12 de jun de 2018

Resposta


Mister Big:Tudo bem?, Tudo indo da melhor forma.
Tem gente que esquece que não é o “que ela passa ou passou” que define sua identidade. Não é uma questão central os eventos, mas periférica. (aprendi) 
Ta tudo sempre acontecendo. Mas há que se olhar a repetição.
E se  formos coerentes coisas boas e coisas ruins acontecem e ninguém tem explicação pra isso, a não ser ancorar a alma na Soberania e fim. Não há como escapar.
Vamos abracar o paradoxo da vida; que não vai mudar mesmo que você lute para desistir.
Essa semana que passou o aplicativo de musica colocou no meu Flow umas coisas que eu amo baseado  nas coisas que estava ouvindo, saiu o Skank e eu tipo gosto muito deles!
gosto com mais mel do Jota, mas Jota é a vida colada em outra vida que nem ta mais por aqui. Deixa na gaveta.

Resposta. Ouça depois. 
Eros e Vênus numa disputa acirrada (um com pretencoes cristas, outro com manchas seculares, uso, doação, fuga, entrega... esse cd ta bem cheio de insight 

Como tenho que assumir que nada depende do outro na minha direção (que alivio afinal) mas de mim. RM12:9-21 como ilustração, prova e contra prova.
“Resposta” é um recorte paradoxal tipo a “Mandrágora” (sorrisos em um momento triste)
Também nesses tempos em que eu penso que minha vida não ta valendo muito a pena leio biografias; Confissoes, Dior, Chanel e do YSL.
Livros, filmes e documentários. Desses e nada mais. To sem saco nenhum pra ler.
Chorei e por algum tempo esqueci da minha própria dor.
vida comum.
estudar.tomar banho. Reabrir pauta no detran, pagar exame medico,filas, pessoas, o trabalho que houver, vender esqueletos. dobrar roupas que não cabem na minha vida mais. sentir frio. acordar e desejar não ter acordado, fazer o que deve ser feito. Avante. Fazer amizades. Não ser só. Intencionalmente.
Contar a verdade, ninguém acreditar, chamar a Gabrielle e ocus pocus... todo mundo acreditar. Baixar o cd do "Strokes" cantar sempre alto. Sempre. Assumir o pretinho básico da Chanel.
Falar pouco, pedir perdão.
Deus sabe, Deus vê, Deus dá, Deus tira e a Gloria continua dele. Tipo Jó. sera que eu nunca vou ver a razão disso? Gostaria.
Meu coração, mesmo tolo é dEle. Não consigo fugir. Coração duro.


ontem ouvi do sétimo andar. Chorei um pouco menos. INCRÍVEL!


Engraçado ter que verdadeiramente resolver coisas, falei com um amigo (que se dizia superprotetor, que se dizia amigo..pra não ser rude,uso a palavra "amigo"ok) que ele jamais terá de mim o que maquina, e manipula pra obter vantagem... eu vejo. Mas além da empatia por ele ter sido abandonado pela família, eu tenho compaixão, que é moral e não abandona o outro. As vezes não ´´e possível a tal paz com todos, mas no que depender de mim???
como fazer pra ser boa?
pra ser na treva um feixe de luz?
pra ser fraterna e efetiva?
Depois de Paulo e Santo Agostinho as coisas complicaram ´pra mim.
Ainda por cima as duas ultimas exposições do Gui la na Igreja expondo meus pecados mais absurdos. Eu não quero brincar com isso gente. Deus te ve! E uma hora vem a pergunta: "onde estás"?

Evidente que começar trocando o que se consome... Entender e resignificar o consumo de tudo. TUDO!TUDO!
deixa lulu santos e liga Paralamas... AndaR a pé, guarda o $ do ônibus.
Não é um bicho de sete cabeças, o fundo do poço tem mola!
Ter a reputação enxovalhada, testada.
Ser considerada ( um monte de coisas estranhas ) sabendo que vc:
“could distinguish Miles from Coltrain”

Assumir a liderança complementarista que disciplina com amor e justiça.Pedir e receber perdão. Ter o pé atrás retirado das suas posturas da vida. (rm12:9-21).
Pecados públicos em pauta e o fracasso não ser só dor, estão rolando os dados para a libertação.
As suas ideias correspondem os fatos?


Acordar sem medo, é igual mergulho com snorkell. Parece outro mundo, nesse mundo.

Baila comigo? Eu gostei! Suquin de maçã eu aceitei. Fiz Playlist mencionando os dois livros. ou a civitas dei, civitas mundi

Maria Maria saiu de dentro de mim protegendo alguém que “ela” achava dever existir. Coitada; morreu à mingua. Mas deu lugar a uma com menos mascaras. 
Sabe que ela parece comigo quando eu ria solto, inocente. Era bom. Mas agora vai ser melhor.
Domingo eu vou fazer agenda nova, pq meu vizinho ouve Periclis, pedi a ele o favor de ouvir baixo pq é um sacooooooo ter que lidar com esse sentimentalismo, cansa.
Aí a gt abandona.

Abraço.

Mi.

4 de jun de 2018

Pródigo

Muito lúcida,assertiva e realista a apresentação da Cia Ide. Ficou tão nítida a atmosfera de trabalho, construção, dedicação de todos. 
Um momento sublime, onde todos fomos suspensos. Ficou imprevisível ato após ato como a história ia terminar. 
Tudo bem, conheço a parábola. Já li um bocado de livro a respeito.
Fiquei a lamentar o fato de tão precisa análise que consegui fazer, sem fala, só observando. Deu pra sentir na carne as consequências resultantes de tão pessimista perspectiva da realidade que estou passando, de como ecoa pra eternidade o que faço agora. Deu uma vergonha. 
Infelizmente, reunir as características necessárias elencadas no espetáculo para por minha vida nos trilhos, ainda é uma nebulosa, não consigo pensar tão nitidamente. 
Enquanto isso sigo, orando para que o Real chegue.
Esperar é caminhar! 
Estava perdida e fui achada, estava morta e agora vivo. 


3 de jun de 2018

Nunca tive All Star de cano alto



Bom, voltando: a pessoa se sentir forte, com um pisante rasteiro, rasteiro no sentido de rente ao chão, de raiz, de perto da rua, de perto da vida, isso pra mim sempre foi o túmulo da psicanálise freudiana. Um ser humano de tênis é um ser humano sem problemas ou traumas de Sófocles. Alguém que certamente nunca comeu um Toblerone inteiro assistindo a “O solista” sem dormir ou teve uma raiva assassina do amiguinho do seu filho de dez anos que não convidou ele pra festa. Não tem aquela música dos Smiths? “Some girls are bigger than others”? Então. Pra mim é: quem tem tênis all star de cano alto é bigger than others. O tênis é a escrita simples, é o Manoel de Barros, o Rubem Braga, é a democracia, o amor correspondido, é o cabelo repartido e humilde no domingo de culto. 
alto. Não que eu não tenha tentado. Tentei muito. Usar tênis sempre me pareceu o nirvana da autoestima no departamento “look do dia” pra desafiar um pouco YSL.Falando nele estou completamente apaixonada, genio, precoce, carente, lucido, plexo solar aberto, sofreu tudo, e mudou muita coisa que usamos como moda, inclusive esse termo "look do dia foi cunhado por ele". A pessoa se sentir forte, e grande, grande no sentido inverso, grande pra dentro, grande querendo dizer nobre, nobre querendo dizer bondoso, transcendente — melhor parar porque quando eu começo a expandir o pensamento assim nessas tentativas de ser compreendida vou mais longe do que os stalks que faço no Instagram: às vezes termino em Descartes, às vezes tô debruçada sobre a vida da irmã do meu marido, ativista feminina, uma coisa linda. 
Na infância, não passei pelo Conga e pelo Bamba, e já adolescente fui devota primeiro do Reebok e depois do New Balance e em seguida do Nike Shocks (é assim?) na mesma proporção em que amava Djavan revezava o projeto de pedir meu pai pra ir na matinê da Club E entre Feriados em sítios. A vida no século XX, parceiro, era tão doce e profissional quanto o mar do Caymmi.
Até que eu cresci, ou melhor, não cresci, porque o metro e setenta — E SEIS!!— já me acompanha desde a milhões de idade, e a vida passou a girar em torno de conseguir dois ou quatro centímetros angariados da forma mais discreta possível. Nunca consegui usar scarpin, nem sou boa de andar elegantemente com salto agulha ou plataforma, mas fui me virando com aqueles mocassins e mules covardes e sobrevivendo com as alpargatas possíveis, porque, ao contrário daquele povo superior e evoluído da comunidade Tênis Futebol Clube, eu precisava de um saltinho tipo o sertanejo pra turbinar a confiança nos meus próprios toques, assistências e chutes a gol. Tem também o sapato bicolor da Chanel, que era bicolor,ou a ponta mais escura, pq ela tinha pé grande, e, o bicolor ajuda na diminuição do pé em imagens tipo “tela maior”. 
Mas por que tudo isso? Qual a relevância de questão tão frívola quanto uma categoria de sapato diante do Moro comendo pipoca numa pré-estreia de um filme em que ele faz o Batman e também diante das tragédias brasileiras, como os naufrágios e as recorrentes violências sofridas pelas mulheres nos transportes? Por causa da Rosa. Por causa da Laís. Por causa do cinema. Porque às vezes o trabalho e a vida se encontram num lugar mágico e misterioso que não há razão científica ou método de preparação russa que dê conta de tamanha comunhão entre a vida de todo mundo. Porque eu vi um filme chamado “Como nossos pais”, em que, aos trinta e poucos no CPF e no intervalo entre o primeiro e o segundo tempo do jogo, fui obrigada a ver as agruras das mulheres do nosso tempo. Durante o filme em cima de um par de tênis lona branco e surrado de nome All Star, e sobre ele construí uma visão que iluminou minha vida inteira pra trás e pra frente e me deu a chance de fazer tudo diferente.
Eu sei, tá abstrato. Tô ficando com esse problema. Um pouco de elemento terra, então: A Beatriz bailarina and missionária “gênia”, realizadora de feitos incríveis tipo trabalhar no terremoto do Nepal. Me falou do sertão.Me apaixono. Pela história e pela Valentia de ir receber amor. Passo no teste. Fico feliz. Fico feliz. Fico feliz. Vou deixar a repetição três vezes mas poderiam ser dez. Enfim. Ensaio. Conheço os outros atores. Organizo minha vida pra ficar 15 dias meses em São José do Belmonte e faço combinados firmes e amorosos com meu filho e marido. Eles são absurdamente lindos. Tudo caminha relativamente bem até que na primeira coisa que minha irmã manda por na mala, foram eles...Ali estavam,à espera da pessoa que eu me tornaria quando os incorporasse, à espera de uma retidão de caráter que só a proximidade com a terra é capaz de oferecer. Do chão, ninguém passa.
De posse dos pisantes da missionária Mi, de alguma forma da Bia, e de alguma forma também meus — Carina e Nice no subtexto —, encarei uma jornada vertical que me fez voltar do Sertão com um prêmio de mãe de outros- que meu filho me deu- e, mais importante, que me fez voltar pra Belo Horizonte com um prêmio de pessoa. Tenho recebido um amor por parte das mulheres que viram aquela Camila que até hoje só havia recebido do meu filho e marido: um amor de cumplicidade absoluta e fechamento incondicional, como quem diz “eu sei o que você tá sentindo, eu sei como é, que bom que eu não estou sozinha, vem cá, vamos nos abraçar”.
No finalzinho da viagem, o tênis ficou digno de lixo, mas meu marido disse que era bom eu ficar porque eles estavam lindos, como um ato simbólico de quem agora vai pra fase 2, verdade no comando e prazer profundo nesse novo jeito de viver, mesmo que doa um pouco no começo. Imitona que sou, fiz igualzinho aqui em casa, só que, ao contrário da missionária, o que mandei embora foram os sapatos da Dorothy, aqueles brilhantes, mágicos e reluzentes que a levam pro Mundo de Oz. Aos 32 eu quero a vida do All Star: pé no chão, problemas de frente, e amores imperfeitos.Prova do Titulo!
Eu estou numa vida cheia, com tênis rasgado e coração costurado e você me dá isso.


ps:esse foi escrito quando cheguei do Sertão. algumas pessoas morreram no caminho ate aqui. 

O reino de Deus é um reino de amigos. Hans Burky


Hans Burky  é dele, minha abertura do blog. tenho escrito pouco aqui pq 
"eles me disseram só besteira, disseram só bobeira feito todo mundo diz, eles me disseram que a ratoeira e o prato de ração era tudo o que o cão sempre quis.. me deram uma gaiola como casa amarram minhas asas e disseram pra eu ser feliz"... Djavan.
to sem referencia mental que seja somente minha.
 Mas a gt é esse tanto de assuntos, esse emaranhado de coisas e ok. 

leio tts. 

Fico um pouco triste.
Penso de verdade q Umberto Eco estava bem lúcido ao dizer q a internet popularizou a idiotice, me incluo. Quero amadurecer e custa. é preciso dizer q a universalização do ensino trouxe muitos problemas. E a capilarização da informação sem a base da formação parece estar a serviço da manutenção da popularidade da idiotice. Gente idiota faz tantos absurdos. 
Umberto, amigo tá feia a coisa!
Parecer que saber é diferente de saber. 
Um haicai é poema, mas menor. A beleza tem um núcleo cheio. Há que se ter coragem de dizer isso. 
Inteligência é diferente de informação.
A capacidade de usar nexo, léxico, semântica para fazer o novo, o pensamento q tem raiz, tem que ser estimulado, tem que parar de replicar essa estupidez de que se achar é ser. 
Tá chato.
Olha o Venturini, uma vida -vida pra produzir aquelas coisas.
Falando nisso ontem, vi o filme da Elis e chorei copiosamente. o final parecem meus dias. mas ao inves de fitas eu tenho os livros. 
 1
Tá todo mundo maluco? Não. Isso é coisa seria!
Cadê a reflexão? 
e nego filha da Puta debochando. 
Não fiquei burra de três meses pra cá. Uma dor do mundo passando pelo meu plexo solar. 
Cadê Platão? Não to dizendo que ele é unico. 
Bíblia?
Não tenho lido bíblia o máximo o Lecionário. 
é só 

16 de ago de 2017

16/08/2017 (22:29)

  E se não quisermos, não pudermos, não soubermos, com palavras, nos dizer um pouco um para o outro, senta ao meu lado assim mesmo. Deixa os nossos olhos se encontrarem de vez em quando até nascer aquele sorriso bom que acontece quando a vida da gente se sente olhada com amor. Senta apenas ao meu lado e deixa o meu silêncio conversar com o seu. Às vezes, a gente nem precisa mesmo de palavras. Às vezes precisamos nos lembrar em silêncio que aceitar Jesus significa que meu instinto de auto preservação é mentiroso. Que meus planos de Felicidade vão falhar. É aceitar um não infinito de Deus para dar sozinhos um jeito na nossa vida. 
Percebo em minha mente as perguntas do Pai:

Vcs tem pele pra aguentar o sol da justiça? 
Ou Vão ser queimados por Ele? 
Somos capazes de habitar nesse lugar?
Temos pernas pra cruzar essa grande distância? 
Temos olhos para enxergar a luz celestial?
Nossos ouvidos estarão confortáveis para ouvir o canto dos anjos? Dos seres viventes dizendo; " santo, santo " ? Por toda a Eternidade?
Ou estão saturados por ouvir outras vozes? Outros comandos? Ou pior ainda, a nossa própria voz?

Quanta imortalidade existe em nós que por causa da morte de Jesus (e nossa união com Ele) está esperando ressureição?

 Todo 1º dia da semana (domingo) Jesus nos pergunta; vc entendeu o que Eu fiz por vc? Por vcs? 
E no 2º dia (segunda) somos testados. Somos terrivelmente testados!
Se fomos unidos a Ele pelo sacrifício substitutivo, estamos unidos a Ele para seguirmos nossa vida para crucificar tudo que em nós é mortal!  
Jesus se tornou o que nós somos pra nós nos tornamos o que Ele é! 
O nosso fim é glorioso. Mas o caminho até lá é de sofrimento e auto negação. Não dá pra viver de qualquer jeito. 
Nós jamais daremos conta da nossa vida..
A cruz é o nosso destino! E não um amuleto para afastar os males deste mundo.
A cruz é um instrumento para acabar com o mal que nós nos tornamos depois da queda! Para desfazer nosso cinismo, nosso desejo de ter prazer sem ter trabalho, nossa desconfiança e preguiça diante da vida.
Vamos mostrar ao mundo o mesmo caráter de Cristo? Ou o nosso caráter corrompido!?
Jesus está unido a você a ponto de chegar antes de você? Ou nós temos imposto o •eu• em primeiro lugar, vestidos com as folhas, tentando dar solução pra nossa miséria? 

Receba coragem do Pai para dizer a Ele; Senhor meu, Deus meu faça em mim esse milagre. Faça em nós.

Um beijo de alguém que crê com todos as forças que Ele é, e fará isso em nós. 

Amo sua vida. E mesmo quando não existe sentimento quero que resista O verbo que é ação. 
O amor não tem sossego, ele sabe que deve amar até a obra estar completa. Ele tem que aceitar a tolice do outro, a maldade do outro, a rachadura no caráter do outro, ele tem que beber o cálice até o final. 
O Amor é vitorioso. E abraçar o bem implica em tomar essas verdades como A MAIOR REALIDADE. Maior que as lutas, as contas, os boletos, os cuidados dessa vida. 
Vamos em frente; que a gt aprenda a correr riscos. 


*Avante no processo de virarmos gente* 

31 de jul de 2017

Para não sentir mais dor


Sempre quis quase tudo desta vida, e tenho a impressão de ter vivido mais do que os anos de vida,mas, por ordem de importância, diria que ser correspondida no amor e fazer parte, ocuparam, desde que me entendo por gente, o topo da pirâmide da minha lista de sentidos da existência e ideias de felicidade. Sou filha do meio, e a distância do "modus operandi" para meus familiares me deixou sozinha durante boa parte da minha infância. Sozinha, nada. Vendo A Ba às voltas com tudo o mais que alegrava minha vida em casa. tracei boa parte do meu destino, ao menos no que diz respeito à vida que escolhi, o Deus que me escolheu e às relações que viria a estabelecer. Tudo por causa da Ba Adelia e a Dorinha. Entretanto, como às vezes a falta marca mais do que a presença — oi Freud! —, o que deixei de viver virou exatamente meu projeto de existência reconfortante: uma mesa, um vinho, duas ou três questões a serem discutidas como se fossem duelo, comida boa, amor em excesso, família real,pouco silêncio,boa música e bons livros.

Porque, como, quando finalmente cresci, e voltei pra cozinha, minha reprodução particular da Santa Ceia ficou guardada numa nuvem primitiva — oi, Steve Jobs! —, e apagada. Ficou esperando pra ser revivida quando eu enfim tivesse os quatro filhos, dois cães e o marido espirituoso e magnético imaginados na infância, e ainda sob o efeito de uma tal de Electra (acho que isso é Sófocles...). A composição familiar, foi sendo protelada ate o momento em que descobri que, diferentemente do que eu havia quase experimentado, o elenco do cenário da sala de jantar ideal — oi, Platão! — não precisava compartilhar o mesmo tipo sanguíneo, mas, sim, uma familiaridade mais doce e suave chamada identificação/amor/escolha/doação/obediência.

E assim o mar vermelho se abriu. Sou um ser de grupo. A maior parte do tempo(!) Gosto só da minha gente, gosto de falar, gosto de ouvir, gosto de discordar, de mudar de ideia, gosto de quem me faz mudar de ideia, de formular teses e antíteses, de criar polêmicas, de aprender, de dizer que não sei mas que sou boa de aprender, de dizer que não sei e que não estou interessada em aprender se o educador for rude com minhas ignorâncias, e sob o efeito de um chopp ou dois entro em qualquer parada verbal, da questão do calvinismo à disputa do Nobel. 
Eu sou um ser de aprendizado.
Ainda não inventaram nada mais bonito do que uma conversa boa e excitante.. Essas coisas me lembram Jesus, e as árvores somos nozes.

É claro que nem sempre essa história acaba bem, e não me importo de dizer que demoro um tanto pra me recuperar de gente que pratica o descarte de pessoas, mas mesmo assim não mudo meu plano de jogo. O saldo do amor é positivo até nas lonas que golpeada experimentei, e quem não sabe perder que ouça Los Hermanos e não venha brincar com meu coração.

Do contrário, o que dizer de uma moça, que, órfã de modelos melhores foi caminhando pela vida e cambaleia um pouco e até hoje não faz conta da companhia? É no mínimo bonito esse bloco de carnaval: "se você ficar sozinho pega a solidão e dança"; como a paz de Cristo e café com leite pra matar meus medos. 

Porque há muitos motivos pelos quais seres humanos se aproximam, mas nenhum deles é mais nobre do que a gratidão. Gratidão é amor que agradece. E, se eu sinto falta de um passado que talvez nunca tenha existido a não ser na minha fantasia, o presente é um dia de chuva fria  embrulhado em laço de fita cor-de-rosa, dado em mãos numa festa à tarde com música ao vivo e algum gim, bolo de chocolate e memórias de 8anos que nunca vão ficar pra trás.

Como no dia em que, caminhando pela Rua Deputado Bernardino de Sena Figueiredo parei ao lado do Jardim que presenciou a noite mais azul que já vivi, e que ele, gaiato, disse, cheio de dengo na voz: fudêú!E eu tava pensando que pelo menos ia poder jogar fora aquela mania horrível de ter expectativas... 
Nunca vi uma moça tão elegante gostar tanto de usar sapato surrado... sapato surrado é como o papai chama expectativas. Todas são tolas e todas te deixam na mão. É pra se fazer de pobre? Não pode sofrer malvestida, meu amor... Era a imagem mental que eu tinha de mim mesma. 

Um humor é um humor. Venho aprendendo a destrancar o coração e a cozinhar arroz decente. Enquanto isso, de botas novas, compro almofadas pra menina que eu fui e pra mulher que eu sou, torcendo pra que elas virem uma só, e que deixem a porta aberta..


    

26 de jun de 2017

Um caso..

Sem faniquito 

Você é um cara legal,sabe. E a questão do controle, do domínio próprio é tão séria e importante que mesmo caras legais como você escrevem, falam e pensam tolices. 
Olha...
Acabei de perceber uma coisa: teve uma conversa, publicação e também muita análise  da narrativa “As fêmeas do Brasil e do Mundo são complexas... " o ser humano é quebrado pelo pecado, não adianta publicar leveza sem ter essa informação bem fixa e rodando no córtex frontal. Ontem neste mesmo -espaço, nesta mesma interne, eu li coisas absurdas e queria esclarecer duas ou três coisinhas. 
Ou confundir, pro meu amigo Di ficar mais feliz. Olha, não sei se você acompanha os números dos assassinatos, abusos, roubos fraudes (...)! no Brasil. 
Imagino que sim...
Isso sem falar nos estupros, nos salários desiguais, no assédio, na exploração sexual, na jornada tripla. Eu sei, esse papo é chato, estou meio monotemática e tenho gostado muito. 
Mas tem tanta coisa chata que a gente tem que conviver, não é? 
Ir à feira, por exemplo. 
Um porre. A violência no Centro de Bh. Pegar 5 busão por dia,inadmissível . Não é um assunto agradável, mas meio que não dá pra não falar. Inclusive vai rolar uma consulta/alívio pra cabeça, agora no dias pra frente: você tá convidado. A gente pode ir juntos e depois conversar sobre o “Lion”, último filme Indiano que vi e chorei por causa da solidão de quem se perde, era um menininho sabe..., você viu? Achei gênio. Se não viu, deveria.
Eu sei. Tá rolando uma patrulha, tipo controle de linguagem, uma imersão das pessoas na vida das outras. Eu mesma já me peguei sendo consideravelmente preconceituosa, rude, grosseira,(e todos as corrupções do ser humano), como assim a pessoa vem falar que é perfeita o tempo todo de batom? 
Acontece o seguinte; Bom, você nos chama — nós, as mulheres de 2017, de “Sem Faniquito e ponham-se no seu lugar”. Pois bem. A “Sem Faniquito” aqui precisa admitir que você tem certa razão quando fala de despeito. Eu tenho mesmo inveja de pessoas que conseguem. SÃO POUQUÍSSIMAS. Eu não consigo nada! Nunca. 
Nossas referências também não! 
Mas são as que amamos e temos.
Sabe, vi uma mulher que é linda, talentosa, tem aquele corpo, aquele sorriso, aquela leveza, e ainda querendo ser engajada, política, social e ainda não ter nenhum resquício das marcas que a vida trouxe e das que ela mesma fez?  NANANINANÃO! Não se pode ter tudo nessa vida. Ela que seja linda e não venha dar opinião emocional/psicológica  (contém alguma ironia, ok?).
Também concordo quando você fala de afastamento, de medo, faz aquele jogo, já batido (e meio bobo) de fato. 
Estamos vivendo uma certa autoafirmação, de modo que às vezes é necessário algum radicalismo. Você acha que não me doeu não relativizar o episódio e falar mal sem me colocar na roda? Doeu muito meu amigo. 
A mulher, (sou eu) é minha e não de quem quiser, sem falar que é uma das mulheres mais incríveis que conheço. 
Mas o amor, aqui, é dizer “não”, como fazemos com filhos pequenos. Porque não pode mais, sabe. Certas coisas não pode mais. 
Nem fumar no avião, nem andar na frente sem cinto, nem assediar colega de trabalho, nem se vitimizar pela criação falha do outro. Não pode mais não encarar a realidade. 
Não pode mais.
Quando uma mulher toma coragem e prega na ESPERANÇA uma palavra denunciando um ídolo nacional, (o egoísmo) ela sinaliza pra uma mulher de trinta e poucos que mora escondida lá no sertão do meu coração, onde o machismo faz a festa ainda mais que aqui nas redes invisíveis dos perfis fake(...), que, talvez, quem sabe, uma hora, ela possa ter voz contra sua mente e pessoas ao redor abusadoras. 
E ela também sinalizou pra Sem faniquito aqui, acredita? É disso que tô falando. Uma Sem Faniquito da cidade grande e com terceiro grau completo, -deixa eu explicar antes; tenho formação livre e isso quer dizer que as instituições que estudei não são reconhecidas pelo MEC e não vou ter diploma pra pendurar na parede, depois da um Google em Faculdade Livre de Amsterdã e sua história de início. Um Google na música Schoolin life. Quer dizer que a formação que pude ter, que quis ter, supostamente forte, não era possível nas instituições existentes. - que já conta 31 anos, inscrita no CPF, e que ainda assim passa por situações do século XVIII, como se sentir constrangida por jantar sozinha em restaurantes de praça de alimentação. 
Dei um Google em você. Desculpa a minha ignorância — enorme e infinita —, mas eu não te conhecia desse ponto e eu fiquei destruída.
Você é um profissional importante. Escreveu musicas, é poeta, escreveu sobre o Amor (eu vi tinha alguns prints de bloco de notas) tem o dom de uma coisa que mais mexe comigo... trabalhou em banda, é e fã dos meus cantores favoritos e cantoras. Foi preparador da apresentação mais linda de coral. E não sabe que é produtor.
Você deve ser um cara legal. E a questão da maturidade pra não dar faniquito é tão séria e importante que mesmo caras legais como você escrevem, pensam e falam tolices. E postam! 
E falam coisas que é tipo sentar no próprio rabo. 
Desculpa, parceiro, mas dizer que as mulheres brigaram por espaço para se envolver em falcatruas, e usar os caras... é de uma ingenuidade imensurável. Dizer que não acredita na gravidez dela com exame de sangue com hora e vídeo é de uma crueldade infame. 
A corrupção de TODO SER HUMANO é tão democrática quanto O PECADO ORIGINAL, meu amigo. 
E, nesse caso, além de democrática, é igualitária. mulheres fazendo tabelinha do mal com seus maridos é de uma tristeza shakesperiana. Antes tivessem roubado a maçã   (Do pecado) sozinhas e por conta própria.

Mas volto ao seu "texto". 

 Você apenas cita a sua decepção com a falta de sororidade, ou cumplicidade feminina, pra usar um termo menos da moda. Mas você conhece bem a história? Ouviu a sujeita falar? Conhece suas declarações? Por outro lado, você tem razão em questionar a bandeira do meu gênero nesse caso. Qualquer homem honrado, homem ou mulher, deveria estar do lado oposto ao de modelos como Fábio Assumpção. 

Enfim. Vou ler seus textos, dei print. 
Somos colegas de poetagem, sentimos e vivemos a vida e morte , acho que estamos no mesmo time. Te digo, de coração, que precisamos ser mesmo muito equilibrados, esperançosos, pessoas de oração porque ainda somos caídos . Não me desqualifique, companheiro. Releve os exageros, as unhas malfeitas, e amplie o quadro. Também sou fã da beleza, e ela pode ser maior do que você sugere, independendo inclusive de idade, sexo e atributos óbvios. Eu não sou peça de pornografia. 
E pra aquela linda que me olha no espelho; 

Tamo junto, mulher maravilha real que conheço e convivo. Também gosto de batom, mas não vivo sem música sem Jesus, na real; o foco hoje é esse a "sem faniquito" aqui. 



Abraço e beijo. 

15 de jun de 2017

Quando as estrelas brilham, eu oro por você.

Uma curiosa ideia antiga, intuída, passou a viver depois de um encontro na vida que distante está: o diálogo foi tão tenso, pouco negociado, uma esperança miúda...
Eles estavam trazendo a realidade à tona. 
Ela viu sair de si uma emoção difícil: o medo, com razoável intensidade. E raiva de ter medo de não ter. Ouvindo música brega/pop tipo projota "ela só quer paz"
Com outra emoção guardada, pensou: 
"Se tens lugar em mim, o amor será meu outro ponto cardeal da bússola. Seremos um para o outro um lugar que vai doer, mas pode perdoar."

E não pode naquele dia. Não se acolhe assim. Tem que dar tempo. 
Perigosa essa constatação, traz a ideia de ser a continuidade de crescimento. Nesse mundo sabemos que é impossível viver sem doação, e sem abrir mão é impossível. 
A capacidade de aguentar, que nos é exigida, fecha portas para as outras emoções, mas ainda temos janelas. 
Ela acordou tão cansada no dia seguinte, ficou mais tempo ausente do que seus costumeiros três dias de aflição. Os meses de limite permitido para estar numa relação sem se levar junto, já haviam passado, desde que ouvira sobre o que são relações. Ele a teve inteira de uma maneira muito natural. Ela não se deu conta de que estava definhando fechada, em torno de uma única emoção — o mesmo que costumava criticar. E seu coração ficava cada vez mais gelado. 

Acordou ainda surpresa pela resposta ao absurdo daquela frase ecoando. "Eu te amo", mas vinda de outras fontes. Uma declaração enviada do fundo da alma, deveria ter sido uma sugestão para que ela falasse algo para os dois. 
Lembrou que saiu humilhada às altas temperaturas, com uma mistura de saudade e uma leve irritação nos lábios de tanto dizer mentalmente que não viveria isso. Passou a manhã caçando o descanso pelos travesseiros. Daquele dia em diante, caçar sinais da presença dele, se tornou uma mania. Sugeriu mentalmente até mesmo que deixasse passar sem falar nada, nunca mais. Nem mesmo se reconhecia nesses gestos. Na verdade, arbitrariamente, decidiu ser ela mesma, agarrar seus sonhos e possibilidades . Sem pensar, sem sentir. Jogou-se na emoção que estava vivendo. escreveu numa mensagem, mas nunca teve coragem de enviar.

A dor, que marcou longos dias e anos, voltou com mais força. Querem criar castelos por trás dos discursos — decretava sempre que podia em conversas mais reservadas. Mas compreendia que era preciso defender o amor. Seu silêncio era fuga ou engajamento? 
Não apontava publicamente nenhuma contradição. Durante os dias de ausência viveu com intensidade a distância dele. Poucas foram as vezes em que não estavam juntos. Ela queria um colo. O mundo retira de nós todos os colos possíveis. E não os há. 

Ele estava lá. 
Um desses dias mereceu memória. Lá estava ela sentada  na rua do Bar que tomaram aquela água ardente, fazendo uma das coisas de que gostava. Comprava um gin tônica para sentar e ler de graça as revistas de arte que pegara numa dessas galerias metidas a cool. Era seu treinamento para um dia realizar esse mesmo procedimento em Londres — “uns querem Nova York, outros Istambul; eu quero os dias de chuva em Londres... parecem tão aconchegantes como estar com você”. Ele guardou, entre páginas de um livro, a camiseta com seu cheiro de não banho, com esse recado de bom dia deixado por Ela borrado de desculpa por ainda estar ali. Ele sentado na poltrona do butiquim aceitou a proposta e pegou um livro mas não cativou. Já havia lido, leu poucos livros mas jamais os esquecia, foi intencional, para se deliciar observando Ela. Seu olhar fixo sobre o rosto dela incomodou-a. Ela sorriu mas pediu que ele se concentrasse na leitura. Ele não sabia mais quem era, do que gostava, do que não gostava, o que queria. 
A euforia de conviver com o amor naquela hora o desequilibrava. Um comportamento que parecia ser proposital. 
O excesso dela cativava-o. Ele era divertido, mas ensaiava certa agressividade quando ela não se demonstrava atenta. 

Os dois. 
E os corações gelados.

Como não acontecer isso diante de tamanha intensidade? Ela engravidou mas foi interrompida  a gravidez. Ele não soube o que fazer. Ela sabia que desejar aquela gravidez era muito mais uma fantasia egoísta dele do que a vontade de ficar junto. Vamos acreditar  nisso. Havia impaciência em seu tom, de quem não quer se dar conta do que estáva acontecendo, decidir apenas virando a página de imediato. Isso reforçava ainda mais os receios deles. Ele não a escutava. Ela não entendia. Não havia reciprocidade de emoções. Ela estava inteira na relação mas com uma emoção diferente, mais presente. E com a tranquilidade de que aquela relação era um presente para sua vida e não a vida por inteiro. Ele, sua ausência, era outra coisa. Que nem ele sabia ao certo. Talvez por não ter se envolvido nessa intensidade anteriormente não sabia lidar com as emoções e esperava a mesma euforia dela.Mas ela era inevitavelmente indecifrável.  

Não tinha mais alunos para inventar aulas interessantes e arejar a cabeça; nem mais colegas de trabalho para as pequenas conversas, mesmo que controladas. Ele estava com amigos recém casados . Belo Horizonte é uma cidade de amizades. Impossível lidar com a vida que se vive nela sem parceiros para pensar junto. A vida da casa precisa da rua. Essa era a hora que Ele precisava de um amigo, mas estava só. Do jeito dela a tristeza, inibiu até mesmo as respostas de e-mails com convites de pessoas próximas. Várias vezes Ele perguntou se não sairiam com seus amigos, Ela desconversava, porque não queria. Agora, sentia vergonha em falar para alguém.  


As próximas semanas seriam regidas por sequências de emoções diversas, em demasiado. Ele aprenderia, como num parto a fórceps aprender tudo, e vê-la toda. Ninguém pode te ver nua e não ter um compromisso com você. Pq aquilo é mais do que a sua Alma, exposta. Era um efeito que ele causava. Outras dimensões. E que tarefa complexa. E ela aprendendo a ser e a dar lugar. Fim.