8 de mar de 2011

Sobe e desce.

Outro dia, eu tava num elevador, só eu e uma velhinha. Comecei a olhar para a senhora, seu vestido florido… E o meu, lembrei da Gadu cantando; ingenua de vestido assusta, afasta-me do ego imposto..


Voltei. Senti uma vontade louca de dizer para ela como era ridículo aquele nosso silêncio, aquele ‘bom dia’ tímido e aquele olhar pra baixo, um desviando do outro como se fossem dois fios desencapados que se entrassem em contato soltariam faísca. Eu queria chacoalha-la e perguntar: a senhora é feliz? A senhora é casada? Solteira? A senhora tem um lugar que vai e se sente plena se estiver conversando com o Criador de todas as coisas, é o seu quarto? A senhora gosta de filé de salmão? Não, minha senhora? Não é feliz? Não se sente plena em nenhum lugar? Não conversa com ninguém a muito? Não come filé há duas semanas? Então o que a senhora está fazendo aqui? Saia desse elevador e trate de arrumar um amor, um restaurante, uma aula de jardinagem, aprenda a tocar cuíca, minha senhora, a dançar tango, vá tomar sol, ou então tome um pouco de coragem e suspire profundamente. Tome logo! Daqui a pouco o medo acaba. Não por completo - o que já seria muito bom - mas a vida mesmo - o que é pior ainda. Eu, você, esse elevador, a coragem a nos rondar so esperando que a gente de espaco a ela, a cidade e a civilização que nos produziram acabarão também. Até o universo, dizem as más línguas, pode dar com os burros n’água qualquer hora dessas, eu acredito diferente, vai chegar o meu Salvador e resgatar todas as pequenas coisas, até a lagartixa..tanta coisa pra acontecer e nós aqui, brincando de desviar a vista no elevador. Não é ridículo?

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