30 de jul de 2010

Se és capaz


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Lá pelas tantas a menina, pregou com tachas imaginarias na parede de seu pensamento, o famoso “SE” de Rudyard Kipling, pois queria ter o poema bem defronte da sua caixola para que aquelas palavras constituíssem a tabua de princípios da sua ainda imatura existência;




Se és capaz de manter a calma, quando

Todo mundo em redor já a perdeu e te culpa;

De crer em ti, quando estão todos duvidando

E, para estes, no entanto, achar uma desculpa;

Se és capaz de esperar sem te desesperares...



Acontece que quando se é ainda menina a gente vai imaginando caminhos, fortalecendo quereres dando corpo aos nossos sonhos e metas. Vamos procurando lugares para construir nossas casinhas, para fazer aquele lar com todas as coisas lindas demais que o Senhor já colocava em meu coração. No fluxo dos dias a longa lista de desafios - se és capaz – intimidava-me e ao mesmo tempo, exercia sobre mim o maior dos fascínios. E muitas vezes ficava a sonhar com feitos assim tão extraordinários, o próximo me julgaria com crueldade e eu teria para ele o melhor dos pensamentos. Se me batessem num lado da face, imediatamente ofereceria o outro...



Estava escrito. E foi daí por diante que eu comecei a perceber então que nada vale decorar máximas que ficam gravadas na memória, mas não ficam no coração. Sim, diariamente acessava o poema antes de sair para ir fazendo tudo ao contrario em seguida; se me atacavam eu respondia, se me faziam esperar eu me desesperava, se me odiavam eu odiava mais ainda, e no dia em que meu pai me deixou uma ordem para terminar um relacionamento em quatro dias pois estava retirando dele a bênção, e se não o fizesse teria sobre ele toda a responsabilidade, porque com a sabedoria de um homem experiente analisou e pensou que eu não merecia aquilo tudo sendo ainda tão menina, fui falar com ele em meio dos maiores protestos, aí! A cólera da injustiça doendo na carne, embora me lembrasse muito bem que ele estava completamente certo e que, portanto, o cuidado e amor vieram meio fora de tempo, como que de surpresa, mas merecido. Era apenas uma menina lutando com a forca do próprio braço, pra fazer valer sua vontade equivocada, com parâmetros equivocados.

Na medida em que tudo ficava pesado demais, e dando de ombros para todo e qualquer conselho, seguia.

Isso vai valer para quando eu for mais velha, pensei, tirando o poema daquela parede. (E até hoje o conservo no fundo da minha gaveta de pensamentos extraordinários, um belo trabalho literário, sem duvida alguma.) Mas quando topo com ele, não posso deixar de sorrir. Porque hoje não mais tão menina assim, percebi a leveza que é uma vida de obediência e escolha. Mas, então, senhor Kipling? ... De que material somos feitos? Hem? Devemos é confessar humildemente nossa frágil condição humana; a gente faz o que pode.

Se somos capazes de tantas maravilhas? Não, não somos. Às vezes, temos gestos e pensamentos que faz o Senhor sorrir. Mas eu disse às vezes. Há uns raros que resistem, os que entenderam que foram escolhidos, e, portanto capazes de muito mais ainda do que os desafios do poema – que aceitaram a condição de ter como alvo fazer o Senhor sorrir não apenas por um minuto ou por um dia, mas durante toda uma vida. Para que esse orgulho de querer se mostrar perfeito se a natureza humana é a própria imperfeição? (Lembrando que a Bíblia garante que o único homem perfeito é Jesus e só pelo seu sangue nos aproximamos do Pai e pelo sangue foram cobertas as nossas imperfeições. Estou coberta por esse sangue.) Não exageremos, ambicionado atitudes ideais, desde que o ideal é aquela coisa maravilhosa de lhe pisarem no pe e você - por dentro, veja bem, por dentro - continuar dizendo que não é nada. Só através de experiências reais com o Cristo poderemos fazer com que a nossa natureza seja transformada pela vida dEle em nós!

Na cruz ainda existe sangue. E essa mesma cruz esta vazia. Ele esta no trono. E se levanta dele para ouvir os que o receberam em suas vidas, os que entenderem o preço pago. Sua vida pelo sangue dEle. Foi Jesus quem pagou a divida. Ele foi, e é capaz. Sem Ele é inútil. É como querer vestir no cotidiano a grande armadura que é realmente grande demais para nós. Porque o cotidiano é a incerteza, o medo. O que podemos pedir a Deus é que, se não conseguimos cumprir tão sublimes plataformas – dignas de políticos em fase eleitoral - que ao menos, ao menos! Ajude-nos a viver corajosamente. Com a coragem de sermos nós mesmos, sem lançarmos mão de mascaras, e nem de conjecturas irreais.



Por isso a mulher de Deus que vai se formando aqui dentro parou na presença dEle e confessou;



Senhor não sou capaz, mas;



Irei aonde queres que eu vá.

Farei o que queres que eu faca

Direi o que queres que eu diga

Como todo o meu ser!

Te amo, te amo, te amo

Te amo, te amo, te amo

Com todo meu coração, dons, talentos, defeitos, entendimento, inteligência, limitações, sonhos, metas, desafios, alma, com tudo o que sou com tudo o que eu tenho.

Que as perolas do meu colar conquistem um sorriso Seu.

Te entrego o meu tudo. Cubra-me com o teu sangue.



E eu só sou capaz de te amar. Me ensina o resto?


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