7 de dez de 2009

Identificação

(Texto na Revista do Jornal O Globo)





'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes.. Sou a Miss Imperfeita, muito prazer. A imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido dos filhos, marido (se tiver), telefono sempre para minha mãe, procuro minhas amigas, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa, providencio os consertos domésticos e ainda faço as unhas e depilação!





E, entre uma coisa e outra, leio livros.





Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.





Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.





Primeiro: a dizer NÃO.





Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO. Culpa por nada, aliás.





Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.





Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo para os outros.





Seu pai e sua mãe, acredite, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.





Você é, humildemente, uma mulher.





E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável. É ter tempo.





Tempo para fazer nada.





Tempo para fazer tudo.





Tempo para dançar sozinha na sala.





Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.





Tempo para sumir dois dias com seu amor





Três dias.





Cinco dias!





Tempo para uma massagem.





Tempo para ver a novela.





Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de produtos de beleza.





Tempo para fazer um trabalho voluntário.





Tempo para procurar um abajur novo para seu quarto.





Tempo para conhecer outras pessoas.





Voltar a estudar.





Para engravidar.





Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.





Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.





Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.





Existir, a que será que se destina?





Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.





A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super, se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada. Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem.





Precisa respeitar o mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si.





Se o trabalho é um pedação de sua vida, ótimo!





Nada é mais elegante, charmoso e inteligente do que ser independente.


Mulher que se sustenta fica muito mais sexy e muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que nos mantinha trancafiadas em casa, espiando a vida pela janela.





Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M..A.C.


Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, está precisando rever seus valores.





E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'








(Texto do blogger)
Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é possível, me ofereço como piloto de testes..
Muito prazer; a imperfeita que faz tudo o que precisa fazer, como boa profissional, mãe, filha e mulher que também sou: trabalho, ganho minha grana, vou ao supermercado, decido o cardápio das refeições, cuido de filho, procuro minhas amigas, viajo, vou ao cinema, pago minhas contas, respondo a toneladas de e mails, faço revisões no dentista, vou ao hematologista, dermatologista, a clinica de estetica, compro flores para casa e ainda faço as unhas, massagem e depilação.

E, leio três livros ao mesmo tempo. Ou dois.

Portanto, sou ocupada, mas não uma workholic.
Por mais disciplinada e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO.

A coisa mais LIBERTADORA DA MINHA EXISTÊNCIA!

Segundo: a não sentir um pingo de culpa por dizer NÃO.

Culpa por nada, aliás.

Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua lista a Culpa Zero.
Quando nasci, Jesus não adentrou a sala da maternidade e me apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento seria modelo para os outros.
Meu pai e minha mãe, acreditem, não tiveram essa expectativa: tudo o que desejaram é que eu não chorasse muito durante as madrugadas e mamasse direitinho.
Sou humildemente, uma mulher_menina.
E, se não aprendesse a delegar, a priorizar e a me divertir, bye-bye vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é ser sempre politicamente correta, não é topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo!


Tempo para fazer nada.


Tempo para fazer tudo.



Tempo para dançar uma lambada louca na sala. (com o Lucas dançando junto)


Tempo para bisbilhotar uma loja de livros, de roupa, de discos...


Tempo para sentir o amor.


Tempo para uma massagem.


Tempo para ver a novela.


Tempo para ir a Igreja, para orar e reconhecer a minha limitação diante desse Deus incomparável.

Tempo para receber aquela amiga que é consultora de produtos de beleza.


Tempo para fazer um trabalho voluntário.


Tempo para conhecer as pessoas e suas opiniões.


Voltar a estudar.


Tempo para escrever no diário que será editado pelo R.Quintas.


Tempo, principalmente, para descobrir que posso ser perfeitamente organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque minha existência não é contabilizada por um relógio




Existir, a que será que se destina?

Destina-se a ter o tempo a favor, e não contra.

Ando muito antiga. Andei acreditando que, se não fosse super, se não fosse mega, se não fosse uma TUDO ISO 9000, não seria bem avaliada.

Estou tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. E para que?

Preciso respeitar o mosaico de mim mesma, privilegiar cada pedacinho da Camila.

Se o trabalho é um pedação de minha vida, ótimo!
Nada é mais elegante do que ser independente.
Porque; mulher que se sustenta fica muito mais livre para ir e vir. Desde que lembre de separar alguns bons momentos da semana para usufruir essa independência, senão é escravidão, a mesma que me mantinha trancafiada em casa, espiando a vida pela janela.





Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C. (minha cor favorita é o matte #dica)
Mas, se preciso vender a alma ao diabo para ter tudo isso, francamente, estava precisando rever meus valores.

E descobrir que uma bolsa de palha, uma pousadinha à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas dar uma nova perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'





Camila Verçosa- mãe, filha, mulher_menina, modelo e a blogueira que vos escreve.
E confusa a maior parte do tempo.

2 comentários:

Beth Theodoro disse...

Espetacular! A capacidade de tornar em palavra, a sutileza da realidade feminina, foi espetacular!

Camila disse...

rs... Nem te conheço, mas te admiro! Consigo sentir sua leveza. Te acompanho "ocultamente" seja por orkut, blog, twitter... sempre leio algo que serve para meus momentos!
Seu filho é mt fofo, e vc têm essência! Continue a brilhar...
De Camila Para Camila
;)