25 de jul de 2011

Passou



O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente

Que chega a fingir que é dor

A dor que deveras sente.



E os que lêem o que escreve,

Na dor lida sentem bem,

Não as duas que ele teve,

Mas só a que eles não têm.



E assim nas calhas da roda

Gira, a entreter a razão,

Esse comboio de corda

Que se chama o coração.



Fernando Pessoa

 
 
 
Eu destesto passado no meu presente.

Nenhum comentário: