30 de dez de 2012


Meu coração bate forte e escandaloso Meu coração é doloso, teimoso. Meu coração é charrete dos meus pulos batuta dos meus pulsos, mestre-sala, tambor. É um ator. Simula que está dormindo e acordado fabula o sonhador. Meu coração é mais que um órgão de artérias e enfartos ele é o tempo que passo sintonizada com a vida uma escola de samba que me arrasta em alas pela avenida é o dial do meu percurso é o relógio de pulso que margeia meus rios é a fluência que eu tenho espalhada no Tocantins dessa estrada. Às vezes parece bobo meu coração...pisa forte sem carinho com decisão inda admira as pessoas.Generoso e ensina aos do ninho o que avista.Ansioso me ordena rápidas premissas, mente pra mim, me enrola dizendo que vai pro culto e quer que eu o leve a sério. Sou rendida aos seus segredos e atenta aos seus caprichos Ele gosta de amar, tem um jeito maquinista de transformar dor em poesia, meu coração é o tal. Meu coração se copia e me mostra tudo menos, o original."

To falando, não confio nele Juvenal.

747

Como ando as voltas com assuntos de amor, prestei atenção. Pois é.. Silêncio esmagador. Somos quase Tom e Jerry,qualquer hora o "dono da casa" pega a gente e diz; Chega!Um olhando pro outro já..




Vieram me perguntar; "o que é o amor pra você?" aí respondi assim:



É não temer o outro. Seja lá o que for contar com o outro. A mágoa é possível, mas é não deixar que a mágoa se transforme em amargura. Ainda sou assustada com as pessoas com as quais me relaciono (daquela cultura machista). É claro que existem as exceções e as exceções são bárbaras e fazem ruborizar o rosto.



Eu convivo com uma já há algum tempo. Os ritmos estão muito hedonistas, falta paciência que é o carro chefe do amor. As pessoas terminam os relacionamentos porque querem grandes excitações, fica aquela sobra do sistema... Uma burrice sem medida por que o sistema foi feito pra falir e a falência leva estes a fazerem loucuras.





Eu acredito no amor bíblico,amor que requer paciência, e um tempo filosófico pra você se questionar. Não é um caminho fácil, é simples, mas não é fácil. Quer uma dica? Entenda o princípio 7.47 “... AQUELE HÁ QUEM POUCO É PERDOADO POUCO AMA" (Lucas 7:40-47). Se você quer que ele dure, o amor tem que perdoar sempre.

Espero que o sol dispare em minha direção raios cansados, clareando a multidão sem vestes, sem máscaras. Espero que a lua reflita sobre mim uma intensa luz nem tanto metafísica, nem tanto sobrea instigando minha alma a exalar o que tem de bom.


Desejo que o vento sopre em meu rosto um bafo de realidade; e acabe com a indiferença, com tudo à minha volta, como gelo na lava.

Aspiro que o brilho das estrelas, destrua o que aliena e disperte o que hiberna em todo ser humano por milênios e milênios.

Que a responsabilidade com o planeta terra, e com tudo o que o habita, e com tudo que o habitará. Rogo ao, Cristo, que mais e mais pessoas despertem, e que eles unam suas forças e se façam perceber a dor ou o prazer; causado por cada ato ainda antes de cometer.

E que cada mariposa voe o mais alto que conseguir antes de morrer. Que o fio da vida não seja medido pela comparação ao alheio. Que o cheiro da terra molhada seja sentido cada vez e mais e mais vezes. Que a muralha que separa os corações seja pulverizada. E a cultura massificada e não banalizada. E que a vida não seja simplesmente a espera da morte. Que a vida não seja simplesmente a espera da morte. Que o meu grito ecoe pelos corredores vazios de uma escola em ruínas e seja ouvido cada vez mais alto nos morros, nos sertões e nosplanaltos. Que a vida não seja simplesmente a espera da morte. E que a vida não seja simplesmente a espera da morte



18 de dez de 2012

Nao tenho sequer um objeto do meu pai


Nenhum relógio antigo. Nenhum canivete suíço. Nenhum jogador de botão. Nenhum cachecol. Nenhuma caneta especial.

 
Ele não me repassou um livro para lembrar sua importância. Não me chamou para o escritório em separado a fim de antecipar a mínima partilha. Não redigiu uma carta explicando o que era ser gente grande nesse mundo caotico.

 
Mas herdei de meu Pai o que sou. De meu pai herdei uns alguns.

 
Quando pequena, eu não o entendia. Hoje, Ele vai comigo, assim calado no dia a dia. O pai liga pra saber se estou com vontade de comer doce.

 
Tenho dele a risada larga, bonachona, uma gaita que impulsiona o rosto para trás e me pede para fechar docemente as pálpebras.

 
Nosso pulmão é carregado de sotaque, o pulmão é o nosso código secreto. Respiração. O dom de fazer acalmar via respiração.

 
Tenho dele o jeito de cortar tomates na tábua, horizontal, absurdamente errado e divertido.

 
Tenho dele a mesma compulsão pelo atraso: sempre acreditando que posso fazer mais alguma coisinha antes de sair.

 
Tenho dele as mesmas distrações e desculpas furadas, as mesmas canetas explodindo nos bolsos, a terrível a mais terrível de todas; não saber atravessar ruas. Não sei. Não sei calcular o tempo do carro com o tempo da caminhada até o outro ponto. Tenho pensamentos sofisticados demais enquanto estou andando. Não vejo nada.

 
Tenho dele o mesmo ímpeto de curar a raiva com uma caminhada pelo bairro.

 
Tenho dele a lembrança da barba da juventude, o bigode, e a tendência de levantar as golas das camisas.

 
Tenho dele a mania por sentar em balcões e experimentar pastéis em cidades estranhas. Não tomar leite nelas.

 
Tenho dele a mania de estar sempre na cozinha e os olhos puros de medo.

 
Tenho dele a vontade de cheirar o cangote dos filhos.

 
Tenho dele a mania por esculturas, madeira de demolição, de cavalos e Dom Quixote.

 
Tenho dele a compulsão por riscar livros e escrever diários por códigos.

 
Tenho dele o dom de perder dinheiro e juntar amores.

 
Tenho dele o costume desagradável de gemer diante de um prato favorito. Huummm. Roceira como só.

 
Tenho dele a sublime certeza de que a fé do Filho de Deus é a melhor coisa e oro quando vejo o mar ou uma criança sorrindo ou as pessoas chorando no apelo na confissão por Jesus. Escolha.

 
No momento em que viajo de avião, acabo me protegendo do frio transformando o paletó em cobertor. O casaco fica invertido, de frente para mim, com as mangas cruzadas nas minhas costas.

 
Aquele casaco é também meu pai me abraçando.

 
Bom ter Pai e pai.

 
Meu Pai está espalhado pelo meu caráter. Preciso em tudo dele. A garantia de amor, justiça, santidade e fogo. Nem uma vírgula emprestada se dá se não for assim, desse relacionamento que não vai ter fim. O que é uma lembrança para quem tem toda a eternidade?

 
Cada gesto que vim a aprender ao longo da vida é o esforço arredondado de copiar sua letra e repassar seu temperamento ao papel vivo da vida. Caderno de couro e carne. Retrato.

 
Ele está dissolvido em meus dias. Invisível e forte como o vento.

 
No momento em que escrevo, penso, acabo me lembrando das palavras doces, dos conselhos das historias que penetraram minha alma, espírito e carne. Alias mudança. Domínio. A coisa mais surpreendente de aprender. Dependência. Às vezes sinto necessidade de conforto durante a dura realidade do dia a dia que mais me choca do que surpreende. Uso seu manto de bondade como cobertor. O manto fica envolto a fim de esconder o Passarim. Proteção.

 
Aquele manto é também meu Pai me abraçando.

17 de dez de 2012

Liga o play.

Fogo que arde sem se ver.

Coisa de passarin

Pagina 127 do diário das coisas que eu preciso explicar.
Invenções.
Parte V.
Amazon veio dar boa noite. É. Esse é o nome do Panda de pelúcia que você vê na foto... Dou nome aos de pelúcia lendo o nome que veio na etiqueta,simples. E divertido.
Então não será panda somente porque é um urso panda.
Vou ensinar como é:
Pega a etiqueta e lê. Talvez pode ser produzido na zona franca de Manaus, mas eu acho grande,pode ser made in china, e eu tenho um, pode ser lavável... São várias possibilidades. Seja criativo e não chame seu bichinho de qlqr nome. Além do nome que ele já tem.
:)
Agora parada aqui pensando na sua cara ao ler isso.
Você me acha bocó?
Bom é que ninguém entende a poesia de encontrar um made in china na vida.
E eu fico te achando normal.
Hãm.
E rio alto sozinha sem ninguém saber.

13 de dez de 2012

Pagina 716: diário de couro

Sabe, acho que ninguém vai entender. Ou, se entender, não vai aprovar. Existe em nossa época um paradigma que diz: enquanto você me der carinho e cuidar de mim, eu vou amar você. Então, eu troco o meu amor por um punhado de carinho e boas ações. Isso a gente aprende desde a infância: se você for uma boa menina eu vou lhe dar cata ventos. Parece que ninguém é amado simplesmente pelo que é, por existir no mundo do jeito que for, mas pelo que faz em troca de amor, bem não é bem amor amado, mas esse negocio que as pessoas grandes que contam tudo com sensos dizem que é amor desesperado. E quando alguém, por alguma razão muito íntima, pára de dar carinho e corre para bem longe? A maioria das pessoas aperta um botão de desliga-amor, acionado pelo medo e sentimentos de uma outra parte do coração, e corre em direção aos braços mais quentinhos, que estavam escondidinhos atras da porta do pensamento; talvez pode ser melhor pra você... E a história se repete: enquanto você fizer coisas por mim ou for assim eu vou amar você e ficar ao seu lado porque eu tenho de me amar em primeiro lugar. Mas que espécie de amor é esse? Na minha opinião, é um amor que não serve nem a si mesmo e nem ao outro.
Eu também tenho medo, dragões aterrorizantes me atacam de quando em quando, mas eu não acredito em nada disso. Quando eu saí de uma importante depressão, eu disse a mim mesma que o mundo no qual eu acreditava haveria de existir em algum lugar do planeta! Haveria de existir! Nem que este lugar fosse apenas dentro de mim… Mesmo que ele não existisse mais em canto algum, se eu, pelo menos, pudesse construi-lo em mim, como um templo das coisas mais bonitas que eu acredito, o mundo seria sim bonito e doce, o mundo seria cheio de amor e eu nunca mais ficaria doente. E, nesse mundo, ninguém precisa trocar amor por coisa alguma porque ele brota sozinho entre os dedos da mão e se alimenta do respirar, do contemplar o céu, do fechar os olhos na ventania e abrir os braços antes da chuva. Nesse mundo, as pessoas nunca se abandonam. Elas nunca vão embora porque a gente não foi suficiente, porque a suficiência do ser esta em estar em par com Deus.. E eles não entendem do que julgam por conta do olhar com traves. São olhos malvados, treinados para ver um primeira instancia o mal que ha. Fazem doer a alma com olhares que querem ser doces mas são egoístas... As pessoas nunca se abandonam. Elas nunca vão
porque a gente ficou com os braços tão fraquinhos que não consegue mais abraçar e estar perto. Mesmo quando o outro vai embora, a gente não vai. A gente fica e faz um jardim, um banquinho cheio de almofadas coloridas e pede aos passarinhos não sujarem ali porque aquele é o banquinho do nosso amor, o nosso grande amigo. Para que ele saiba que, em qualquer tempo, em qualquer lugar, daqui a quantos anos, não sei, ele pode simplesmente sentar, contando historias, sem mais explicações, para olhar o céu de mãos dadas. Amizade.
No mundo de cá, as relações se dão na superfície. Eu fico sobre uma pedra no rio e, enquanto você estiver na outra, saudável, amoroso e alto-astral, nós nos amamos. Se você afundar, eu não mergulho para te dar a mão, eu pulo para outra pedra e começo outra relação superficial. Mas o que pode ser mais arrebatador nesse mundo do que o encontro entre duas pessoas? Para mim, reside aí todo o mistério da vida, a intenção mais genuína de um abraço. Encontrar alguém para encostar a ponta dos dedos no fundo do rio - é o máximo de encontro que pode existir. Encostar a ponta dos dedos no fundo do rio. E isso não é nada fácil, porque existem os dragões do abandono querendo, a todo instante, abocanhar os nossos braços e o nosso juízo. Mas se eu não atravessar isso agora, a minha arte será uma grande mentira, as minhas histórias de amor serão todas mentiras, o meu diário será uma grande mentira porque neles o que impera mais que tudo é a lealdade, feito um Sancho Pança atrás do Dom Quixote, é a certeza de existir um lugar, em algum canto do mundo, onde a gente é acolhido por um grande amigo. É por isso que eu tenho de ir. E porque eu não quero passar a minha existência pulando de pedra em pedra, tomando atalhos de relações humanas. Eu vou mergulhar com o meu amigo, ainda que eu tenha de ficar em silêncio, a cem metros de distância. Eu e o meu made in China, porque no meu mundo a gente não abandona sequer os ursos que foram nossos amigos um dia.
Agora em silêncio, tentando ensinar dragões a nadar.

1 de dez de 2012

Eu e o resto do mundo



Eu sentia tudo e com muita particularidade desde que começou a sentir alguma coisa. Tudo começou no dia em que sentiu sua primeira raiva, lembra bem. O dia em que quebrou seu único e primeiro combinado de para sempre.. Depois desse dia, eu combinou que não perderia mais nenhum sequer. E cumpriu. Nenhum dente de leite caiu, todos tiveram de ser arrancados com anestesia. As raízes eram imensas e fortes. Eu isso, eu aquilo, eu, eu, eu. Desde pequenininho essa força absurda pronta pra destruir brocas ou a si mesmo.
O resto do mundo fritava menos, enquanto isso. Quem tem irmãos, pensa menos como é um absurdo nascer. O resto do mundo via que do mesmo buraco outros tinham chegado. O resto do mundo seguiu a carreira que todo o resto do mundo segue. O resto do mundo ganhou dinheiro porque o resto do mundo, a sua volta, ganhava. O resto do mundo achava que alguma coisa ia mal, alguma coisa faltava. Mas vai ver que é assim com todo mundo.
Eu sabia que faltava alguma coisa e que essa coisa que faltava, dessa maneira e desse jeito, era algo muito seu. Por isso escolheu fazer uma coisa que mais ninguém no mundo poderia fazer a não ser eu mesmo. Eu tinha tanto o que pensar e sentir, que refutou muitas coisas. Eu podia parecer preconceituoso, mas era apenas ocupado em si mesmo. O que parecia um erro terrível, mas era só um medo do resto do mundo.
O resto do mundo continuava achando que algo faltava e então chamou isso de tristeza. E então, ficou perto de gente triste, pra poder ser triste. Sem culpa. Gente estranha. Se o resto do mundo fosse eu, ficaria triste e pronto. Mas o resto do mundo precisava de mundo, pra sugar e tal. Ainda que depois, se fechasse em seu mundo pra brincar de eu. Depois achou que lhe faltava morte, e ficou perto da morte. Depois achou que lhe faltavam palavras e assim fez, morou com as palavras por anos. Até que as emprestou e virou um pouco as palavras. O resto do mundo é música, é letra, é história, é tudo. O resto do mundo é gigantesco. Mas tem um medo de ser eu.
Eu também adora brincar de resto do mundo. Sai sempre que pode de casa. Experimenta tudo. Tenta entrar nas coisas. Tenta deixar as coisas um pouco dentro de si. Logo vem o medo de vomitar. De expulsar tudo que não é eu. Eu precisa do resto do mundo perto o tempo todo, para senti-lo. De longe, eu só sente eu. Eu ri do resto do mundo. Um misto de nervoso, arrogância, ritual de sobrevivência e servidão.
Eu virou eu justamente pra se proteger do resto do mundo. Então, quando escuta que é amado pelo mundo, duvida, provoca e espanta. O resto do mundo virou resto do mundo justamente porque ser eu enlouquece e é limitado. Então, por mais que eu seja esperto, o resto do mundo só vê um rato de laboratório, preso e correndo em sua esteirinha.
Eu adoraria casar e ter filhos e construir um lar. Mas para isso teria que ser um pouco nós. O que é quase. O resto do mundo pode ser tantas coisas, pode se vestir de tantas coisas, que não é e nem quer coisa de ninguém em específico. E também acabou sozinho.
Eu come pouco e vive enjoado. O resto do mundo engole o que vê pela frente e vive com dor de estômago. Um é ligado demais por dentro, não quer mais do que é porque o que é já quase o explode. O outro nem lembra o que esse por dentro agüenta, de tanto que carrega tudo pra ser algo. Pode tanto tudo que tudo banaliza.
Eu diz coisas feias e bonitas e doces que saem sem filtro e de dentro. O resto do mundo diz coisas lindas que já chegaram filtradas, de fora. Quase mentiras. Os dois sabem do que o outro está falando, mas é que dá uma preguiça desgraçada parar de brincar só porque a bola caiu do outro lado do muro.
Eu e o resto do mundo, são seres solitários que atacam. Cada um pra defender o seu ser de tantos mil anos. Um sem saber o que fazer com o amargo que desce da boca pro estômago. O outro sem saber o que fazer com o amargo que sobe do estômago pra boca. Um com medo do que pode calar tantas certezas conquistadas na ignorância, o outro com medo da voz trêmula que poderia ter a sua inteligência se não estivesse pautada em algo. Eu não sabe o que sente, mas diz mesmo assim. O resto do mundo tem certeza do que sente, mas quando diz, fala pelo resto do mundo. E a certeza se esvai em mil pensamentos em preto e branco. Eu entende só de si, o que já é uma humanidade inteira. O resto do mundo entende de todo o resto, o que faz eu parecer uma criança de cinco anos se debatendo pra entender tanta vontade de chorar ou de ser feliz.
Eu e o resto do mundo desistiram de amar em suas roupas rasgadas pela luta. E se amaram. Mas com roupas rasgadas mesmo assim, eu empresta do resto do mundo um silêncio que seu eu jamais lhe daria. Ter o resto do mundo dentro de si é mais feliz. Ainda que doa e ainda que seja vento.
E o resto do mundo pára, quem diria. O mundo pára pra ver eu. O mundo pára para ver como eu sente e se explica sem fim. Sem eu, o mundo é um lugar enorme, mas sem vida passeando em suas riquezas. Eu precisa do mundo para ser lido. E o resto do mundo precisa de eu para ser livro.
Depois eu volta a sentir tudo com uma solidão avassaladora. Depois o resto do mundo volta a rodar. A rodar e atropelar eu. A rodar e trucidar eu. Eu volta a martelar em si. O resto do mundo volta a somar todos os martelos do mundo para se sentir martelado. Cada um na sua despedida egoísta, vingativa e perdoável. Na sua vida a dois que não existe a não ser por essa intersecção, no ponto onde eu se esquece pra pertencer e o resto do mundo se encontra pra ser alguma coisa.
Não é inveja isso que nutrem um pelo outro. Nem ciúme. Nem ódio. Nem maldade. É absurdo. É só absurdo. Algo tão parecido com amor que confunde a vida.

Chuvas


E não era impressionante como um sentimento podia se transformar em
água,e ir pingando por uma rua toda feita de pedras? Eu pisava em
lágrimas, poeiras e pedras, sem me lembrar que as lágrimas também
evaporam e depois viram nuvens. As nuvens que, algum dia, desceriam
furiosas, castigando janelas e portas, enquanto eu tentasse salvar, no
colo do meu vestido, a mais bonita de minhas histórias.