Poema em Linha Reta


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.
E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. 
Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida... 
Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos, 
Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo? 
Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? 
Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza. 

Fernando Pessoa (Alvaro de Campos)
Mas poderia ter sido eu.

12 de jun de 2018

Resposta


Mister Big:Tudo bem?, Tudo indo da melhor forma.
Tem gente que esquece que não é o “que ela passa ou passou” que define sua identidade. Não é uma questão central os eventos, mas periférica. (aprendi) 
Ta tudo sempre acontecendo. Mas há que se olhar a repetição.
E se  formos coerentes coisas boas e coisas ruins acontecem e ninguém tem explicação pra isso, a não ser ancorar a alma na Soberania e fim. Não há como escapar.
Vamos abracar o paradoxo da vida; que não vai mudar mesmo que você lute para desistir.
Essa semana que passou o aplicativo de musica colocou no meu Flow umas coisas que eu amo baseado  nas coisas que estava ouvindo, saiu o Skank e eu tipo gosto muito deles!
gosto com mais mel do Jota, mas Jota é a vida colada em outra vida que nem ta mais por aqui. Deixa na gaveta.

Resposta. Ouça depois. 
Eros e Vênus numa disputa acirrada (um com pretencoes cristas, outro com manchas seculares, uso, doação, fuga, entrega... esse cd ta bem cheio de insight 

Como tenho que assumir que nada depende do outro na minha direção (que alivio afinal) mas de mim. RM12:9-21 como ilustração, prova e contra prova.
“Resposta” é um recorte paradoxal tipo a “Mandrágora” (sorrisos em um momento triste)
Também nesses tempos em que eu penso que minha vida não ta valendo muito a pena leio biografias; Confissoes, Dior, Chanel e do YSL.
Livros, filmes e documentários. Desses e nada mais. To sem saco nenhum pra ler.
Chorei e por algum tempo esqueci da minha própria dor.
vida comum.
estudar.tomar banho. Reabrir pauta no detran, pagar exame medico,filas, pessoas, o trabalho que houver, vender esqueletos. dobrar roupas que não cabem na minha vida mais. sentir frio. acordar e desejar não ter acordado, fazer o que deve ser feito. Avante. Fazer amizades. Não ser só. Intencionalmente.
Contar a verdade, ninguém acreditar, chamar a Gabrielle e ocus pocus... todo mundo acreditar. Baixar o cd do "Strokes" cantar sempre alto. Sempre. Assumir o pretinho básico da Chanel.
Falar pouco, pedir perdão.
Deus sabe, Deus vê, Deus dá, Deus tira e a Gloria continua dele. Tipo Jó. sera que eu nunca vou ver a razão disso? Gostaria.
Meu coração, mesmo tolo é dEle. Não consigo fugir. Coração duro.


ontem ouvi do sétimo andar. Chorei um pouco menos. INCRÍVEL!


Engraçado ter que verdadeiramente resolver coisas, falei com um amigo (que se dizia superprotetor, que se dizia amigo..pra não ser rude,uso a palavra "amigo"ok) que ele jamais terá de mim o que maquina, e manipula pra obter vantagem... eu vejo. Mas além da empatia por ele ter sido abandonado pela família, eu tenho compaixão, que é moral e não abandona o outro. As vezes não ´´e possível a tal paz com todos, mas no que depender de mim???
como fazer pra ser boa?
pra ser na treva um feixe de luz?
pra ser fraterna e efetiva?
Depois de Paulo e Santo Agostinho as coisas complicaram ´pra mim.
Ainda por cima as duas ultimas exposições do Gui la na Igreja expondo meus pecados mais absurdos. Eu não quero brincar com isso gente. Deus te ve! E uma hora vem a pergunta: "onde estás"?

Evidente que começar trocando o que se consome... Entender e resignificar o consumo de tudo. TUDO!TUDO!
deixa lulu santos e liga Paralamas... AndaR a pé, guarda o $ do ônibus.
Não é um bicho de sete cabeças, o fundo do poço tem mola!
Ter a reputação enxovalhada, testada.
Ser considerada ( um monte de coisas estranhas ) sabendo que vc:
“could distinguish Miles from Coltrain”

Assumir a liderança complementarista que disciplina com amor e justiça.Pedir e receber perdão. Ter o pé atrás retirado das suas posturas da vida. (rm12:9-21).
Pecados públicos em pauta e o fracasso não ser só dor, estão rolando os dados para a libertação.
As suas ideias correspondem os fatos?


Acordar sem medo, é igual mergulho com snorkell. Parece outro mundo, nesse mundo.

Baila comigo? Eu gostei! Suquin de maçã eu aceitei. Fiz Playlist mencionando os dois livros. ou a civitas dei, civitas mundi

Maria Maria saiu de dentro de mim protegendo alguém que “ela” achava dever existir. Coitada; morreu à mingua. Mas deu lugar a uma com menos mascaras. 
Sabe que ela parece comigo quando eu ria solto, inocente. Era bom. Mas agora vai ser melhor.
Domingo eu vou fazer agenda nova, pq meu vizinho ouve Periclis, pedi a ele o favor de ouvir baixo pq é um sacooooooo ter que lidar com esse sentimentalismo, cansa.
Aí a gt abandona.

Abraço.

Mi.

4 de jun de 2018

Pródigo

Muito lúcida,assertiva e realista a apresentação da Cia Ide. Ficou tão nítida a atmosfera de trabalho, construção, dedicação de todos. 
Um momento sublime, onde todos fomos suspensos. Ficou imprevisível ato após ato como a história ia terminar. 
Tudo bem, conheço a parábola. Já li um bocado de livro a respeito.
Fiquei a lamentar o fato de tão precisa análise que consegui fazer, sem fala, só observando. Deu pra sentir na carne as consequências resultantes de tão pessimista perspectiva da realidade que estou passando, de como ecoa pra eternidade o que faço agora. Deu uma vergonha. 
Infelizmente, reunir as características necessárias elencadas no espetáculo para por minha vida nos trilhos, ainda é uma nebulosa, não consigo pensar tão nitidamente. 
Enquanto isso sigo, orando para que o Real chegue.
Esperar é caminhar! 
Estava perdida e fui achada, estava morta e agora vivo. 


3 de jun de 2018

Nunca tive All Star de cano alto



Bom, voltando: a pessoa se sentir forte, com um pisante rasteiro, rasteiro no sentido de rente ao chão, de raiz, de perto da rua, de perto da vida, isso pra mim sempre foi o túmulo da psicanálise freudiana. Um ser humano de tênis é um ser humano sem problemas ou traumas de Sófocles. Alguém que certamente nunca comeu um Toblerone inteiro assistindo a “O solista” sem dormir ou teve uma raiva assassina do amiguinho do seu filho de dez anos que não convidou ele pra festa. Não tem aquela música dos Smiths? “Some girls are bigger than others”? Então. Pra mim é: quem tem tênis all star de cano alto é bigger than others. O tênis é a escrita simples, é o Manoel de Barros, o Rubem Braga, é a democracia, o amor correspondido, é o cabelo repartido e humilde no domingo de culto. 
alto. Não que eu não tenha tentado. Tentei muito. Usar tênis sempre me pareceu o nirvana da autoestima no departamento “look do dia” pra desafiar um pouco YSL.Falando nele estou completamente apaixonada, genio, precoce, carente, lucido, plexo solar aberto, sofreu tudo, e mudou muita coisa que usamos como moda, inclusive esse termo "look do dia foi cunhado por ele". A pessoa se sentir forte, e grande, grande no sentido inverso, grande pra dentro, grande querendo dizer nobre, nobre querendo dizer bondoso, transcendente — melhor parar porque quando eu começo a expandir o pensamento assim nessas tentativas de ser compreendida vou mais longe do que os stalks que faço no Instagram: às vezes termino em Descartes, às vezes tô debruçada sobre a vida da irmã do meu marido, ativista feminina, uma coisa linda. 
Na infância, não passei pelo Conga e pelo Bamba, e já adolescente fui devota primeiro do Reebok e depois do New Balance e em seguida do Nike Shocks (é assim?) na mesma proporção em que amava Djavan revezava o projeto de pedir meu pai pra ir na matinê da Club E entre Feriados em sítios. A vida no século XX, parceiro, era tão doce e profissional quanto o mar do Caymmi.
Até que eu cresci, ou melhor, não cresci, porque o metro e setenta — E SEIS!!— já me acompanha desde a milhões de idade, e a vida passou a girar em torno de conseguir dois ou quatro centímetros angariados da forma mais discreta possível. Nunca consegui usar scarpin, nem sou boa de andar elegantemente com salto agulha ou plataforma, mas fui me virando com aqueles mocassins e mules covardes e sobrevivendo com as alpargatas possíveis, porque, ao contrário daquele povo superior e evoluído da comunidade Tênis Futebol Clube, eu precisava de um saltinho tipo o sertanejo pra turbinar a confiança nos meus próprios toques, assistências e chutes a gol. Tem também o sapato bicolor da Chanel, que era bicolor,ou a ponta mais escura, pq ela tinha pé grande, e, o bicolor ajuda na diminuição do pé em imagens tipo “tela maior”. 
Mas por que tudo isso? Qual a relevância de questão tão frívola quanto uma categoria de sapato diante do Moro comendo pipoca numa pré-estreia de um filme em que ele faz o Batman e também diante das tragédias brasileiras, como os naufrágios e as recorrentes violências sofridas pelas mulheres nos transportes? Por causa da Rosa. Por causa da Laís. Por causa do cinema. Porque às vezes o trabalho e a vida se encontram num lugar mágico e misterioso que não há razão científica ou método de preparação russa que dê conta de tamanha comunhão entre a vida de todo mundo. Porque eu vi um filme chamado “Como nossos pais”, em que, aos trinta e poucos no CPF e no intervalo entre o primeiro e o segundo tempo do jogo, fui obrigada a ver as agruras das mulheres do nosso tempo. Durante o filme em cima de um par de tênis lona branco e surrado de nome All Star, e sobre ele construí uma visão que iluminou minha vida inteira pra trás e pra frente e me deu a chance de fazer tudo diferente.
Eu sei, tá abstrato. Tô ficando com esse problema. Um pouco de elemento terra, então: A Beatriz bailarina and missionária “gênia”, realizadora de feitos incríveis tipo trabalhar no terremoto do Nepal. Me falou do sertão.Me apaixono. Pela história e pela Valentia de ir receber amor. Passo no teste. Fico feliz. Fico feliz. Fico feliz. Vou deixar a repetição três vezes mas poderiam ser dez. Enfim. Ensaio. Conheço os outros atores. Organizo minha vida pra ficar 15 dias meses em São José do Belmonte e faço combinados firmes e amorosos com meu filho e marido. Eles são absurdamente lindos. Tudo caminha relativamente bem até que na primeira coisa que minha irmã manda por na mala, foram eles...Ali estavam,à espera da pessoa que eu me tornaria quando os incorporasse, à espera de uma retidão de caráter que só a proximidade com a terra é capaz de oferecer. Do chão, ninguém passa.
De posse dos pisantes da missionária Mi, de alguma forma da Bia, e de alguma forma também meus — Carina e Nice no subtexto —, encarei uma jornada vertical que me fez voltar do Sertão com um prêmio de mãe de outros- que meu filho me deu- e, mais importante, que me fez voltar pra Belo Horizonte com um prêmio de pessoa. Tenho recebido um amor por parte das mulheres que viram aquela Camila que até hoje só havia recebido do meu filho e marido: um amor de cumplicidade absoluta e fechamento incondicional, como quem diz “eu sei o que você tá sentindo, eu sei como é, que bom que eu não estou sozinha, vem cá, vamos nos abraçar”.
No finalzinho da viagem, o tênis ficou digno de lixo, mas meu marido disse que era bom eu ficar porque eles estavam lindos, como um ato simbólico de quem agora vai pra fase 2, verdade no comando e prazer profundo nesse novo jeito de viver, mesmo que doa um pouco no começo. Imitona que sou, fiz igualzinho aqui em casa, só que, ao contrário da missionária, o que mandei embora foram os sapatos da Dorothy, aqueles brilhantes, mágicos e reluzentes que a levam pro Mundo de Oz. Aos 32 eu quero a vida do All Star: pé no chão, problemas de frente, e amores imperfeitos.Prova do Titulo!
Eu estou numa vida cheia, com tênis rasgado e coração costurado e você me dá isso.


ps:esse foi escrito quando cheguei do Sertão. algumas pessoas morreram no caminho ate aqui. 

O reino de Deus é um reino de amigos. Hans Burky


Hans Burky  é dele, minha abertura do blog. tenho escrito pouco aqui pq 
"eles me disseram só besteira, disseram só bobeira feito todo mundo diz, eles me disseram que a ratoeira e o prato de ração era tudo o que o cão sempre quis.. me deram uma gaiola como casa amarram minhas asas e disseram pra eu ser feliz"... Djavan.
to sem referencia mental que seja somente minha.
 Mas a gt é esse tanto de assuntos, esse emaranhado de coisas e ok. 

leio tts. 

Fico um pouco triste.
Penso de verdade q Umberto Eco estava bem lúcido ao dizer q a internet popularizou a idiotice, me incluo. Quero amadurecer e custa. é preciso dizer q a universalização do ensino trouxe muitos problemas. E a capilarização da informação sem a base da formação parece estar a serviço da manutenção da popularidade da idiotice. Gente idiota faz tantos absurdos. 
Umberto, amigo tá feia a coisa!
Parecer que saber é diferente de saber. 
Um haicai é poema, mas menor. A beleza tem um núcleo cheio. Há que se ter coragem de dizer isso. 
Inteligência é diferente de informação.
A capacidade de usar nexo, léxico, semântica para fazer o novo, o pensamento q tem raiz, tem que ser estimulado, tem que parar de replicar essa estupidez de que se achar é ser. 
Tá chato.
Olha o Venturini, uma vida -vida pra produzir aquelas coisas.
Falando nisso ontem, vi o filme da Elis e chorei copiosamente. o final parecem meus dias. mas ao inves de fitas eu tenho os livros. 
 1
Tá todo mundo maluco? Não. Isso é coisa seria!
Cadê a reflexão? 
e nego filha da Puta debochando. 
Não fiquei burra de três meses pra cá. Uma dor do mundo passando pelo meu plexo solar. 
Cadê Platão? Não to dizendo que ele é unico. 
Bíblia?
Não tenho lido bíblia o máximo o Lecionário. 
é só