19 de mar. de 2016

Para não apagar do bloco de notas.

...aquele a quem pouco foi perdoado, pouco ama – Provérbios 7:47 (Bíblia Sagrada)

Em outras palavras, não podemos dar uma coisa que jamais recebemos. 
Se nunca recebemos amor, como podemos amar os outros?
Ah mas como tentamos! 
Como se pudéssemos "fazer" o amor a partir da força de vontade apenas. Como se houvesse um botão on e off dentro de nós e pudéssemos escolher “agora eu amo, agora eu odeio”. 

“Não me importa quanto isso vai doer, mas vou ser gentil com aquele quem me magoou ” 

"Como ela pode?"

“Fui ferido profundamente, preciso perdoar, só não sei como”

Sim! Tentamos. Dentes cerrados, queixo firme. 
Será que não estamos pulando uma etapa? 
Será que o primeiro passo de amor não deve ser 
dado na direção das pessoas mas na direção de Deus? 
O Segredo para amar é saber receber. 
Para conceder amor, primeiro você precisa recebê-lo
“Nós amamos porque Deus nos amou primeiro” 
João 4:19.

Quer ser uma pessoa mais amorosa? Comece aceitando o seu lugar como filho querido e amado. Deseja aprender a perdoar? Então pense em como você já foi perdoado. 
Esta difícil colocar os outros em primeiro lugar?
 Pense que Jesus Cristo fez e faz isso por você- embora sendo Deus,Ele se lembrou de você primeiro. Precisa de mais paciência? Pense na generosa paciência que Deus tem tido com você – Ele não desiste.

Podemos amar assim? Não. 
Sem a ajuda de Deus, não podemos. 
Pode ser que até saiamos bem por um determinado período, mas nossos relacionamentos necessitam mais que um simples gesto emocional. 

O amor capaz de salvar um relacionamento perdido não está em nós. Uma dedicação capaz de salvar uma amizade ferida pela mágoa não poderá ser encontrada em nosso coração. A esperança que nos faz enxergar virtude em pessoas ruins não mina dentro de nosso coração. Precisamos da ajuda da única fonte de Amor.

Muitas pessoas nos orientam a amar. Só Deus nos proporciona o dom para realmente fazê-lo. 

3 de mar. de 2016

A vida.

Eu acordo às 6 e meia da manhã. Quer dizer, primeiro eu acordo às 4 aí tomo um Naldecon Noite e durmo de novo. Às vezes eu demoro a achar a caixinha dos comprimidos e quando isso acontece tudo atrasa porque eu acabo indo fazer xixi, e me angustio com a pilha de cadernos de cultura que eu separei pra ler  quando tivesse tempo. Então eu fico na dúvida se 6 da manhã é tempo ou insônia, e penso que dúvida é uma coisa que eu tenho mais do que camiseta. Decido voltar pra cama e penso em cancelar a assinatura do jornal e em parar de comprar camiseta, porque não tenho dinheiro assim pra isso. 
Eu me cubro muito, durmo de pijama que o papai comprou e quase sempre acordo meio gripada. Meio gripada de vez em quando é bom porque dá pra tomar naldecon. Ler sem parar numa terça e não sentir culpa, essa era a vida que no meu sonho de menina sempre me acompanhou. Eu queria ler sem culpa, mas ler com culpa já é alguma coisa, leio com culpa, pois deveria estar malhando, sei lá...é como ter abolido açúcar, mas manter a Coca normal. 
Como pão com manteiga e acho a melhor comida da existência.  Faço meu café em silêncio, olho os jornais que ainda não cancelei e abro o Instagram. Vejo que a Aninha tá ouvindo James Bay, que a Rafa foi no barzinho e que a Julia tá convocando pra alguma coisa. Faço parte. Posto a foto do Lucas, tô apaixonada pelo garoto que ele esta se tornando. 
Tomo banho pra sair. Preciso depilar e fazer a unha. Decido que vou sempre estar depilada e de unha feita, mas hoje não vai dar tempo. Coloco uma camisa Lacoste pra copiar a Nadia, e respondo e-mail. Chica me avisa que a geladeira quebrou. Mas tá ainda possível de usar,ela diz. Olho o Instagram pra ver se a Lucas teve muitos likes. 
Saio de casa à 1 hora e não gosto de conversar muito antes disso. Normalmente, saio de jeans, se bem que agora tô numa fase de querer usar alfaiataria e sapato Oxford, e isso quer dizer que eu fui pro nível dois. Ainda não sei quem eu quero ser, mas, com certeza, é alguém que não usa cetim, que tem coragem pra bancar um chapéu e tá sempre com lingerie boa para um eventual caso de atropelamento, como diz a Priscila, aliás a Priscilla é um caso à parte.
Entro no ônibus , ligo o spotify e abro o livro de poesia. Leio para viver. Lavanda Johnson’s pra dar restart no meio do dia, carregador do iPhone, meia térmica pro cinema ali no Belas, óculos, rímel, base com protetor solar e remédios antiangústia, antienjoo (que as vezes é angústia disfarçada), e antidor de cabeça, que quase sempre é dor de cabeça mesmo. Jurei que colocaria barra de cereal na bolsa, mas o que vejo é um Toblerone inteiro e cheio de lactose. Mas daquele pequeno, sabe? 
Já durmo sozinha, sem o Lucas. Mas ele só dorme comigo. 
Passo o dia todo tendo ideias de artigos, e também penso muito em sorvete. Marco dentista. Parei de ferir meu coração com a indignação da podridão dos outros, mas a pele ainda tá ruim, porque a pele reflete um coração assim amargo as vezes. Passo rímel nos cílios de baixo. Eu chego sempre até o erre do Toblerone, mas vou baixar pro bê. E depois trident de canela. Aos poucos. Já não como a casca da pizza. E também já durmo sozinha. Já disse isso?
Sempre tive medo de tudo, e cresci alternando no peito a história de como meus pais se conheceram (a vida é boa), e a de que minha mãe não gostaria de ter me tido (a vida é má). Não tem garantia, mas o shuffle mandou uma Steve Wonder que eu sei cantar.
Lembro de quando as aulas de inglês terminavam com letra de música, e decido que vou brincar disso com o Lucas. Penso que tudo vai fazer sentido: a geladeira, os livros, as camisetas , o dentista, os remédios , o medo, o sapato Oxford e o pao com manteiga. 
Tudo vai fazer sentido porque um dia a gente vai pra um sítio ler livros novos de poesia, tocar e cantar, ler no iPhone os cadernos de cultura atrasados, vou estar depilada e de unhas feitas e dividiremos o Toblerone com o meu filho.
A vida é boa. (Tem você) 

3 de dez. de 2015

Senhora Ilustradora

Senhora Ilustradora Philippa Rice  das imagens vermelhas e pretas e cinzas e laranjas. Laranja é cor! Olha no GOOGLE! A senhora mente, não descaradamente com o perdão do trocadinho, mas mente. Eu vivi isso tudo mas a pessoa achou lá pelas tantas que era insuficiente foi embora ou pensou  que era um aquilo que está desenhado das cores que mencionei acima sem fim por ver muito filme água com açúcar porque entre um uma imagem e outra existem uma infinidade de coisas que acontece sem a gente querer e verdade seja dita, mesmo com a gente querendo aquele negocio que Paulo o de Tarso escreveu (..) o mal que não quero, este está sempre diante de mim!
Chorei  ao ver as imagens. Principalmente a do colo, não é possível, você chorar no colo de alguém, e esse alguém, e essa mesma pessoa dizer; "sai do carro".

Leia o meu texto na cadencia dessa musica.


dreaming with a broken heart

Mudei meu quarto de lugar porque era sessão espirita aquilo. Uma coisa que não deveria.

VOLTANDO.

Com aquele coracão. O coração de quem musica. Musica não é verbo mas deveria...
Porque é esse o coração que escrevo.

Meu coração é din din dom.

Agora a gente vai vendo como é pó. e alguns comprimidos muito gordos que não sei bem pra que servem, depois vira liquido dentro de mim, e sai tudo de dentro num jato bem verdinho. a Isa disse que sempre defendeu que eu era mais bonita por dentro, agora teve que rever o conceito. eu ri daquilo. e tive que rever o conceito de beleza interior. beleza interior é Itaquaquecetuba.
Já não da pra ser passarinho. Agora só peixinho no mar, igual a musiquinha...
Desculpa gente, a Julia disse que eu estou numa fase morbida. Não sabe o quanto de verdade estava naquele segundo.
Desculpa! Pareiiiiiiii!
Então, senhora ilustradora escrevendo o texto entendi que a senhora não mentiu, nem eu, eu vivi foi tudo verdade, foi o outro que viveu pouco ou achou pouco do que vivemos. Precisamos desenhar sim as coisas simples sim da vida boa e boba de uma vida cotidiana... uma coisa que eu ja sabia, ja vivia. Era preciso ele viver.
http://www.hypeness.com.br/2015/12/artista-cria-serie-de-ilustracoes-para-provar-que-o-amor-esta-nas-pequenas-coisas/ Philippa Rice 

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6 de nov. de 2015

Buraco de minhoca.






E foi mesmo na frente da loja de vinhos que a vida deu uma volta medonha, pois, ela viu , seu coração disse pra sua cabeça, vá, e sua cabeça disse pra sua coragem, vou, e sua coragem respondeu, vou nada, mas sua boca não ouviu e beijaram-se bem ali, e a boca não disse não, e nem poderia, pois estava por demais ocupada. Quem falou alguma coisa, alem daqui?

Daí pra frente se sucederam muitas noites de festa e muitas outras de desgraça tanto no coração dele como no dela, pois a graça do amor é justamente esse emperrado. Quer, não quer, pode, não pode, quer mas não pode, pode mas não quer, um passa a querer o que o outro desquer e esse só vai querer novamente com a desquerência do outro. O fato é que, foi, não foi, eles foram destrocando juras para lá e para cá, cada vez mais muitas, e ela acabou se acostumando com aquelas palavras de amor passeando pelas ruas até não sei que horas da madrugada.

O nome deles passara a só andar juntos na boca do povo. Lá vêm eles, lá vão eles. A palavra sempre lhes servia de acompanhante. Os dois não se afastavam nem nas frases, nem nos cantos, nem mesmo no pensamento. Seus olhos também não se afastavam nunca, os dele dos dela, os dela dos dele, nem as bocas e nem as mãos. Os pedaços de um foram descobrindo os pedaços do outro, por partes, até chegar a hora em que cada pedaço de um conhecia o outro inteiro. Nunca tinha visto isso nem em filme, nem em tela, gravura, fotografia, museu nem em nenuhum outro lugar, não daquele jeito. Ele também desconhecia esse negócio que dá dentro da pessoa nessa hora. Um negócio que só tem vantagem, uma atrás da outra, e bastam apenas dois para senti-lo, mais nada, podia existir coisa melhor na vida? Na noite em que eles viraram um só de vez, quando todos os pedaços dos dois, sem faltar nenhum, se ajeitaram num mesmo espaço, e as duas bocas, enquanto separadas, murmuraram bobagens importantíssimas, e os dois pensamentos conheceram juntos lugares que não existem, coincidiu que a lua também estava cheia. E se a lua estava cheia, a noite também devia estar se sentindo o máximo.

Ficou uma mania (AF)

Era uma menina que gostava de inventar uma explicação para cada coisa.

Explicação é uma frase que se acha mais importante do que a palavra.
As pessoas até se irritavam, irritação é um alarme de carro que dispara bem no meio de seu peito, com aquela menina explicando o tempo todo o que a população inteira já sabia. Quando ela se dava conta, todo mundo tinha ido embora. Então ela ficava lá, explicando, sozinha.
Solidão é uma ilha com saudade de barco.

Saudade é quando o momento tenta fugir da lembrança para acontecer de novo e não consegue.

Lembrança é quando, mesmo sem autorização, seu pensamento reapresenta
um capítulo.

Angústia é um nó muito apertado bem no meio do sossego.

Preocupação é uma cola que não deixa o que ainda não aconteceu sair de seu pensamento.

Indecisão é quando você sabe muito bem o que quer mas acha que devia querer outra coisa.

Certeza é quando a idéia cansa de procurar e pára.

Intuição é quando seu coração dá um pulinho no futuro e volta rápido.

Pressentimento é quando passa em você o trailer de um filme que pode ser que nem exista.

Vergonha é um pano preto que você quer pra se cobrir naquela hora.

Ansiedade é quando sempre faltam muitos minutos para o que quer que seja. São grilos falantes na sua cabeça.

Interesse é um ponto de exclamação ou de interrogação no final do sentimento.

Sentimento é a língua que o coração usa quando precisa mandar algum recado.

Raiva é quando o gorila que mora em você mostra os dentes.

Tristeza é uma mão gigante que aperta seu coração.

Felicidade é um agora que não tem pressa nenhuma.

Amizade é quando você não faz questão de você e se empresta pros outros.

Culpa é quando você cisma que podia ter feito diferente mas, geralmente, não podia.

Lucidez é um acesso de loucura ao contrário.

Razão é quando o cuidado aproveita que a emoção está dormindo e assume o mandato.

Vontade é um desejo que cisma que você é a casa dele.

Paixão é quando apesar da palavra "perigo" o desejo chega e entra.

Amor é quando a paixão não tem outro compromisso marcado.
Não... Amor é um exagero... também não.
Um dilúvio, uma musica alta na alma, uma tremedeira, uma palavra feia depois do beijo, um mundaréu, uma insanidade, um destempero, um despropósito, um descontrole, uma necessidade, um desapego?

Talvez porque não tenha sentido, talvez porque não tenha explicação,
Esse negócio de amor, não sei explicar.

1 de mai. de 2015

Uma aulinha sobre; Parfum

 O que são e qual a diferença entre Eau de Parfum, de Toilette, de Cologne
Os perfumes são criados basicamente da mistura de água, solvente (geralmente álcool) e a essência da fragrância (também chamado de óleo).

E é na proporção existente entre a quantidade de essência em relação à água e ao solvente que está a diferença entre Eau de Parfum, de Toilette e Cologne. Quanto maior a porcentagem do óleo da essência no perfume, mais provavelmente se tratará de um Eau de Parfum, quanto menor a porcentagem mais se aproximará de um Eau de Cologne. No meio do caminho está o Eau de Toilette.

Ainda há uma quarta classificação chamada tão-somente de Parfum ou Perfume, que possui uma concentração de essência ainda maior que o Eau de Parfum.Eau de Parfum, o Eau de Toilette e o Eau de Cologne

Trata-se de uma classificação que não é muito antiga, foi feita assim por causa da indústria de Parfum e dos consumidores e seus gostos. Antigamente todos os perfumes eram pertencentes somente a uma categoria: a que corresponde hoje aos Parfum (Perfume).

Tão importante quanto conhecer as diferentes famílias olfativas, saber a diferença entre os Eau’s é crucial na hora da compra do perfume ideal.



PARFUM
O Parfum (Perfume) é conhecido internacionalmente como extrato de perfume, o mais puro, original, mais sofisticado.

Possui em sua composição de 15% até 40% de essência, e possui nas notas de coração o seu destaque.

Por possuir mais essência, este é o tipo de perfume que possui maior fixação e duração sobre a pele, podendo chegar a até 7 horas, razão pela qual também é um perfume mais caro e mais raro, o que pode afugentar os consumidores menos exigentes ou que não gostem das fragrâncias chamativas.
Há algumas poucas fragrâncias deste tipo que dispensam até mesmo a água na composição, o que mostra o quão forte pode ser o cheiro destes perfumes.

Por isso, é preciso tomar cuidado para não exagerar no momento do uso. É aconselhável que se use uma pequena quantidade por dia, apenas nos pontos-chaves (punhos, cotovelos, pescoço, atrás das orelhas ou entre o peito) onde o corpo é mais quente e permite melhor exalar os aromas.
O Exemplo clássico deste tipo de perfume é o Coco, da Chanel.

 Apenas para dias frios.

EAU DE PARFUM
As fragrâncias Eau de Parfum têm na composição de 10% a 15% de essência, e podem durar na pele até 5 horas.

Este tipo de perfume também tem como notas dominantes as de coração. Depois alguns minutos, assim que as notas de cabeça se esvaem, as notas de coração se apresentam por algumas horas.
Apesar de não ser tão forte quanto os Parfum, os Eau de Parfum também podem ser considerados como perfumes fortes, encorpados, e que por isso devem ser usados com cuidado.
Muitas pessoas utilizam estas fragrâncias nas roupas ou cabelo, o que também não pode ser feito de qualquer maneira, pois podem danificar os fios ou os tecidos.

É um perfume que também é recomendado para climas mais frios, mas não invernos tão rigorosos.




EAU DE TOILETTE
As fragrâncias classificadas dentro dos Eau de Toilette são aquelas que possuem de 5% a 10% de essência nas suas composições. Em média, dura até 3 horas sobre a pele.
É recomendado para climas tropicais, assim como o do Brasil, motivo pelo qual são facilmente encontrados nas nossas lojas.


Por possuir uma concentração menor de essência, estas fragrâncias podem ser usadas em maior quantidade e mais vezes ao dia, afinal de contas a duração na pele é curta. Por isso, leve-o na bolsa.

O perfume feminino Gabriela Sabatini, da marca de mesmo nome, é um Eau de Toilette.



EAU DE COLOGNE
Para os climas quentes, bem quentes, o ideal . São fragrâncias com essência de 2% a 5%.

O nome Cologne veio de um perfume de mesmo nome lançado em 1709, por Johann Farina, que utilizou o nome da cidade onde foi criado para batizá-lo: Cologne, Alemanha. Depois, o nome do perfume foi utilizado como referência à classe hoje chamada Eau de Cologne.
Exemplo; Tommy Masculino Eau de Cologne 30 ml, Tommy Hilfiger
A título de curiosidade, o mesmo aconteceu com a bebida Champagne, cujo nome foi utilizado numa bebida criada na região de Champagne, na França, e depois se espalhou como sendo um tipo próprio de bebida.
Estes perfumes também podem ser chamados de Eau Fraiche ou Fresh Water, mas somente para perfumes femininos que têm menos de 3% de essência.

Podem ser usados em abundância e várias vezes ao dia, pois duram somente de 1 a 2 horas na pele.

As notas dominantes destas fragrâncias são as de cabeça/topo, o que proporciona maior prazer no momento em que o perfume é aplicado e a sensação de que o cheiro logo desapareceu.


Com estas informações sobre a diferença entre Eau de Parfum, de Toilette, de Cologne e o não tão conhecido Parfum você ficará mais seguro na próxima compra.

Você notou que quanto mais forte for a fragrância, ou seja, quanto maior a quantidade de essência na composição, mais caros serão os preços e maior será a duração da essência sobre a pele.


Não estranhe se você encontrar o mesmo perfume dentro de mais de uma das classificações acima. Pode acontecer que o mesmo perfume, a mesma essência, seja lançada em várias versões pelo mesmo fabricante. Mas como você sabe, há diferença entre eles, consistente na densidade da essência.

12 de nov. de 2014

Carnavalha

Hoje me lembrei do Carnaval. Carnaval é um saco. Moro há muito tempo n’um lugar em que a festa é reconhecida por sua força popular, uma coisa como uma forma de o ser humano expressar suas emoções, sua história e sua cultura através de alguns valores estéticos, como beleza, harmonia e equilíbrio. Falo de cátedra; odeio carnaval. Não existe festa mais autoritária do que o Carnaval e a devastação que causa em nome de sua alegria barulhenta.
Mas gosto não se discute, lamenta-se. Por isso, hoje vou falar de coisa mais séria; vou falar de amor romântico e de um filme maravilhoso para quem gosta do tema e também de filosofia: "O Amante da Rainha, filme dinamarquês dirigido por Nikolaj Arcel, com Mads Mikkelsen (o amante) e Alicia Vikander (a rainha) no elenco.

Você acredita no amor romântico? Dito assim parece uma pergunta idiota. Alguns dirão que pessoas maduras sabem que o amor não existe. Outros, que é diferente de paixão, sendo esta passageira, enquanto o amor seria algo mais sólido, dado a parcerias, longa duração e tanto o mais.

Nada mais pernicioso para a longa duração do que a expectativa de amor romântico depois de um certo número de anos, diriam os "maduros". Expectativas assim seriam "coisa de mulher", o que também é uma besteira. Homens sonham com momentos de paixão com suas mulheres no dia a dia. "Ter uma mulher" significa exatamente isso.

Supor que os homens são animais de cerveja, futebol e sexo é não entender nada sobre os homens. Pensar que os homens só pensam em cerveja, futebol e sexo é a mesma coisa que pensar que mulher é um ser menos inteligente.
A suposta simplicidade masculina é tão falsa quanto a também suposta irracionalidade feminina.

O tema encanta, apesar de alguns teóricos afirmarem que o amor é uma mera invenção da literatura europeia medieval (como o Papai Noel), universalizada, de modo equivocado, pelos autores românticos dos séculos 19 e 20.
Digo "equivocada" porque, para os medievais, nem todo mundo seria capaz de viver ou suportar tal forma de amor avassalador. Já para os românticos, modernos, todo mundo poderia viver essa forma de encantadora doença da alma. Falo isso sempre pensando em Platão, é claro. E dou uma gargalhada.
Eu não acredito que o amor romântico seja uma invenção da literatura, mas concordo com os medievais: muita gente passa pela vida sem experimentá-lo. Uma pena, pobres miseráveis...

A narrativa medieval descreve essa "maladie de la pensée" (doença do pensamento, do espírito), dito no original provençal (um tipo de francês comum na Idade Média), como um modo de obsessão que arrasta o homem e a mulher, fazendo com que fiquem presos no desejo de estar um com o outro e atormentados quando não podem se encontrar, quando não podem se tocar.
Segundo os medievais, ele ficará horas imaginando o que ela estaria fazendo, pensando, sonhando, com o desejo de saber todos os segredos de sua alma e de seu corpo ("Tratado do Amor Cortês", de André Capelão, publicado pela editora Martins Fontes).

A estrutura ideal supõe o amor impossível, no qual a morte espera os dois ou um dos dois --e a desgraça do que sobrevive. Quando o amante é amigo fiel do marido dela, a estrutura dramática encontra seu modo mais perfeito de impasse.
Dirão os especialistas que o amor romântico cantado nos séculos 18 e 19 fala da destruição de qualquer forma de vida que não a interesseira, típica da burguesia e sua alma de "merceeiro", como diria Marx.
"O Amante da Rainha" tem exatamente essa estrutura. O amante é médico e confidente do rei e se apaixonará enlouquecidamente, e será correspondido, pela rainha.

Esse médico, chamado de "o alemão" pelos dinamarqueses (o personagem é alemão), é um iluminista (leitor de Rousseau e Voltaire) que crê na superação da barbárie pelo uso da razão e da ciência. Ela também. Quem diria, heim? E como se apaixonam... podemos perceber que os que acreditam que tudo poderá ser resolvido por politica, ciência e reorganização social, também amam. Engraçado né?

O amor dos heróis não é apenas construído a partir de "sentimentos" mas, também, do encontro entre suas almas inquietas com o mundo a sua volta. Ambos são filósofos de uma época em que a filosofia se revoltou com a estupidez do mundo (o filme se passa na segunda metade do século 18). Aliás, a filosofia sempre se revoltará, porque o mundo será sempre estúpido.
Além da beleza, a delícia de partilhar inquietações filosóficas com uma mulher que amamos pode ser uma das maiores formas de amor romântico que existe. Infeliz aquele que não sabe disso.

Como fazer isso, gostando de Carnaval?



16 de set. de 2014

V.de Moraes!

O DESESPERO DA PIEDADE

Vinicius de Moraes

Meu senhor, tende piedade dos que andam de bonde
E sonham no longo percurso com automóveis, apartamentos...
Mas tende piedade também dos que andam de automóvel
Quando enfrentam a cidade movediça de sonâmbulos, na direção.

Tende piedade das pequenas famílias suburbanas
E em particular dos adolescentes que se embebedam de domingos
Mas tende mais piedade ainda de dois elegantes que passam
E sem saber inventam a doutrina do pão e da guilhotina.

Tende muita piedade do mocinho franzino, três cruzes, poeta
Que só tem de seu as costeletas e a namorada pequenina
Mas tende mais piedade ainda do impávido forte colosso do esporte
E que se encaminha lutando, remando, nadando para a morte.

Tende imensa piedade dos músicos dos cafés e casas de chá
Que são virtuoses da própria tristeza e solidão
Mas tende piedade também dos que buscam silêncio
E súbito se abate sobre eles uma ária da Tosca.

Não esqueçais também em vossa piedade os pobres que enriqueceram
E para quem o suicídio ainda é a mais doce solução
Mas tende realmente piedade dos ricos que empobreceram
E tornam-se heróicos e à santa pobreza dão um ar de grandeza.

Tende infinita piedade dos vendedores de passarinhos
Que em suas alminhas claras deixam a lágrima e a incompreensão
E tende piedade também, menor embora, dos vendedores de balcão
Que amam as freguesas e saem de noite, quem sabe onde vão...

Tende piedade dos barbeiros em geral, e dos cabeleireiros
Que se efeminam por profissão mas que são humildes nas suas carícias
Mas tende mais piedade ainda dos que cortam o cabelo:
Que espera, que angústia, que indigno, meu Deus!

Tende piedade dos sapateiros e caixeiros de sapataria
Que lembram madalenas arrependidas pedindo piedade pelos sapatos
Mas lembrai-vos também dos que se calçam de novo
Nada pior que um sapato apertado, Senhor Deus.

Tende piedade dos homens úteis como os dentistas
Que sofrem de utilidade e vivem para fazer sofrer
Mas tende mais piedade dos veterinários e práticos de farmácia
Que muito eles gostariam de ser médicos, Senhor.

Tende piedade dos homens públicos e em particular dos políticos
Pela sua fala fácil, olhar brilhante e segurança dos gestos de mão
Mas tende mais piedade ainda dos seus criados, próximos e parentes
Fazei, Senhor, com que deles não saiam políticos também.

E no longo capítulo das mulheres, Senhor, tende píedade das mulheres
Castigai minha alma, mas tende piedade das mulheres
Enlouquecei meu espírito, mas tende piedade das mulheres
Ulcerai minha carne, mas tende piedade das mulheres!

Tende piedade da moça feia que serve na vida
De casa, comida e roupa lavada da moça bonita
Mas tende mais piedade ainda da moça bonita
Que o homem molesta - que o homem não presta, não presta, meu Deus!

Tende piedade das moças pequenas das ruas transversais
Que de apoio na vida só têm Santa Janela da Consolação
E sonham exaltadas nos quartos humildes
Os olhos perdidos e o seio na mão.

Tende piedade da mulher no primeiro coito
Onde se cria a primeira alegria da Criação
E onde se consuma a tragédia dos anjos
E onde a morte encontra a vida em desintegração.

Tende piedade da mulher no instante do parto
Onde ela é como a água explodindo em convulsão
Onde ela é como a terra vomitando cólera
Onde ela é como a lua parindo desilusão.

Tende piedade das mulheres chamadas desquitadas
Porque nelas se refaz misteriosamente a virgindade
Mas tende piedade também das mulheres casadas
Que se sacrificam e se simplificam a troco de nada.

Tende piedade, Senhor, das mulheres chamadas vagabundas
Que são desgraçadas e são exploradas e são infecundas
Mas que vendem barato muito instante de esquecimento
E em paga o homem mata com a navalha, com o fogo, com o veneno.

Tende piedade, Senhor, das primeiras namoradas
De corpo hermético e coração patético
Que saem à rua felizes mas que sempre entram desgraçada
Que se crêem vestidas mas que em verdade vivem nuas.

Tende piedade, Senhor, de todas as mulheres
Que ninguém mais merece tanto amor e amizade
Que ninguém mais deseja tanto poesia e sinceridade
Que ninguém mais precisa tanto de alegria e serenidade.

Tende infinita piedade delas, Senhor, que são puras
Que são crianças e são trágicas e são belas
Que caminham ao sopro dos ventos e que pecam
E que têm a única emoção da vida nelas.

Tende piedade delas, Senhor, que uma me disse
Ter piedade de si mesma e de sua louca mocidade
E outra, à simples emoção do amor piedoso
Delirava e se desfazia em gozos de amor de carne.

Tende piedade delas, Senhor, que dentro delas
A vida fere mais fundo e mais fecundo
E o sexo está nelas, e o mundo está nelas
E a loucura reside nesse mundo.

Tende piedade, Senhor, das santas mulheres
Dos meninos velhos, dos homens humilhados - sede enfim
Piedoso com todos, que tudo merece piedade
E se piedade vos sobrar, Senhor, tende piedade de mim