19 de set de 2010

Mar sob o céu, cidade na luz

Quando saio a rua os olhares das pessoas roubam minha espontaneidade.


  Por mais que goste dos sorrisos que me lançam, o fato de saber que estou sendo observada me torna consiente daquilo que há de menos interessante em mim, minhas exterioridades, e nisso eu me perco da outra que estaria simplesmente curtindo o mundo, e devolvendo para ele o melhor de si. Estava contaminada pelas escolhas que fiz sem percecer, e que me enraízavam em areias movediças. Não mais. Ele tem me honrado. O Senhor é.

  Ao longo dos anos fui percebendo uma alternância entre momentos de grande ebulição e outros mais longos de calmaria. Dos meus breves 20 pra cá, as ebulições têm ocupado pouco tempo, aos quais seguem outros muitos de tranquilidade. O que digo? Calmaria, tranquilidade... não existe disso comigo. Se tudo estiver sobre rodas, me enfio num transporte qualquer que me leve para bem longe. Muitas vezes bem longe do todo dia. No entanto, mesmo as voltas com experiencias insolitas, o que ocorre nesses periodos mais estáveis é que ao longo deles dá-se um espécie de destrinchamento daquilo que aconteceu nos tempos das ebulições ( que podem ser alegres ou tristes, não importa, são densos.) O turbilhão vai se enfronhando por meus meandros e se integrando ali, até que, um dia, me dou conta de que fui imensamente modificada;  transformada, não exsite isso de evolução aqui. E olhando para trás percebo que se passou um bom tempo, e que já não penso como pensava, não enxergo nas coisas as mesmas coisas, tenho outros interesses, possuo habitos desconhecidos, e aprecio muitíssimo o que antes não me despertava a atenção.
Foi desse jeito que a coisa se deu há alguns dias quando voltei a atenção pra dentro. Senhor o que é que vai aqui que não preciso mais?
Providencial esse tempo de trabalho lá e cá. Muitos momentos só. E tantos olhares a me observar, destrinchar. - "Camila o que é que há? Eu quero isso!"
 E eram coisas miúdas que davam indicação de que do lado de dentro, lá bem dentrinho de mim tem um monte de pózinho que é pura esperança.
Agora vez ou outra  faço malas, e quando tudo parecia sedimentado, de repente me rasgou a mesmice de tudo, bateu-me um fastio de mim, dos meus arredores, e nasceu um olhar exigente virado pro centro, que insiste em ter de revelado aquilo que só é natural quando minha atitude demonstra zelo pelas coisas eternas. Esse tempo tá aqui, estou irresistivelmente aliançada com elas. As coisas são eternas são leves. Minhas microquestões não podem  me empacar, preciso seguir, mas tenho que me livrar de mim pra voltar a mim. Cansei de minha desimportância, tenho enorme consciência dela. Sou de uma desimportância infinitesimal, e mesmo assim algo me move com fervor. Sinto-me como um navio repleto de lastro que serviu um dia mas que está hoje esquecido em seus porões, fazendo um peso incomodo. Ainda assim, sigo. Preciso fazer mais, muito mais, preciso zarpar e mesmo se o navio afundar preciso me encher com a certeza de que chegarei em Roma. Chegarei ao centro do mundo e serei boca do Senhor aonde eu for.
As ondas batem forte contra os cascos, mas a embarcação segue- e vai em busca do sol.

Quero meus frutos!

Escrevo pra que um dia, com tudo organizado, eu possa viver das possibilidades que hoje não enxergo, guiada pelo Espirito. Vem e alinha a minha vida. Nesse interim me preparo como uma cidadã universalizada que não se prende ao que esta nas exterioridades dos julgadores.
Vou me integrar, consciente, ao todo infinito do qual faço parte.

Não da mais pra voltar.

Nenhum comentário: