27 de mai. de 2020

Mania de Explicação.


MANIA DE EXPLICAÇÃO

Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa. 
•Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra. 
Ela achava o mundo do lado de fora um pouquinho complicado. 
Se cada um simplificasse as coisas, o mundo podia ser mais fácil, ela pensava. 
Então tentava simplificar o mundo dentro da sua cabeça.
•Simplificar é quando em vez de pensar em 4/8 a pessoa pensa logo em 1/2. 
Um meio, quando é escrito em números sempre quer dizer "metade", mas quando é escrito em letras pode também querer dizer "um jeito". 
Existem vários jeitos de entender o mundo. 
Ela tentava explicar de um jeito que o mundo ficasse mais bonito. 
Essa menina pensa que é filósofa, as pessoas falavam. 
•Filósofo é quem, em vez velejar ou ver fórmula 1, ou futebol, ou ler mil coisas, prefere ficar pensando pensamentos que contém os problemas do mundo. 
De tanto que a menina explicava, as pessoas às vezes se irritavam,
•irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio do seu peito, 
reclamavam, e iam embora, deixando a menina lá, explicando, sozinha.
•Solidão é uma ilha com saudade de barco. 
•Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança pra acontecer de novo e não consegue. 
•Lembrança é quando, mesmo sem autorização, o seu pensamento reapresenta um capítulo. 
•Autorização é quando a coisa é tão importante que só dizer "eu deixo", é pouco. 
•Pouco é menos da metade. 
•Muito é quando os dedos da mão não são suficientes. 
•Desespero são dez milhões de fogareiros acesos dentro da sua cabeça.
•Angústia é um nó muito apertado bem no meio sossego. 
•Preocupação é uma cola que não deixa o que não aconteceu ainda sair do seu pensamento.
•Ainda é quando a vontade está no meio do caminho.
•Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.
•Cismar é quando o desejo quer aquilo apesar de tudo.
•Apesar é uma dificuldade que não é grande o suficiente.
•Dificuldade é a parte que vem antes do sucesso.
•Sucesso é quando você faz o que sabe fazer só que todo mundo percebe.
•Antes é uma lagarta que ainda não virou borboleta.
•Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa. 
•Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára. 
•Intuição é quando o seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido. 
•Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.
•Vaidade é um espelho em todos os lugares ao mesmo tempo.
•Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora. 
•Ansiedade é quando faltam cinco minutos sempre para o que quer que seja. 
•Indiferença é quando os minutos não se interessam por nada especialmente.
•Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.
•Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.
•Raiva é quando o cachorro que mora em você mostra os dentes. 
•Tristeza é uma mão gigante que aperta o seu coração. 
•Alegria é um bloco de carnaval que não liga se não é fevereiro.
•Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.
•Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros. 
•Decepção é quando você risca em algo ou em alguém um xis preto ou vermelho.
•Desilusão é quando anoitece em você contra a vontade do dia.
•Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente, mas, geralmente, não podia. 
•Perdão é quando o natal acontece em maio, por exemplo.
•Exemplo é quando a explicação não vai direto ao assunto.
•Desculpa é uma frase que pretende ser um beijo.
•Beijo é um carimbo que serve pra mostrar que a gente gosta daquilo.
•Gostar é quando acontece uma festa de aniversário no seu peito.
•Amor é um gostar que não diminui de um aniversário pro outro. Não. Amor é um exagero... Também não. É um desadoro... Uma batelada? Um enxame, um dilúvio, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego? 
Talvez porque não tivesse sentido, talvez porque não houvesse explicação, esse negócio de amor ela não sabia explicar, a menina.

3 de mar. de 2020

mete o loko bullet.

Santas e Santos uma coisa importante que aprendi;  •Louvo a Deus por todas as coisas. Louvo a Deus por ter compromisso comigo apesar de mim, louvo a Deus por cuidar de mim e me manter sempre nesse caminho. Me carregar de volta. Louvo a Deus por cada perdão. Louvo a Deus pela morte e pela vida. Louvo a Deus por sua Graça. Ainda que seja difícil e doloroso. Bendito seja o Senhor. Só  é possível estar num compromisso para a vida se vc se comprometer com a sua vida e crer nisso. TUDO COMEÇA COM CRER. Ser gente como Cristo demora, olha de onde Ele te tirou? destrói e constrói. Esteja ao lado de quem crê q vc foi DE FATO formada a imagem e semelhança do Deus Trino e q Já veja isso em você, que ame esse propósito, mesmo no tempo do #ja_e_ainda_nao. Que te olhe com olhos eternos para ver que mesmo o seu início pó da terra ( com toda mazela) terá um futuro glorioso como participante da Glória de Deus na eternidade.   Ps: Se vc não crê nisso. Por favor... não. Obrigada, de nada. 😘



1 de mar. de 2020

Tudo que eu sinto esbarra em Deus.” Adélia Prado.

Já dizia Oscar Wilde que “a rebeldia, aos olhos de qualquer pessoa que tenha estudado um pouco de história, é a verdade original 
do ser humano”, defendo a ideia de que mudanças só são possíveis com posicionamentos. Celebro justamente essa inquietude que pode alterar rumos e nos impulsionar. (#avante) 
A Rebeldia com o que está na “modinha” (com o status quo) revela minha porção efervescente.
Até a rotina certinha, os hábitos cultivados com perseverança e a aversão a algumas posturas podem ser considerados atos de resistência para quem aprendeu que mudar para continuar sendo eu mesma )a fim de que Cristo seja visto em mim) -e sem pedir desculpas por isso- ainda é o maior ato de rebeldia que há. 






26 de fev. de 2020

B.J


O link para a pregação; viva a vida com a ética cristã.

Estava errada sobre tudo.

13 de fev. de 2020

bullet jornal

Lembrei da Adélia, a minha baba/empregada quando vi esse filme com a mamãe na madrugada de sábado, mamãe fez preenchimento labial com o Adalto no transformando faces...
minuto 1:58 - 2:16
Historias Cruzadas Trecho

Normalmente não escrevo aqui mais tipo um caderno, que você usa  para fazer uma coisa chamada rapid logging.
O objetivo é registrar minhas listas mentais e no que minha cabaeça estava ocupada em gastar energia de uma maneira prática e fácil, para ser acessada na consulta do psiquiatra.
Lia três jornais de papel, lia muitos livros ao mesmo tempo. Pelo menos a Folha de Sao Paulo, Estado de Minas e o Globo. Hoje leio na internet, a folha e Gazeta do Povo.
Ouço muitos estilos musicais ao mesmo tempo e a mesma musica em looping. Minha cabeça já é uma bagunça e isso só fazia mais bagunça. 

Hoje... não leio mais jornais de papel pq não concordo com a industria de papel. Morro de dó, apesar de saber que se todo ser humano na terra mudar seus hábitos de consumo isso não representará 22% da transformação que a terra precisa pra se regenerar, (é 75%)o sistema de consumo, a produção de bens de consumo, o sistema do capital ou seja as industrias é que de fato estão ferrando a terra. Então seu banho ser reduzido, não adiantará nada. Desculpa 
 Al Gore com seu An Inconvenient Truth. ( dados do oximoro do consumo sustentável)


Ouço e vejo canal do youtube.
Não vejo tv. não tenho mais tv. vendi. mas quero comprar outra pra ver filme com meu filho pq somos apaixonados por cinema e formula 1. não vem ao caso. 


-Ultimamente tenho visto muito netflix. (Rapha obrigada, minha fada)

Vi a serie de Friends toda, em pleno 2020, alias gostei muito da Rachel. 

E tenho visto a serie "
My Next Guest Needs No Introduction"  com  David Letterman. Foda!
Vi a do OBAMA e senti vontade de comprar um quadro dele pro apartamento, Obama é um ser humano muito incrível. Vou procurar o livro a Michelle pra ler.
Também do 
 Kanye Omari West que historia linda. Tem que ver esses episódios.
Ele lançou um álbum incrível : Escuta na minha conta do Deezer.

Isso foi na quarta, do Obama vi no domingo junto com o Lucas.
o programa do Kanye foi tão bom pra mim, eu achava que era um tipo de idiota marido da Kim, mas não é.
inspirador.
To sem livro pra ler, sem vontade tb... então peguei no armário a Casa dos Budas ditosos, pra rir um pouco.
Tb vi um vídeo sobre mulheres e publiquei o texto sobre "x/y".
a bi chorou.
mas é verdade. 

E ainda penso muito. tava lembrando os textos do Ortodoxia, girando na minha cabeça.
Tb no trabalho fazendo pesquisa de venda e novos hábitos de consumo. aprendo muito com a Lilian Pacce. tem canal no youtube.

Uma coisa sobre o Oscar.
Você tem curiosidade em saber como é feita a votação da Academia?

A produtora Vânia Catani já participou de mais de 25 produções, como "O Palhaço", de 2011, e "O filme da minha vida", de 2017, e tem seu nome reconhecido no Brasil e no exterior. Não à toa, desde a edição do Oscar em 2019, ela é uma entre as oito mil pessoas escolhidas para votar na maior festa do cinema mundial, portanto, integrante da Academy of Motion Pictures Arts and Science ou, simplesmente, a Academia. No Ao Ponto desta sexta-feira, Catani conta como é o trabalho de escolher os melhores filmes do ano. Só não pode entregar em quem votou. Por isso, o critico de cinema e editor-executivo do GLOBO André Miranda também participa deste episódio e fala sobre suas apostas para a edição deste domingo (9). Ele também comenta as chances de "Democracia em Vertigem", um dos indicados para o prêmio de Melhor Filme Internacional.
tão ta bullet. 

12 de fev. de 2020

xy


Eu sempre me considerei uma mulher de garotos, me orgulhava de ser amiga dos meninos na escola e da mesa nos almoços de domingo com meu irmão.
Mesmo com tantas representantes do sexo feminino por perto era com eles que eu me sentia forte, que eu me sentia especial. Só depois de muito tempo eu comecei a me dar conta de que junto com a minha natureza supostamente masculina havia também uma espécie de arrogância, como se minha afinidade com o cromossomo y me distinguisse favoravelmente de alguma forma.
Eu me considerava eleita!
Machismo puro.
Mas é que eu não queria ser do time que na época eu considerava sexo frágil. Eu pretendia levar a vida em pé de igualdade com qualquer homem.
Os anos foram passando, e eu, mais esperta fui vendo que as pessoas que eu mais admirava as que mais me iluminavam o caminho, as que mais seguravam minha mão nas horas que importavam eram todas mulheres.
Bom... de lá pra cá, um mundo novo se abriu pra mim e desde então nada na vida me deixa mais acompanhada do que saber que tenho cada vez mais grandes amigas,
Pra falar de cabelo de roupa, de medo, de amor, de filho, de velhice, de grana, de se conhecer, de perrengues, de êxitos do dermatologista gênio a angustia mais secreta.
Eu aprendo todo dia com cada mulher que escuto que eu convivo e que vejo por aqui. Todas davam um filme, uma musica, alguns jantares pra contar a vida toda, que alias no final das contas sempre tem muito em comum e que ninguém sabe onde vai dar
Mas uma coisa da pra saber, se você tem uma rede de mulheres fortes à sua volta seja pra te emprestar um vestido, pra te ouvir chorar ou pra te dizer umas verdades com amor, você tem quase tudo.
E quase, como canta Mallu Magalhães
Quase..
Já é bom demais.
Resultado de imagem para camila vercosa

5 de fev. de 2020

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus é quem me guia, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!"

31 de jan. de 2020



/VTEXDAY 2020

onde?
-O VTEX DAY acontecerá nos dias 15 e 16 de abril no São Paulo EXPO, localizado 1,5, Rod. dos Imigrantes – Vila Água Funda em São Paulo.

 Instagram Vtexday

16 de dez. de 2019

#aprendi_com_o_Gui_de_Carvalho



Para meus Pais
“o arcanjo Miguel, quando contendia com o diabo, e disputava a respeito do corpo de Moisés”
Judas 9
Porque Satanás desejaria o corpo de Moisés?
Porque tomar aquele corpo envelhecido, cheio de memórias horrendas, de encontros maravilhosos com Deus? Porquê sujeitar-se a ser confundido com ele, repetir seus trejeitos e cheiros, imitar a sua voz? Pior; e se ele era mesmo gago? O que poderia fazer um diabo gago?
Pergunta óbvia. A mera pergunta induz a resposta: toma-se o corpo para se parecer. Há muitas formas de se parecer com alguém, mas qual seria melhor que tomar o seu corpo?
Desceu, pois, o arcanjo Miguel, para contender com o diabo e disputar o corpo do profeta. Também Deus queria aquele corpo, que era seu. Deus não queria só o espírito, mas também o corpo. É claro, Deus não queria apenas impedir que o diabo enganasse a outros por meio daquele corpo – engano possível apenas se não conhecêssemos nada além de Judas nove. Deus queria o que era seu. Mas também, o que era de Moisés; só o diabo quererá negar a identidade de Moisés com o seu corpo, e o ponto é inimaginavelmente importante, a ponto de conferir proporções cósmicas à batalha por ele.
Corpo é expressão temporal e material do ser; superfície na qual o interno se torna visível, o profundo na superfície, o símbolo de mim, que participa do que sou eu. Isso é o que o corpo deveria ser; para isso Deus criou o corpo. Mas a queda destruiu seu nexo com seus fins, e colocou o eu contra o eu, o eu interno contra o eu externo. A primeira espiada em Romanos sete nos fará lembrar rapidamente a miséria de se achar fraturado, de querer e não querer ao mesmo tempo, de buscar a própria redenção por meio da autodestruição.
O pecado separa barro e espírito, mata o sentido, afasta corpo de ser. Situação deveras miserável; eu separado de mim e, como se não bastasse, figuras infernais desejam alienar-me ainda mais de mim mesmo, tornar-me em dois e, então, em outro, para usar-me contra mim. O que será que Moisés pensou quando viu, de sua nuvem, o diabo lutando para apossar-se da sua superfície, para conectá-la com uma outra profundidade?
Aluta entre Miguel e o diabo pelo corpo de Moisés lembra-me a luta pelo sentido, no campo da interpretação, e da própria teoria hermenêutica; ou melhor, a luta pela forma do sentido; ou a luta pela superfície do sentido que, não deveria mas, miseravelmente, é separada de seu coração, de sua fonte semântica profunda.
Ora, um calvinista, tipicamente, não se entregaria a este tipo de alegoria fantasiosa, inventando sentidos com as imagens bíblicas. Eu, especialmente, que por tantos anos defendi uma interpretação literal (embora não literalista) das Escrituras – que ironia. Mas antes que os amigos torçam seus narizes contra mim, quero desculpar-me de tão insólito uso do corpo de Judas, que não quero roubar, de forma alguma. Meu exercício de imaginação não terá a pretensão de significar o que Judas quis dizer, naturalmente. É claro que não estou fazendo exegese. Ao menos, não exegese bíblica.
Talvez, sim, exegese de um comportamento realmente diabólico, esse, de tentar roubar o corpo dos outros, ora. Isso, de fazer roubo semântico, é outra coisa. Ladrões de corpos, violadores de túmulos! Saqueadores criminosos esses hermeneutas que querem usar a superfície dos outros para ganhar o amor dos homens.
Diabolicamente enfiando-se nos braços, nos olhos e na língua que um dia foi de Moisés, e do Espírito de Deus – de ambos – para dizer algo que não é mais a mentira absoluta, que seria nada (em verdade, que não é), nem a verdade, que disse Moisés, mas para dizer uma síntese perniciosa que tem, corpo de verdade, mas espírito de mentira. É a verdade vazia que tem o cheiro, as rugas, o pêlo e o timbre da verdade, mas que é realmente outra coisa. E é difícil mostrar a mentira; afinal, se parece tanto com a verdade!
Um teólogo “diabólico” fará qualquer coisa para ser amado como Moisés, ou como Jesus, ou como Paulo, ou como os doutores da igreja. Sei o que digo, já o vi antes. Ele se sujeitará a usar aquelas palavras ignóbeis da tradição cristã, e consumirá tempo precioso se esforçando para obter um ponto de contato com o evangelho; aceitará em si as rugas e o fedor de alguns dogmas, e finalmente acreditará ser a própria re-encarnação de Moisés, o novo Moisés, com a mesma cara de antes – “mas com um melhor coração, enfim!” E tudo isso para esmolar a atenção complacente deste mundo podre. Pobres diabos-gagos. Seu último estado tornou-se pior que o primeiro.
“Misticismo semântico”: expressão Schaefferiana, para designar a ilusão de que o mero uso da linguagem cristã tornará o nosso discurso cristão, mesmo que sua carga semântica seja fruto de nossa própria imaginação filosófica. Como se as palavras dessem a luz ao sentido, e não o sentido às palavras; como se as meras palavras pudessem criar espírito e realidade, tal qual um “pó de pirlimpimpim” teológico.
“Misticismo Semântico”: expressão especialmente desprezada e, até mesmo, odiada, capaz de fazer queimar o ventre de alguns teólogos. Desprezada, como não? Que pode um Schaeffer contra um Schleiermacher, ou um Tillich, ou um Bultmann, ou um Ricoeur, ou um Queiruga, ou um Rubem Alves, ou uma dessas Emílias que infestam os seminários teológicos? Que audácia! Sem dúvida, admito, precisamos submeter essa expressão a um tratamento mais sofisticado. Pobre Schaeffer; era um evangelista, não um filósofo, e muito menos um especialista em filosofia da linguagem religiosa.
Mas vou eu em sua defesa: ele conhecia o diabo o suficiente para enxergar o vazio sem fundo dentro dos olhos de algumas carcaças teológicas contemporâneas. Olhos tão parecidos com a velha tradição, tão brilhosamente evangélicos, tão impressionantemente consistentes mas… tão ocos de significado evangélico. Ou melhor, olhos tão cheios de outros significados, brilhando com luzes infernais, de sentidos infernais, quentes e vermelhos de revolta contra Deus.
Quem tem olhos para ver, veja. Isso não é coisa de somenos. Há crentes que apontam o poder do leão, e respondem tranqüilos: “o evangelho não precisa de defesa; só precisamos mantê-lo livre.” Pura inocência. Ainda mais com essa estratégia perversa de roubar o corpo dos outros. Como saber se aquele leão também é oco? Ou se está cheio com o pai da mentira?
Por isso Miguel descerá do céu, de novo, e de novo, e de novo, e contenderá pelos corpos de Deus, mesmo que sejam corpos mortos. E o diabo contenderá também; e os simples ficarão horrorizados: “porque tanta disputa em torno de um corpo? Porque tantas lágrimas e violências para guardar essas formas mortas, se o que importa é o espírito?”
Sim, o que, afinal, se pode fazer com esses ossos secos e empoeirados? Porquê submeter-se a horas, dias, e anos, de análise conceitual e reflexão, para demonstrar que a carga semântica de um certo discurso teológico é, finalmente, uma corrupção enganosa da verdade, do sentido que o evangelho nos trouxe? Porquê defender com unhas, dentes e mentes, o teísmo clássico, ou as duas naturezas de Cristo, ou sua unidade pessoal, ou a universalidade do pecado, ou a ressurreição literal dos mortos, ou a expiação vicária, e todas essas velharias dogmáticas?
Deus sabe o porquê. Deus e seus anjos o sabem, sim, mas principalmente, o diabo.
Convoca pois, o Senhor, anjos, para descerem de suas nuvens de apatia e desembarcar ali, onde um velho corpo é possuído, e dar luta ao pai da mentira. Quando aprouver a Deus, este velho corpo será ressurreto, e seus olhos estarão cheios do Espírito Santo. E seu rosto brilhará, com ainda maior brilho, e não haverá véu que oculte sua luz.
Até lá, – que saudade! – se temos apenas estes corpos inertes de tradição religiosa lançados aí, num canto, que seja. Os anjos chamados, fiéis em busca de compreender, estarão de guarda, esperando pacientemente pela ressurreição. E nossas espadas analíticas estarão prontas contra o diabólico misticismo semântico.
*PUBLICADO NUMA QUARTA-FEIRA, 12 JULHO DE 2006, NA AURORA DAS NOVAS TEOLOGIAS IDENTITÁRIAS E DO CLERO GOSPEL-COACH
“misticismo semântico:  expressão Schaefferiana, para designar a ilusão de que o mero uso da linguagem cristã tornará o nosso discurso cristão, mesmo que sua carga semântica seja fruto de nossa própria imaginação filosófica. Como se as palavras dessem a luz ao sentido, e não o sentido às palavras; como se as meras palavras pudessem criar espírito e realidade, tal qual um “pó de pirlimpimpim” teológico.