10 de dez. de 2019

streaming musical

Tivemos tão pouco tempo, tão imaturos fizemos uma casa, conhecemos horrores, nos enganamos sobre nós mesmos, um amargo gosto que ficou, fomos a lugares. E estranhamente, ainda não sei se você preferia água gelada ou fresca, Godard ou Truffaut.
Um show de uma cantora em Bh, eu triste por estar passando por um termino. Havia sido apresentada a um curso numa escola de teologia que trazia um tipo de revolução calvinista e leitura da cultura, e você não sabia nada sobre o autor de crônicas de Narina, você estava no lugar certo, e era nosso primeiro ensaio de uma dança que logo aconteceria. Com camisa jeans, salvo engano e uma cara meio menino bagunceiro, meio príncipe uma coisa desculpando a outra, bati os olhos nos seus e ali fiquei pensando quem, afinal, era você.
Ok, eu te achava bonitinho, mas isso era o de menos: o que realmente me desafiava era a sua fama de esquisito. E aquela gargalhada que você me tirava quando me ligava por horas. Sim, você tinha fama de esquisito, não vem dizer que não sabia. Essas famas, aliás, no plural: alternativo, mulherengo, viado, religioso. Eu te achava pretensioso e confiante, embora tudo isso estivesse disfarçado de simplicidade, o que tornava tudo mais enigmático. Eu realmente não te decifrava.
É verdade que você viajava muito, falava muito, o que eu achava uma graça de tão ingênuo. E me ouvia. Você me ouvia. E não fazia ideia de como tantos traumas iam nos atropelar mais pra frente, por conta daquelas historias e lacunas e medos.
 Essa era a melhor parte, você estava ali me ouvindo e se ouvindo e Deus nos ouvindo. E a gente respirava tão de pertinho e ali não cabia nenhuma maldade, e era tudo uma outra frequência e seguro. Admito que estar sempre lendo livros enormes e não tinha ninguém que me ouvisse sobre eles a não ser você e  não era nada sensual como as outras garotas, eu não sei nada sobre sensualidade, e falávamos sobre qualquer assunto no twitter e isso pesou pra que em uma semana eu mudasse a sua classificação de cantor-de-igreja-que-canta-e-finge-que-entendeu-agnusdei  pra cantor-que-quer-um-dia-cantar-tudo-e-entender-angnusdei.
O que mudou tudo. Você não fazia ideia.
A questão é que ficamos meio amigos. Meio porque não dava pra ser inteiro. Com aquela respiração tão de pertinho doce e quente.  Meio porque assim conseguimos suspender um encontro que só aconteceria três anos depois, quando eu te convidei pra passar um tempo em Beagá, comigo falado sobre seu termino, em um bar de rua, onde o maior sinal da folia era a nossa alegria em estar. E você nem ai. E eu pude enfim me apaixonar, totalmente Colombina.
Peça de venda

Eu estava recém-separada e com aquele discurso cafona de não querer nunca mais. Mas aí você começou a jogar sujo, e fez coisas terríveis e imperdoáveis, como brincar com o meu filho e saber sobre as coisas mais escondidas dentro de mim e não me julgar. E eu fui te estudando desesperadamente pra descobrir seus defeitos, porque não era possível alguém acordar bem-humorado e ainda por cima fazer a capela das minhas musicas favoritas. Ter coisas tão difíceis e ser doce.  E assim eu fui ficando... uma semana, um mês, anos.

E assim você foi embora. Num terror absoluto. Igual a musica “Olhos nos Olhos”,  eu quase morri, adoeci de uma mistura de todos os sentimentos, fora a doença que eles acharam para explicar o tudo que havia sido ate ali,  um pouco de magoa, tristeza e muita dor, disse que preferia me ver no caixão, ou te ver no caixão do que ter que estar viva pra te ver morrer na minha vida e vice e versa (..cantei mil vezes a Vultures e ainda não era aquilo que eu queria dizer, era ainda pior ) mas como aquela musica “Ele é” dos Arrais, levantei e fui viver.
Posso te pedir uma coisa?



Levanta também, não fica com ódio mais. Nem chora escondido porque desde o tempo em que respirávamos de pertinho eu reconheci que você era mais do que meu amigo, mas meu irmão de vida. Me perdoa. Não existe nada mais cafona que escutar musica para alfinetar o coração de alguém porque você mesmo não soube amar. Digo isso e penso em mim também. É bobo e mantém um vinculo de rancor completamente desnecessário. Amargura vira doença. Serio, meio que ta na Bíblia, na oração do Pai Nosso.
Os dias vão passando e eu percebo que tivemos uma vida, fizemos uma casa, um amor, (um amor tipo  Everything do Michael Bublé ) conhecemos alguns lugares. Mas eu, estranhamente, ainda não sei se você prefere água gelada ou fresca, Godard ou Truffaut, praia ou serra. Pagode ou o que. Eu também não sei nada sobre mim. Você não sabe nada sobre. Não importa mais.

Nosso lado B acabou aparecendo, não era tão perfeito como aparentava: a versão que sabia que jamais poderia ser perfeito, mas tentava ser como Jesus, conforme intuíamos, era uma peça de venda.

E aí eu me apaixonei ainda mais. E a paixão virou amor e amizade e tudo quebrado. Mas voltando, de mãos dadas e tão doente, doente cri, achei que fosse ser um lar um pro outro,  eu sou frágil e nunca tive coragem e o seu colo era o meu lugar, e foi só dor por cima de outras novas dores.
Você acha que sabe tudo, o que é irritante. Você canta, não só em casa, mas no carro, em cima do Julian Casablancas, sem nem saber quem ele é, uma heresia. Só escuta radio popular. Você vira os personagens das suas musicas, não importa se é um canalha sentimental ou um monge, e o mundo que se adapte. Você é irritadinho no trânsito, do tipo vingativo. Você é um príncipe quando quer, um ser que quer conversar só muito depois das nove da manhã. E o pior: você gosta de ar-condicionado. Tem a ponta dos dedos gordinhos.
Mas por que escrevo tudo isso, pequenezas particulares que não interessam a ninguém? Ah, sim, porque essa semana (salvo engano) fez aniversario daquele dia da Marcela Tais em que eu te vi,  e eu queria te dizer uma coisa seriíssima.

É que te amo, serio igual o livro quatro amores me ensinou, mas eu também não gosto de você, daquele você, e daquela eu e não sei se existe alternativa pra isso, minhas expectativas trouxeram lembranças de dor e morte. Nunca vamos saber se estávamos  certos ou errados, você não confia em si mesmo, então como vai confiar em alguém alem do seu umbigo. Como vai conseguir doar o poder? Eu tenho um baita medo do “seu desejo será para... e ele te dominará” eu não entendo nada sobre isso. NADA. Porque não falou que não queria  nos? Antes de virarmos nós. Me desculpa. Se você quiser renovar a vida e fingir que não existiu nada daquela dor, que foi tudo minha culpa,  pode contar comigo, eu finjo.

Eu só gostaria de manter o respeito e a alegria leve. Tem perdão de pecados e justificação disponíveis. Tem Romanos e Cinema...Godard ou Truffaut
Não ria da minha ingenuidade. Eu não rio da sua.   




uma musica linda nesses dias; Djavan cantando Correnteza. 



3 de dez. de 2019

Trindade: mitos de seus opositores

1) A Trindade é uma doutrina de homens.
R.: Não há doutrina divina que não passe pela interpretação humana. Deus quis que fosse assim, por isso, disse que o Espírito nos guiaria a toda verdade. A interpretação sempre esteve no cristianismo desde seu nascimento. Lembra de Atos 8? O etíope não sabia o que estava no profeta, Felipe interpretou.

2) Trindade é uma palavra que não está na Bíblia.
R.: A palavra "Bíblia" também não aparece na Bíblia, mas usamos o termo para nos referir ao conjunto de obras que consideramos infalíveis e divinamente inspiradas. Um termo não bíblico, para se referir à Bíblia. Trindade é o "apelido" para uma série de verdades bíblicas, que se harmonizam, nos revelando a natureza de Deus.

3) Trindade é idolatria, politeísmo ou triteísmo.
R.: Jamais. A Trindade foi elaborada justamente para proteger a fé cristã de uma interpretação não-monoteísta. O arianismo, a primeira heresia a respeito da natureza de Deus, sustentava que Cristo era a mais elevada das criaturas, e que ele era o que havia de mais próximo da divindade. Por isso, uma "criatura divina". O que o colocava na condição de um "outro" deus, e pior um "deus criado". O que implicaria em um golpe direto nas incontáveis afirmações bíblicas sobre a unidade de Deus. Idolatria é adorar a criatura ao invés do criador. Foi nisso que deu a primeira tentativa de oposição à Trindade.

4) A Trindade é de origem pagã, pois em várias culturas pagãs encontram-se tríades (trios de deuses).
R.: Em todas estas culturas não há nada equivalente à afirmação trinitária de que a natureza destas divindades é única e indivisível. Ao contrário, cada uma das divindades que formam a tríade divina pagã, possuem natureza ou "seres" distintos. São três divindades. Afirmar isso, na trindade, seria heresia. Quando se fala "três" na trindade, não tem o mesmo sentido de quando se diz "um". No paganismo, a unidade é mero "sinergismo", e as divindades são diversificadas. No cristianismo, a unidade é essencial, a natureza divina é una e indivisível. Enquanto que nesta unidade divina, há uma diversidade de "personas" (pessoas), cada qual cumprindo uma função ou papel distinto na divindade. Logo, dizemos "três" em referência às distinções entre Pai, Filho e Espírito Santo. Mas, dizemos "um" quanto à divindade.

5) Mas, cristãos dizem "Deus Pai", "Deus Filho" e "Deus Espírito Santo", pra mim parece óbvio que são três deuses.
R.: Mais uma falha na compreensão da história e do desenvolvimento da doutrina cristã. Nenhum dos precursores na compreensão teológica da divindade na trindade, quando usavam a expressão "Deus" três vezes, pensavam em três divindades independentes. Pensavam, que os três compartilham de uma única natureza. Como disse Atanásio: "O Pai é Deus, o Filho é Deus e o Espírito Santo é Deus, mas não são três deuses." O uso triplo da expressão é apenas para expressar de forma didática que as pessoas da trindade compartilham de uma única natureza divina.

6) Vocês se isentam do debate sobre a Trindade, se escondendo atrás do argumento do "mistério".
R.: O argumento do mistério é uma questão de modéstia. A divindade em um sentido é inescrutável, mas quis se revelar por meio das Escrituras e por sua criação. Sendo estas as fontes que temos, podemos sim, vislumbrar e tirar algumas conclusões sobre o que Deus é e não é. Mas, não podemos tirar conclusões a ponto de esgotar a divindade. Em um sentido, Deus é mais do que a trindade pode explicar, mas em outro sentido, este Deus não pode ser menos do que isso.

7) A Trindade não é relevante para minha salvação.
R.: A Trindade não é meramente uma doutrina com implicações intelectuais. Ela é a narrativa ou história de como Deus se revelou e salvou os homens. Se Cristo não for plenamente divino, como Deus aplacaria o pecado? Se Cristo não for plenamente humano, que humanidade ele está salvando? Se o Espírito Santo não for plenamente divino, como podemos dizer que temos um relacionamento com Deus? Afinal, o Pai é exaltado, o Filho está a sua destra e tem a exclusividade da mediação com o Pai, e sendo nossa relação com Deus o Pai, em Cristo e no Espírito Santo. Seria impossível pensar em um relação com Deus fora do Espírito. E pior, se o Espírito Santo é mera energia impessoal, estamos lascados, pois nosso acesso à Cristo dá-se pelo Espírito Santo. E é inadmissível que uma "energia" seja nossa interface de contato com Cristo. Uma leitura cuidadosa de Efésios 1, pode-se ver que Pai, Filho e Espírito Santo, cooperam em uma harmoniosa obra para "eleger" (Pai), "redimir" (Filho) e "selar" (Espírito Santo). Então, tenha cuidado ao dizer que a Trindade não é relevante para a salvação.

Bem, desculpem, mas escrevi este texto depois de um café do Sul de Minas, precisava dar explicações para perguntas que são absurdamente frequentes. Revisarei o texto depois, vão lendo aí.

Autor: 

CREIO PARA COMPREENDER;

Um Guia para a Formação Espiritual

Franklin Ferreira05 de Fevereiro de 2014 - Vida Cristã
Nas últimas duas décadas, a palavra discipulado foi suplantada pelo termo espiritualidade. O que aparentemente era algo restrito à devoção católica se tornou um dos aspectos centrais do interesse evangélico atual. Uma definição mais básica de espiritualidade cristã é que esta seria o relacionamento profundo com Deus Pai, mediado pela cruz de Jesus Cristo, no poder do Espírito Santo. Indo um pouco além, Alister McGrath sugere que a espiritualidade cristã é:
A busca por uma existência cristã autêntica e satisfatória, envolvendo a união das ideias fundamentais do cristianismo com toda a experiência de vida baseada em e dentro do âmbito da fé cristã. (...) No cristianismo, a espiritualidade significa viver o encontro com Jesus Cristo. A expressão ‘espiritualidade cristã’ refere-se a como a vida cristã é entendida e às práticas devocionais explícitas desenvolvidas com vistas a nutrir e sustentar esse relacionamento com Cristo. A espiritualidade cristã pode, então, ser compreendida como a maneira pela qual indivíduos ou grupos cristãos buscam aprofundar sua experiência com Deus ou ‘praticar a presença de Deus’, para usar uma frase associada particularmente ao Irmão Lourenço.
Sublinhando a união entre as verdades cristãs e uma vida devota, ele escreve mais adiante:
A espiritualidade é a aplicação da verdade cristã à vida de fé. (...) Ela procura colocar Deus no coração e na mente. A espiritualidade ocupa-se do aprofundamento do conhecimento pessoal de Deus, ela se baseia em uma boa teologia, que alicerça a vida cristã. (...) Colocar uma barreira entre teologia e espiritualidade é pedir a duas pessoas apaixonadas que se relacionem friamente.
Assim sendo, de acordo com McGrath, a espiritualidade cristã é “um dos assuntos mais fascinantes que alguém pode estudar”.
Este livro se propõe a ser uma introdução à história da espiritualidade cristã, a partir da vida de trinta e dois importantes personagens da história da igreja. Em ordem cronológica, são eles: Policarpo de Esmirna, Irineu de Lião, Atanásio de Alexandria, Basílio de Cesaréia, Agostinho de Hipona, Leão Magno, Bento de Núrsia, Anselmo de Cantuária, João Wycliffe, João Huss, Tomás de Kempis, Martinho Lutero, Filipe Melanchthon, Ulrico Zuínglio, João Calvino, William Tyndale, Richard Baxter, John Bunyan, Blaise Pascal, Johann Sebastian Bach, Jonathan Edwards, John Wesley, William Carey, William Wilberforce, José Manoel da Conceição, Charles Spurgeon, Abraham Kuyper, Karl Barth, Dietrich Bonhoeffer, C. S. Lewis, Francis Schaeffer e D. M. Lloyd-Jones.
Muito já se escreveu sobre a espiritualidade cristã, sob os prismas devocionais ou pastorais. Em inglês, existem obras que cobrem a história da espiritualidade. Mas, em português, ainda que tenhamos bons livros publicados sobre devoção e espiritualidade, somente recentemente começou-se a publicar algumas obras sobre a história da espiritualidade. Este livro tenta preencher tal lacuna, na medida em que considera a vida de alguns dos principais pensadores cristãos como o terreno onde a devoção e a espiritualidade cristã foram formadas. Assim, busco demonstrar a ligação entre devoção disciplinada, erudição, produção teológica e renovação eclesial e social.
As personagens tratadas nesse livro foram escolhidas obedecendo a três critérios. O primeiro considerou a influência que certos personagens têm em toda a igreja cristã, não apenas uma denominação ou segmento. Aqui podemos destacar Irineu, Atanásio, Basílio, Agostinho, Leão, Anselmo, Lutero, Calvino e Barth, cujos escritos e influência permanecem até hoje conosco. A bibliografia produzida acerca destes personagens e de seus escritos teológicos é imensa, o que dá testemunho de sua influência duradoura. O segundo critério foi a influência salutar que alguns destes personagens podem desempenhar, se forem descobertos por pastores e líderes evangélicos no Brasil. Aqui podem ser nomeados Policarpo, Bento, Tomás de Kempis, Baxter, Bunyan, Edwards, Wilberforce, Conceição, Spurgeon, Kuyper, Lewis, Schaeffer e Lloyd-Jones. A vida e obra de cada um destes personagens merecem um estudo mais aprofundado por parte dos cristãos brasileiros. E o último critério foi o interesse desse autor em pesquisar mais sobre estes personagens. Obviamente, tal interesse se estende a todos os biografados. Mas pode-se citar, mais especificamente, Wycliffe, Huss, Melanchthon, Zuínglio, Tyndale, Pascal, Bach, Wesley, Carey e Bonhoeffer.
Nessa nova edição há dois capítulos inéditos, que tratam de Karl Barth e Dietrich Bonhoeffer. Preciso, nesse ponto, oferecer uma explicação da inclusão destes dois personagens nessa obra.
Ao fim do século xix, as igrejas reformadas e luteranas na Suíça e na Alemanha haviam sido seduzidas pela teologia liberal. Karl Barth não apenas rompeu com este método teológico, mas também o criticou de forma veemente e definitiva, e ele deve receber o crédito por este feito. Ele escreveu o comentário à Carta aos Romanos, considerado um dos mais importantes tratados teológicos do século xx, no qual criticou impiedosamente o liberalismo teológico e o sentimentalismo religioso.
Curiosamente, na atualidade, alguns tentam buscar respaldo em Barth para justificar posições liberais, opostas às doutrinas centrais da fé cristã. Estes tomam um elemento isolado dos escritos de Barth e a empregam para fazer conexões com, por exemplo, a teologia da esperança - a qual ele não conseguia diferenciar do “princípio esperança” marxista. Este é um tipo de apropriação que ele, sem dúvida, repudiaria.
Barth ainda é um teólogo influente na atualidade, ensinando a muitos a fazer teologia confessional, a escrever em diálogo com os Pais da Igreja e os reformadores do século xvi, a basear as formulações dogmáticas numa exegese do texto bíblico centrada em Cristo Jesus e a ambicionar uma teologia sistemática esteticamente bonita.
Portanto, ainda que discordemos da interpretação de Barth sobre a Criação, de sua compreensão da inspiração da Escritura, e de sua explicação da predestinação, deve-se admitir que ele foi um dos grandes teólogos do século passado. Michael Horton avaliou judiciosamente a importância deste escritor para a igreja cristã:
Quaisquer sejam suas deficiências com respeito a sua própria doutrina das Escrituras, o projeto de Barth ao menos representa uma revolução copérnica na história da teologia moderna no que diz respeito ao menos a este ponto: opondo-se ao antropocentrismo do neo-protestantismo com um teocentrismo absoluto que direcionou novamente a luz sobre a iniciativa divina. Deus não apenas determina a resposta, mas também as perguntas. Temos todas as razões para desafiar a doutrina da Palavra de Deus de Barth, mas no que diz respeito à fonte da teologia, estamos juntos: a Escritura, e não a igreja ou a cultura é a norma normans non normata (a norma que normatiza, mas ela própria não é normatizada).
Baseando-se na herança do pietismo, (…) outros [autores] que defendem um evangelicalismo pós-conservador normalmente exibem uma visão mais schleiermachiana que bartiana das Escrituras e da doutrina. Enquanto Barth falou claramente sobre pecado e graça, a pregação e a teologia evangélica de hoje tendem a falar em termos de disfunção e recuperação, distendendo a missão de Cristo ao ‘encarnar’ seu amor e vida transformadora. Barth estava convencido que seres humanos não poderiam contribuir para sua própria redenção e que nada menos que um ato soberano da misericórdia divina era necessário [para tal]. Por contraste, o evangelicalismo está sendo crescentemente inundado por um pelagianismo prático que justifica a avaliação de Bonhoeffer de que o cristianismo americano é um ‘protestantismo sem reforma’. Atualmente, um número crescente de teólogos evangélicos compartilha o antigo desconforto liberal com a doutrina do sacrifício substitutivo de Cristo, enquanto (...) estudantes e admiradores de Barth o defendem. Alguns evangélicos contemporâneos demonstram uma maior abertura a outras religiões como fontes de revelação redentiva, enxergando o evangelho em termos de seguir o exemplo de Cristo (...). Qualquer que seja nossa posição sobre as tendências ‘otimistas’ de Barth em direção ao universalismo, elas são embasadas em sua visão da graça e eleição divina, com Cristo somente como o fundamento. Em outras palavras, o monergismo do cristianismo reformado tem Barth como seu defensor corajoso, em contraste com o evangelicalismo (...). Na terra do ‘protestantismo sem a reforma’, Barth é, de fato, uma voz revigorante. Eu me junto à galeria dos admiradores, especialmente quando as alternativas são o liberalismo ou o fundamentalismo, movimentos que têm mais em comum um com o outro (a saber, a herança pietista) que com o cristianismo reformado. Cristãos reformados confessionais podem aprender muito de Barth (...). No entanto, estou convicto de que onde estas estradas divergem, ocorre um declínio ao invés de uma renovação do legado reformado. Barth permanece como uma figura importante com que se pode contar, não para ser levianamente desconsiderado, nem para ser abraçado sem crítica. Para o bem ou para o mal, sua voz ainda é ouvida entre nós.
Então, usando as palavras de Barth com uma ênfase um pouco diferente, nos entristecemos em discordar dele, contudo somos compelidos a isto em obediência às Escrituras. Mas isso não anula sua importância para a história da igreja e o estudo da fé cristã.
Sobre Dietrich Bonhoeffer, é necessário lembrar que foi somente após 1950 que seus escritos ocasionais e fragmentários foram redescobertos. E estes foram interpretados muitas vezes por meio de especulação ou mera projeção. Infelizmente, como disse Ernesto Bernhoeft, “muitas expressões [de Bonhoeffer, especialmente em Resistência e submissão,] foram interpretadas erroneamente ou sequer foram entendidas”. Então, de acordo com Eberhard Bethge, intérpretes liberais falharam em manter uma continuidade entre seus escritos mais antigos, cujo teor ele mantinha integralmente, e suas cartas da prisão, extrapolando suas ideias “no interesse do marxismo”, citadas como inspiradoras de metodologias teológicas tão díspares como as teologias da libertação latino-americanas e a teologia da morte de Deus anglo-saxônica.
Muitos evangélicos rejeitam os escritos de Bonhoeffer, tratando-os como mera variante do liberalismo teológico do século xix. Com isso, estes deixam de se beneficiar de livros valiosos para a fé cristã, como Vidaem comunhão Discipulado, e perdem de vista percepções instigantes e provocadoras, como: a religião como idolatria; o tenso equilíbrio entre o viver no mundo “como se Deus não existisse” e a necessidade da “disciplina do segredo” (disciplina arcani) por parte da igreja; e a fraqueza de Deus em Cristo revelada na cruz.
No entanto, de seus escritos emerge um quadro teológico com nuances e complexidades, e tanto evangélicos como liberais permanecem desconfortáveis diante do quadro maior, no qual a sua oposição política ao nazismo foi resultado direto de sua teologia. Mas a pergunta importante é: o que podemos aprender dos escritos de Bonhoeffer para sermos melhores cristãos? Logo, ainda que discordando de algumas de suas posições, reconheço que ele foi um seguidor de Cristo, que cria no evangelho, e que a nossa fé pode ser encorajada pela leitura de suas obras e do estudo de sua vida.
Ainda que este livro tenha uma perspectiva histórica, os estudos de tais biografias, juntas, nos fornecem pistas para uma teologia da espiritualidade cristã. Mas, antes, é necessário fazer um alerta ao leitor: estas personagens nos lembram da imagem bíblica de que a vida cristã é uma peregrinação (1Pe 2.11), e, como peregrinos, exemplificam a multiforme sabedoria de Deus (Ef 3.10) e combatem a popular ideia de que há um modelo único, normativo, de espiritualidade cristã.
Levando-se em consideração que se tornou tão comum criar categorias rígidas para julgar a devoção – com o surgimento de rótulos banais e superficiais –, essas vidas lembram que nossa peregrinação cristã é individualizada e não pode ser resumida a chavões. Cada um de nós dará contas de si mesmo a Deus. Por isso, não existe um modelo pelo qual nossa espiritualidade deva ser medida. A devoção não pode ser resumida a caricaturas simplistas ou reducionistas. Em outras palavras, não existe um modelo único de espiritualidade cristã. O que devemos aprender de mais importante é que a espiritualidade e a devoção não devem ser exibidas (Mt 6.1-8). As personalidades retratadas neste livro não gastaram seu tempo falando das próprias experiências com Deus, mas empreenderam a vida para promover a glória de Deus no sacrifício de seu Filho bendito, recebido por meio do Espírito e ensinado e afirmado na Escritura.
Podemos, então, resumir dez princípios teológicos que emergem deste estudo histórico.
  1. O primeiro princípio é que na vida de todas as personagens aqui estudadas é enfatizada a conversão do pecado, como fruto da graça livre e soberana de Deus. Isso é exemplificado especialmente na vida de Agostinho, Lutero, Pascal, Wesley e Lewis. Como resultado, esses homens se percebiam peregrinos, cuja pátria está nos céus. A grande ambição da vida deles era a glória de Deus, e para isso viveram, escreveram, pregaram e serviram ao bem comum. 
  2. Podemos constatar que a espiritualidade na vida dos nossos biografados é moldada pela Escritura. Deus revela seu amado Filho nas Escrituras, inspiradas pelo Espírito Santo e, por isso, sem erro. Kenneth Kantzer nos diz que a Bíblia, assim como Martinho Lutero nos ensinou muitos anos atrás, é o berço pelo qual Cristo vem a nós. Se tirássemos o bebê do berço e o colocássemos na rua, ele morreria. E se o berço fosse instável e fraco, prejudicaria a segurança do bebê. Da mesma maneira, a doutrina da inerrância é a salvaguarda de uma fé cristã saudável e completa.Em conexão com isto, nossas personagens enfatizaram fortemente uma teologia exegética e bíblica. George Eldon Ladd nos diz que: 
  3. A teologia bíblica é a disciplina que estrutura a mensagem dos livros da Bíblia em seu ambiente formativo histórico. A teologia bíblica é primariamente uma disciplina descritiva, cuja abrangência não busca primeiramente o significado final dos ensinos da Bíblia ou sua relevância para os dias atuais, uma tarefa da teologia sistemática. A tarefa da teologia bíblica é expor a teologia encontrada na Bíblia em seu contexto histórico, com seus principais termos, categorias e formas de pensamento. O propósito óbvio da Bíblia é contar a história a respeito de Deus e de seus atos na história para a salvação da humanidade.
    Ainda que concordando com a definição de Ladd, devemos ir além, e afirmar que o propósito da teologia bíblica não é ser meramente descritiva. A teologia bíblica tem um papel também normativo, uma vez que demonstra o significado do texto e sua relevância para a vida cristã. Isso pode ser exemplificado nas Institutas da religião cristã, de João Calvino. Exposta de maneira sistemática, a teologia presente nesta obra, desenvolvida em torno do Credo dos Apóstolos, começa com a compreensão do texto bíblico em seu contexto histórico. Por esta característica, as Institutas se tornaram, nas palavras de Alister McGrath, “uma declaração definitiva sobre a natureza da fé cristã (...), a obra teológica de maior influência da Reforma Protestante”.
    Essa teologia também está unida à pregação e ao uso da imaginação. Como modelo de teólogos criativos e bíblicos, temos Irineu, Basílio, Agostinho, Leão, Lutero, Calvino, Edwards e até mesmo Barth. Nos textos deles, o uso das ferramentas filosóficas está a serviço do estudo das Escrituras. Por outro lado, em Lloyd-Jones, Spurgeon e Wesley temos modelos de grandes pregadores, cuja mensagem era centrada em Cristo Jesus, morto e ressurreto, e que construíram sobre o legado de seus predecessores. E em Bunyan, Bach e Lewis temos modelos do uso da imaginação, saturada da linguagem das Escrituras, sempre para a edificação da igreja e para a glória de Deus.
  4. Outra característica que se destaca é um forte senso de inadequação para o ministério cristão, e isso está presente em quase todos os biografados, mas é exemplificado especialmente na vida de Atanásio, Agostinho e Calvino. Quando completou oitenta anos, Karl Barth comparou seu próprio trabalho como teólogo ao jumento que carregou Jesus Cristo para Jerusalém (Mt 21.1-3): 
  5. Se fiz alguma coisa nesta minha vida, o fiz como parente do jumento que seguiu seu caminho carregando um importante fardo. Os discípulos haviam dito a seu dono:‘O Senhor precisa dele.’ E, assim, parece que agradou a Deus ter-me usado nesse tempo, exatamente como eu era, a despeito de todas as coisas, as coisas desagradáveis, que muito corretamente são e serão ditas sobre mim. Assim fui usado. (...) Apenas aconteceu de eu estar no ponto certo. Uma teologia um pouco diferente da teologia usual fazia-se claramente necessária em nossa época, e foi-me permitido ser o jumento que carregou essa teologia melhor ao longo de parte do caminho, ou tentou carregá-la da melhor forma que pude.
    Como veremos, todos eles foram pastores e reformadores relutantes. Sabiam que eram pequenos para a grande tarefa à qual Deus os chamou. Sabiam que sua suficiência estava em Deus. Por isso, relutaram em entrar para o ministério cristão. Alguns chegaram a lutar para não entrar no ministério cristão! Eles sabiam que pecadores falarem do Deus vivo para outros pecadores não era uma tarefa corriqueira.
  6. O teólogo reformado holandês G. C. Berkouwer disse certa vez para seus alunos na Universidade Livre de Amsterdã que todos os grandes teólogos começam e terminam a sua obra com uma doxologia. Na vida das nossas personagens, piedade e louvor caminham lado a lado com erudição e conhecimento. Não há uma falsa polarização, tão comum em nosso tempo, entre estudo e devoção ou luz e paixão nesses homens, e isso pode ser visto nas obras de Irineu, Atanásio, Agostinho, Lutero, Calvino, Edwards e Barth. Eles escreveram e pensaram para a glória de Deus e edificação da igreja. 
  7. A maioria das personagens que estudaremos nesta obra foram pastores – e grandes pastores. E, neles, as artes esquecidas do discipulado, da mentoria, da catequese e da evangelização estavam unidas. Vemos isso especialmente em Bento, Tomás de Kempis, Baxter, Wesley, Conceição e Bonhoeffer. 
  8. Essas personagens moldaram o que tem sido chamado de cosmovisão cristã, isto é, uma visão integral da obra de Deus na criação e restauração de todas as coisas, com suas abrangentes aplicações para a vida espiritual, social e cultural. Isso é notado sobretudo em Kuyper, mas também em Schaeffer.
  9. A fé que esses homens tinham na graça de Deus também estava ligada ao seu serviço à sociedade. Eles se dedicaram não apenas à igreja, mas serviram a homens e mulheres de forma integral. Fundaram escolas, universidades, hospitais, lutaram pela abolição da escravatura, traduziram Bíblias e alimentaram os pobres. Essa característica é notada principalmente em Basílio, Melanchthon, Wilberforce e Kuyper. 
  10. No estudo dessas personagens, devemos destacar a ênfase na comunhão dos santos. Pode ser de ajuda ter em mente que a igreja cristã estava unida até o século xi, quando a igreja ocidental e a igreja oriental se dividiram. E, no século xvi, a igreja ocidental novamente se dividiu, durante a reforma protestante, quando a mensagem central das Escrituras foi redescoberta – Deus salva pecadores somente pela graça, recebida pela fé somente. 
  11. Principais Ramos da Igreja Cristã
    séc. I ao séc. XI       A Igreja Cristã
    século XI       Católica Ocidental       Católica Oriental
    século XVI       Protestante       Católica Romana       Católica Oriental       Igrejas Protestantes
    século XVI       Anabatista    Reformada       Luterana       Anglicana
    século XVII       Puritanos (presbiteriana, congregacional, batista)
    século XVIII       Metodista
    século XX       Pentecostal
    Adaptado de What It Means To Be Reformed: An Identity Statement. Grand Rapids, MI: CRC, 2002, p. 8.
    O gráfico anterior pode ajudar o leitor a situar as várias personagens deste livro no ramo denominacional a que pertencem, e seu lugar na história da igreja. Mas, ao mesmo tempo, devemos lembrar o que o famoso evangelista inglês do século xviii, George Whitefield, afirmou, num sermão:
    Pai Abraão, quem está com você nos céus? Os episcopais? Não! Os presbiterianos? Não! Os independentes ou metodistas? Não, não, não! Quem está com você? Nós, aqui, não sabemos seus nomes. Todos os que estão aqui são cristãos (...). É esse o caso? Então, Deus, nos ajude a esquecer o nome de grupos e nos tornarmos cristãos de verdade.
    A vida desses homens nos lembra que a igreja é maior que uma denominação. Na Escritura, o vocábulo igreja nunca é usado para designar um prédio, uma denominação ou a influência cristã na sociedade, mas a grupos locais reunidos para ouvir a Palavra de Deus (At 8.1; Rm 16.16; 2Ts 1.4), e a todo o povo de Deus, através dos séculos (Mt 16.18; 1Co 15.9; Ef 5.25). A igreja é composta de todos aqueles que confiam e descansam apenas no sacrifício único de Cristo na cruz. Então, somos chamados a apreciar a multiforme graça de Deus que age além da denominação à qual pertencemos. Como bem lembra Bruce Shelley:
    A ideia [do termo denominação] remonta a uma ala minoritária do partido puritano na Inglaterra do século xvii. Na Assembleia de Westminster (1643) havia um grupo de independentes [congregacionais (...)]. Esses homens chegaram à conclusão de que a condição pecaminosa do ser humano, até mesmo dos cristãos, tornava impossível a compreensão da plena e clara verdade de Deus. Desse modo, nenhum conjunto único de crenças poderia jamais representar plenamente a exigência total de Deus sobre a mente e o coração dos crentes, e nenhum corpo único de cristãos poderia afirmar ser a verdadeira igreja de Deus sem considerar outros crentes em outros grupos. Assim sendo, na mente desses puritanos, a palavra denominação implicava em que um corpo particular de cristãos (digamos, por exemplo, os batistas) era apenas uma parte da igreja cristã total, chamada – ou denominada – por seu nome especial, batista.
    Que o estudo dessas personagens nos estimule para que venha a ser verdade em nosso tempo o antigo dito cristão: “Em coisas essenciais, unidade; nas não essenciais, liberdade; em todas as coisas, caridade”.
  12. A vida dos biografados foi marcada por grande coragem. Eles dominaram seus medos e confiaram na graça e soberania de Deus. Eles seguiam a senda do Cristo sofredor. Isso é exemplificado na vida de Policarpo, Atanásio, Huss, Tyndale, Carey e Bonhoeffer. 
  13. Seguindo-se a esse ponto, em todas as personagens temos exemplificada a ligação entre devoção, avivamento e triunfo escatológico. Deus conduz sua igreja por meio de contínuos avivamentos na história, o que nos faz esperar pela vinda triunfante de Cristo no último dia. Por isso, nossas personagens continuaram a servir a Deus de forma corajosa, sem nunca ficarem desiludidos ou sem esperança. Já que o Senhor Jesus Cristo ressuscitou dentre os mortos, eles não seriam derrotados de forma alguma, se Deus estivesse ao seu lado. 
O teólogo medieval Pierre de Blois, que viveu cerca de trezentos anos antes de Lutero, afirmou que somos anões espirituais, e, quando estudamos os escritos dos gigantes do passado, no caso, os Pais da Igreja, nos colocamos sobre seus ombros, vendo mais longe. Sou devedor de vários escritores contemporâneos, sobretudo dos textos do eminente historiador metodista Justo Gonzalez. Mas, intencionalmente, evitei escrever um texto acadêmico. Por isso, ao final de cada capítulo, o leitor poderá encontrar não apenas sugestões de leituras para aprofundamento, mas também a recomendação dos livros escritos por esses homens, que, em nome de Cristo, nosso Senhor, fizeram a história da igreja, e que servirão de edificação, desafio, correção, conforto e estímulo em nossa peregrinação. Ao fim do livro são citadas outras obras em língua inglesa que foram úteis na preparação deste livro e que podem ter utilidade para o leitor.
O tema comum a todas as vidas abordadas neste livro é a glória de Deus. Que em tudo o Deus Trindade, Pai, Filho e Espírito Santo, receba a glória: “Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas. A ele seja a glória para sempre!” (Rm 11.36).
Fonte: Livro “Servos de Deus”, lançamento de fevereiro de 2014 da Editora Fiel, do autor Franklin Ferreira.
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AutorFranklin Ferreira
Franklin Ferreira é bacharel em Teologia pela Universidade Mackenzie e mestre em Teologia pelo Seminário Batista do Sul (RJ).

Natal Pagão? Calma



Imagine uma família cristã reunida à noite, entoando cânticos, orando e agradecendo ao Deus de Abraão, Isaque e Jacó ao redor de uma mesa pelo evento mais extraordinário que já aconteceu na história, o Natal. Imaginou? Agora imagine também dezenas de jovens cristãos indo para debaixo de um viaduto para celebrar o Natal com moradores de rua, levando a esperança cristã para essas pessoas. Imaginou novamente?
Pois então, uma pessoa que vê nisso tudo um evento pagão, simplesmente já perdeu qualquer capacidade de discernimento, bom senso e graça. Ela caiu em um moralismo legalista, vendo cisco nos olhos dos outros e esquecendo-se do tapume em seus próprios olhos. Gente preocupada com formas, mas que se vedou ao fato de que Cristo encheu nosso mundo de sentido.
Ninguém é obrigado a celebrar o Natal, isto não é uma ordenança bíblica. Mas alegar que um cristão é sincrético, pagão ou idólatra quando o celebra, para mim, é no mínimo, uma acusação desonesta e ingênua.
Cristãos celebram o nascimento de Cristo. A data em si é irrelevante, tanto assim que cristãos coptas e orientais celebram o Natal em outras datas diferentes do ocidental 25 de dezembro. O que importa mesmo é que se celebre o nascimento de Jesus, a encarnação do Verbo que é Deus.
Agora quero demonstrar que o paganismo daqueles que se opõem à celebração cristã do Natal é pior do que o suposto paganismo daqueles que o celebram. Geralmente as críticas são dirigidas ao uso da árvore de Natal, presépio, guirlandas ou o uso de velas do advento.
Não quero defender o simbolismo, sinceramente, isto é pouco relevante. Mas o que temo é a satanização de símbolos, datas e costumes, que hoje, assumem significados específicos dentro da cultura cristã. Símbolos não possuem uma “alma” ou estão possessos ou encantados por uma “ânima” ou “stoikeia”. Símbolos assumem significado dentro de um contexto cultural ou comunitário. Atribuir sentido a um símbolo de maneira contextualizada ou transferir significado de um contexto a outro, se não for intelectualmente desonesto, é no mínimo anacrônico. Símbolos são apropriados e (re)significados em determinados contextos comunitários.
Pagãos sacrificavam animais muito antes de Israel existir, mas quando Israel começou fazê-lo, o ato tinha um sentido muito específico no contexto de seu monoteísmo. Pagãos e politeístas possuíam templos e santuários, mas o santuário construído por Salomão tinha outro sentido teológico. Diversas culturas pagãs possuíam sacerdotes, mas o sacerdócio de Israel respeitava dinâmicas e práticas espirituais com raízes na revelação de YHVH. E, o que dizer, do termo “Elohim” em hebraico, que era amplamente usado pelo paganismo cananeu e sofreu uma apropriação monoteísta pelos israelitas? Parece óbvio que quando Moisés ou Jesus invocavam “Elohim” não chamavam por um deus ou deuses pagãos. Tampouco, quando Sarah chamava Abraão de “baali” (meu senhor ou meu marido) o chamava de “meu Baal” (como referência à divindade levantina).
Símbolos são impressões ou artefatos culturais com significado atribuído comunitariamente. Símbolos não possuem qualquer sentido fora de seus contextos de significado. Artefatos não são possuídos por espírito ou divindades em um sentido panteísta. A atitude de rejeitar símbolos ou datas, só porque, em hipótese, foram utilizados outrora em contextos pagãos com fins não-cristãos, é simplesmente pagã. Que ironia!
Símbolos ou datas são apenas símbolos ou datas, cuja atribuição de sentido é dada de forma diversificada dependendo do contexto que os interpreta. O hexagrama (conhecido como Estrela de Davi) era usado em diversas culturas pagãs, antes da cultura israelita. Quando visitei as ruínas da sinagoga de Cafarnaum em Israel, vi que um dos símbolos utilizados para decorar a mesma era o pentagrama, atualmente conhecido como um símbolo satanista. Entretanto, para os judeus da antiguidade, suas cinco pontas indicavam os cinco livros da Torah (o Pentateuco).
Símbolo é símbolo. Seu sentido é específico dentro de uma cultura específica. O que dizer das marcas irreparáveis do calendário pagão babilônico no calendário judaico-bíblico? O que dizer de reis pagãos que ao observarem a posição dos astros, a partir de sua astronomia tradicional, conseguiram prever o nascimento de Jesus em Belém da Judeia? Deus em sua graça comum, derramou “sementes do Verbo” no mundo, espalhou isso pelas nações. Ele pode usar um falso-profeta pagão como Balaão, uma prostituta pagã como Raabe, um altar pagão, como ao Deus Desconhecido em Atenas (At 17), para que sua verdade penetre em ambientes pouco familiarizados com a “linguagem de Sião”.
Neo-judaizantes são muito previsíveis: retórica primitivista, neo-farisaica, cheia de esnobismo cronológico e de purismo histórico. No afã de erradicar todo “paganismo” da igreja, caem em um tipo de gnosticismo, neoplatonismo… pagão. Como se fosse possível uma fé que ignora o trabalho do Espírito Santo ao longo da história.
Finalmente, você tem todo direito de não celebrar o Natal, obviamente, a data não é uma ordenança bíblica, como já dito. Porém, considerar ou acusar de pagão ou neopagão cristãos reunidos em família para celebrar e agradecer a Deus pelo que João disse: “O Verbo se fez carne e habitou entre nós” (Jo 1.14). Isto sim é pagão, muito pagão; é a mais pura perda de discernimento histórico e da noção de que Deus deu riquezas às nações e que o cristianismo vem resgatando tal patrimônio para a glória de Cristo.
Celebrarei o Natal com minha família mais um ano e não quero entregar o sentido deste dia e seu simbolismo ao mercado e ao secularismo. Esta glória daremos a Jesus Cristo.
Felix dies Nativitatis.

TEXTO : @igorpensar 

27 de fev. de 2019

A carne mais barata do mercado

Sobre os evangélicos que se libertaram do moralismo sexual repressor dos pastores fascistas: Ainda me surpreendo com essa ingênua concepção de Cristãos descolados de que a fé deveria se deitar para f**** com uma ou outra proposta pós-freudiana de sanidade-mental-por-meio-da-liberação-das-pulsões-eróticas, como se Marcuse & filhos fossem salvar o cristianismo de sua alegada vocação repressora, e quando os evangélicos estiverem todos comendo uns aos outros (sem culpa) como qualquer bom e decente cidadão moderno, o reino de Deus estará estabelecido na terra porque o amor cobre uma multidão de pecados, e o único pecado sem perdão é a injustiça social. E assim o fascismo será derrotado e Bolsonaro cairá. E serão mil anos de "todas as formas de amor" em todas as posições possíveis. Não, meu irmão, isso é só uma desculpa pra usar e descartar o corpo do outro e o seu próprio como lixo, como um celular velho. Deixa de ser safado, brother. Contenção sexual não é repressão, é o hábito e a virtude de não seguir a concupiscência do coração, entregando o corpo em adoração e protegendo o outro de você mesmo. É um dos frutos da esperança. Pois se Cristo não ressuscitou, “comamos uns aos outros porque amanhã morreremos”. Jesus queria viver, brother. Ele queria viver, arranjar uma mulher, casar, transar, ser feliz. Ele não queria beber aquele cálice. Ele pediu ao Pai pra viver. Mas então, com lágrimas de sangue, abriu mão da vida, do sexo, da honra, da conquista do trono em Jerusalém, e aceitou morrer NEGANDO-SE A SI MESMO. Tá achando demais abdicar da satisfação sexual e Afetiva pelo reino? E tem a cara de pau de dizer que segue o Jesus que negou a si mesmo quando não abre mão de sua felicidade e de nenhum direito e de nenhuma satisfação sexual? Pureza sexual não é nem o fim e muito menos o meio da vida cristã, é só o começo. Segundo Romanos 1 o pecado começa com idolatria e concupiscência. Deixar os deuses falsos e parar de pegar todo mundo é o começo da vida Cristã. Só é preciso falar disso o tempo todo porque um bando de crentes não sai da porta, ou fica de fora olhando pra dentro ou fica dentro olhando pra fora. Se não aguenta nem a contenção sexual, como vai enfrentar os mandamentos do amor? A pureza sexual não é o mais difícil nem o mais importante na vida cristã. Difícil é honrar os pais, cuidar dos amigos, amar a igreja de Jesus, não ficar cínico e sem esperança, não virar um fariseu legalista, crucificar o orgulho, buscar justiça, amar os inimigos, lavar os pés de Judas, isso é que é difícil. Se não consegue nem fechar as calças, vai amar os inimigos como? Larga a pilantragem e vai te converter, seu crente! A cura da hipocrisia religiosa não é pecar rindo e lambendo os beiços, “pelo menos sou honesto e sou melhor do que aquele pastor que transava escondido com a secretária”. Tem um outro cara que peca desse jeito, orgulhoso de sua valentia, honestíssimo lambendo os beiços e rindo dos pastores hipócritas e dos crentes reprimidos: o demônio. Boa sorte na sua viagem pra casa com ele. Mas se quiser terminar a jornada em outro lugar, pode se humilhar e pedir ajuda. Procure um pastor de verdade numa igreja de verdade e volte para Jesus.

Guilherme de Carvalho

2 de set. de 2018

Gosto de te ver Leaozinho

A maternidade mudou o filme da minha vida, me dando pequenas alegrias diárias. E, se o dia a dia com ele é uma doçura sem fim, agora que ele esta descobrindo o cotidiano com o pai, a festa ficou ainda mais bonita, ele chega com muitas novidades

Fiquei grávida pela primeira vez aos 21 anos de idade. Na época, já intuía que ser mãe deveria ser um dos grandes prazeres dessa existência louca e sem garantia que a gente entra sem ter ensaiado. Eu não sabia como seria minha vida profissional depois, nem se seria feliz no amor, nem se encontraria de verdade uma fé qualquer na qual me apoiar, mas tinha uma desconfiança boa e reconfortante de que procriar me ajudaria a descobrir algum sentido para Deus ter enviado o filho dele pra essa bola azul.
E eu não tava enganada. Tirando o fato de que tive leite suficiente pra alimentar Lucas com meu próprio corpo até quando ele completou quatro anos o que me deixou culpadíssima, por não ter conseguido organizar melhor a fase da amamentação, a maternidade de fato mudou completamente o filme da minha vida, me dando pequenas alegrias diárias, como vê-lo aprendendo a ler ou presenciar uma criança sensível virar um cara legal.
Meu menino é um garoto legal. Tem luz nos olhos e como significado do nome. Dez anos depois dele ter nascido eu ainda não acredito. Os álbuns da Copa, o Brasil na Copa  os primeiros dias de aula, as idas ao cinema, ele recitando poesia na escola, os desenhos e cartas de amor– quando ele olha pra tela do celular num jogo qualquer eu, olho pra ele – tudo ganhou aquele filtro do Instagram em que a vida fica linda e mágica, e até hoje volto pra casa excitada por pensar naquele par de olhos castanhos descobrindo o mundo com tamanha pureza e entrega diante de mim.
Ser mãe, nesse planeta virado do avesso, é uma atitude de guerrilha, e a minha trincheira é a da delicadeza, custe o que custar. Dói aqui, dói nele, e às vezes penso que educar meu filho pra acreditar no outro é sofrimento garantido ou seu dinheiro de volta, mas, mesmo assim, vou em frente sem olhar pra trás. Ser a prova do bom, do belo e do justo é o norte, e isso importa mais do que aprender inglês, ganhar dinheiro ou ter reconhecimento profissional. Minha vaidade é essa, e o discurso pra ele no fundo é também pra mim. Evoluir por amor, Viver a Carta de Tiago e o bloco de livros da Missão Paulina no mundo ( Evangelho de Lucas, Cartas Paulinas, Hebreus, Atos dos Apóstolos).
 É SAGRADO,  É LINDO, É TAREFA E DÁDIVA.
Não sei se um dia vou estar pronta pra ser deixada de lado, que é exatamente o que deve acontecer – se tudo der certo. Ser a pessoa mais especial da vida de uma outra pessoa, no meu caso, e ainda mais do cromossomo y, dá um prazer imenso, e não tenho medo de admitir que há inclusive certo egoísmo nessa tal maternidade. Infelizmente.Não é pra todo mundo, não tem Procon, mas é muito provavelmente a coisa mais bonita que já me aconteceu.
Recentemente, comecei a ter aula de violão só pra estimular meu par de olhos castanhos a querer aprender, e, não sem estratégia, fiz um roteiro de livros, para serem lidos com músicas que ele gosta, mesmo tocando mal que só. Não sigo nenhuma cartilha de educação – só os livros da Rosely Sayão, junto com algumas coisas de mães calvinistas–, mas tocar um instrumento era uma coisa que eu sempre quis que ele fizesse. Pois bem. Lucas tá cantando clube da esquina sem entender o que é os dedilhados e arranjos das cucas maravilhosas da nossa terra mineira Santa. Canta, também comovido, aquela música que diz que “não é sobre ter todas as pessoas do mundo pra si”. 
Eu olho pra ele cantando e fazendo as voltas da voz do Milton e tento agir naturalmente, mas a verdade é que tô sentada no ingresso mais caro do melhor show da história.

Esse mundo onde a conta bancária não é soberana e onde ninguém descarta ninguém é o mundo que quero e acredito, e como a vontade é a força mais poderosa que existe, ele passa a existir agora. Agora, com você lendo isso, agora, com você ligando pra um amigo pra desfazer um mal-entendido, agora, com você mandando uma mensagem de amor, agora, com você estendendo a mão pro seu filho.

5 de ago. de 2018

70 coisas que aprendi

Chanel❤️


A Lilian Pacce tem site de moda com vídeos e matérias a mais de 10 anos com conteúdo de moda e comportamento. Uma das jornalistas mais respeitadas da indústria.
Seu canal é um bom lugar pra começar a aprender coisas,pra não sair falando e fazendo atrocidades.
Fui  estudar o perfil da marca em questão pq conheci a perfumaria primeiro e queria saber pq motivo eu tinha gostado tanto, sendo que antes minha preferência de perfumes eram  pelos  de notas com baunilha mais presente.
Todo mundo gosta de Chanel e sabe que essa
Marca trouxe muitas coisas legais pro guarda roupa feminino.
Então...
.
Assisti alguns filmes, li duas biografias dela, bem depois vi no canal esses fatos. Acho que na descrição tem algumas indicações.

Pra começar tá lindo né?
E há no canal tem vídeos desse tipo de vários artistas.
Talvez sirva pra parar com essa cafonagem elitista ou a cafonagem que exclui a moda do cotidiano.

Xô cafonagem!


Parte 1
https://youtu.be/ux9ys_tppPs

Parte 2
https://youtu.be/Jzbe22N_tIE


Ps: tem esse tipo de vídeo sobre um tanto de marca.

Bisou.
Ah e a música do vídeo tem lá no meu perfil no Deezer.

2 de ago. de 2018

E hoje em dia como é que se diz eu te amo 🎵

Cometo atrocidades. Pensando que já estava tudo bem    Li coisas truncadas na internet.
E daí?
A definição do estômago embrulhado. É muita raiva. 
Exposição grátis para qual motivo? 
🙄
Tudo contra mim, nada a meu favor. 
Eu fico só calada pq colocar a cabeça no travesseiro e dormir é difícil.
Colocar eternamente a culpa da sua dor no pecado do outro ou a responsabilidade não vai te fazer melhor. Não vai! 
Sendo tão melhor que a maioria da população,cadê o carro de fogo no estilo vou de táxi? 

Recupere-se. Superação implica obrigatóriamente deixar.
E o silêncio gente?
E liga aquele botão do (f***) 
Reinicia e vai viver SEM falar do outro. 
Se não for pra falar algo bom, cala essa boca!

Eu amo mais do c* hein. 

Fala de vc! Olha pra vc! 
Fala do seu caráter! Da sua capacidade de companheirismo de ser maravilhoso.. 
Vive a SUA vida
Quem perdoa não fala mais.
Aprendi; 
“Quem tá feliz não enche o saco?”

Então?
Como aqui posso falar o que eu quiser;

Não entendo essa nescidade de provar que ganhou, que tem mais razão, que seu sofrer é maior, que foi muito grande, ilusão e o c* a 4. 

Essa loucura de não ver a miséria alheia vai te levar cada dia mais pra esse lugar em que só vc se acha bom o bastante.

Pare pelo amor de Deus.
Que ressentido do c*!
Chatoooooooo. Melhore!
Cadê seu humor?
Fazer piada com o erro, falta, miséria do outro só te faz mais miserável. 
Aceita o sofrimento calado. 
Que dói menos.
Veja que a mesma Cruz que pagou pela sua vida pagou pela vida do outro. A justiça não pertence a você.



Uma musica mil vezes 
“Vamos fazer um filme” 

Um bom exemplo de bondade e respeito
Do que o verdadeiro amor é capaz
A minha escola não tem personagem
A minha escola tem gente de verdade
Alguém falou do fim-do-mundo
O fim-do-mundo já passou
Vamos começar de novo
Um por todos, todos por um
O sistema é mau, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
Te ver é uma necessidade
Vamos fazer um filme
O sistema é mau, mas minha turma é legal
Viver é foda, morrer é difícil
———

Seus shade, não interessam a ninguém e só te faz parecer mais cinico. 

Vai orar. 
Vai viver o que louva. Viver o que canta....



Deixa que o outro aprende sozinho com suas próprias pernas e cagadas da vida! 
Que saco 
Vc é quem pra se julgar melhor do que alguém? 
Tira essa mira da cara alheia 
Tira a trave do seu olho. 
Deixa na mão de Deus. 
Vc ganhou! 
Olha que exemplo de sucesso? 
A falência da família é o ponto alto do pos moderno. 

Vai aí