13 de abr de 2013

DEUS É BOM



Como afinal podemos ter a certeza de que Deus é realmente bom? Essa questão, normalmente, vem acompanhada de uma resposta parcial, a qual também depende dos interesses particulares de quem faz a pergunta. Assim, com duvidas básicas e afirmações temerárias, buscamos dar sentido à nossa fé, enquanto tateamos nas sombras dos obscuros cenários que nos cercam- sejam tragédias que vitimam inocentes ou dores que atormentam cristãos fieis. Assim a fé deixa de ser a confiança no amor de Deus para se tornar um bastião de defesa contra nossos piores pesadelos e a possibilidade assustadora de que ele seja, na verdade, um ser injusto e arbitrário.
Mas, seria possível fazer algo melhor do que isso? Existe alguma forma de encarar, de frente todos os questionamentos acerca da bondade de Deus e ainda sair com uma confiança redobrada na realidade do seu amor? Seja lá no que creiamos a respeito do Todo-Poderoso (se ele seria capaz de fazer ou não alguma coisa), isso não tem qualquer relação com quem Deus é de fato. Nossa crença no que é ou não possível para o Senhor jamais fará com que Ele se torne aquilo que desejamos. Tudo bem, então se cremos que Deus seja incapaz de fazer determinada coisa, pois isso não faz qualquer diferença: a verdade é que ele pode fazê-lo de qualquer maneira.
Muitas pessoas, da maneira mais pragmática possível, diriam que é melhor submeter-se a Deus, que tem todo o poder, do que a uma outra deidade arbitraria e correr riscos. Sem duvida, essas pessoas têm em mente a historia de Jó, o qual, depois de balançar o punho para Deus por causa das supostas injustiças cometidas contra ele, é interrogado pelo Senhor da seguinte forma: “Quem você pensa que é para questionar o Criador do céu e da terra?”. Nesse ponto, Jó responde, submetendo-se, com temor e humildade: “Não sabia do que estava falando. Claro, eu te adoro Senhor” (parafraseando os capítulos 40 a 42 do livro bíblico de Jó).
Muitos cristãos imaginam que esta seja a única maneira de escapar àquele dilema, e por isso colocam sua confiança na afirmativa do protagonista da historia, diante de seu momento de maior sofrimento: “O Senhor o deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1.21). Felizmente, esse não é o Evangelho de nosso Senhor Jesus Cristo. E é apenas quando olhamos para Cristo- em sua encarnação, ma principalmente, em sua crucificação- que somos capazes de ouvir, de fato, boas notícias.
Muitas vezes, o problema é colocarmos a questão da bondade de Deus em discussão, excluindo dela o próprio Jesus Cristo. Quando o Filho não faz do debate, a discussão se torna abstrata. Comumente, dizemos que Deus é bom, ou poderoso, ou mau, ou impotente. Seja qual for à conclusão à qual chegamos baseadas em nosso entendimento abstrato do significado dessas palavras, nós aplicamos a outro vocábulo igualmente abstrato: Deus.
Nem nos evangelhos nem nas epistolas somos chamados a crer em Deus que não faria isso ou aquilo. O novo testamento não começa com o abstrato, e tampouco Deus pede que depositemos nossa confiança em palavras ou idéias. Paulo ensina que, de fato, o Senhor não é o deus da nossa imaginação ou da nossa lógica, que deve fazer tal coisa quando, de fato, ele é de determinada natureza. Não; estamos falando de um Deus reto e santo, que justifica pecadores. Trata-se de um Deus cujos feitos são mais maravilhosos e concretos do que qualquer um possa arrazoar.
O nosso Deus não é aquele dos filósofos ou dos metafísicos. No Novo Testamento, ele é em  primeiro lugar, o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, aquele que o Credo Niceno descreve de forma bastante especifica: “Foi crucificado sob Pôncio Pilatos; sofreu a morte e foi sepultado”. Somente quando nos agarramos à natureza histórica, concreta, carnal e mortal de Deus, revelada em Jesus- repetindo, aquele que foi crucificado sob Pôncio Pilatos-, é que podemos encontrar respostas satisfatórias para as perguntas que afligem tanta gente em nossos dias.
A mensagem do Evangelho é especifica: Deus veio a nós por meio de Jesus, o qual foi crucificado sob Pôncio Pilatos, certo magistrado que viveu em época e lugar específicos. Ele morreu e foi sepultado.
O Novo Testamento é a revelação do significado desse evento: Deus olhou para suas miseráveis criaturas, que se rebelaram contra a sua bondade; desafiaram-no, mesmo diante de seu grande amor; tornaram-se prisioneiros do pecado e da morte e merecedores da ira de Deus, tanto nessa vida, quanto na vindoura.
Ele olhou para tudo isso, com toda a sua santidade e retidão, e disse: ”Basta!”. E viveu entre nós, tomando não apenas a forma humana, mas vivendo, na carne, o quebrantamento e o pecado inerentes à nossa existência. Sim, ele se tornou o pecador que merecia a morte e padeceu na cruz (em favor das mesmas pessoas que o colocaram ali). Para que elas soubessem quem ele é de fato.
Trata-se de uma revelação surpreendente, que, ao mesmo tempo, não é um conceito, passível de ser desenvolvido de maneira lógica, mas um evento ocorrido sob mandado de Pôncio Pilatos. Não se trata também de uma teologia, mas do próprio Deus apanhado no ato de amor. É nesse fato- e em seu significado revelado que somos chamados a crer e a proclamar-, e não no que Deus faz ou deixa de fazer em determinada situação, que devemos basear a nossa fé. Não somos conclamados a pregar de acordo com a nossa imaginação ou com os nossos pesadelos, mas de acordo com o que Deus fez, de fato, por nós, através de Cristo. Esse é o Deus em que somos chamados a crer e confiar. Não em uma divindade que, como se diz, é bondosa, amável ou poderosa, seja lá qual for à definição de cada uma dessas palavras. Somos chamados a nos entregar ao Deus que a si mesmo se deu por nós na cruz, na pessoa de Jesus Cristo. O dia da morte da morte.
O que conhecemos, o qual vimos em ação, fez o seguinte; morreu e ressuscitou! E é por isso que podemos ter plena confiança. Não temos, necessariamente, que começar com a fria lógica da retidão divina, com o merecimento do homem piedoso ou com a teologia do amor sentimental, que tanto nos faz bem. Na verdade, a Bíblia não parece muito interessada em nossas questões especulativas, e muito menos em nossa teologia baseada em sentimentos. Pelo contrario – ela revela um Deus que é, de fato, perfeitamente justo e perfeitamente misericordioso, não de forma abstrata, mas em carne. A respeito disso, o grande teólogo norte – americano Jonathan Edwards (1703 – 1758) diz o seguinte: “Encontramos, em Jesus Cristo, justiça e graça infinitas. Sendo ele divino, é infinitamente santo e justo; odeia o pecado e, por isso, está disposto a dar-lhe o merecido castigo. É juiz de todo o mundo, qual é infinitamente justo é de modo algum, irá absorver o perverso ou inocentar o culpado. Mas, ao mesmo tempo, ele é infinitamente gracioso e misericordioso. Apesar de sua justiça ser tão severa em relação a todo pecado e a todo tipo de violação da lei, ainda assim, tem graça suficiente para qualquer pecador, mesmo o pior de todos eles. E esta graça não é suficiente apenas para mostrar misericórdia ao mais indigno de todos os homens e outorgar-lhe algo bom, mas para dar-lhe o melhor de tudo; Jesus”.
Essa colocação não é abstrata em seu conteúdo, como também não são abstratos aqueles a quem ela é direcionada, pois esse é o Evangelho que nos foi destinado. As Boas-Novas de Cristo falam que ele veio nos salvar de todo o pecado, bem como o resto do mundo (1João 2); que ele estava em Cristo, reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões (2Corintios 5); que, em Adão, todos morreram, mas, em Cristo, voltaram à vida (Romanos 5); e que todos somos chamados ao arrependimento e à crença nessa boa noticia. Podemos, então, deixar para trás toda sorte de especulações e pesadelos que, porventura, estejam ocupando a nossa imaginação e nos fazendo temer ou duvidar da bondade de Deus.



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